Ingestão cáustica pediátrica em Minas Gerais – Brasil: um estudo observacional do Hospital Universitário de Uberlândia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v101i5e-176782

Palavras-chave:

Cáusticos, Saúde da Criança, Estenose Esofágica

Resumo

Introdução: Crianças menores de cinco anos são as principais vítimas de acidentes por ingestão de cáusticos, assim considerando a epidemiologia brasileira e dos riscos à exposição desses agentes ressalta-se a importância deste estudo que objetiva realizar uma análise descritiva dos casos de acidentes cáusticos em pacientes pediátricos atendidos em um hospital universitário de Minas Gerais. Método: Este é um estudo transversal descritivo, de caráter quantitativo, a partir dos dados obtidos de prontuários de pacientes pediátricos (0-13 anos) atendidos por ingestão de substâncias cáusticas, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (Minas Gerais, Brasil). Resultados: Foram levantados 132 prontuários de crianças atendidas por ingestão de substâncias cáusticas de janeiro de 2011 a abril de 2018. Os acidentes acometeram crianças na faixa etária de 08 meses a 12 anos, sendo que 82,60% dos casos ocorreram em ambiente domiciliar. Entre as principais substâncias ingeridas estão os produtos de limpeza, quanto à sua composição química predominaram soda cáustica, hipoclorito de sódio e amoníaco. A endoscopia digestiva alta (EDA) foi realizada em 104 pacientes. Quase 13% das crianças apresentaram estenose esofágica e necessitaram de dilatação esofágica. No período estudado, foram realizados 296 procedimentos de dilatações, com média de 17,4 procedimentos por paciente. Discussão: Considerando que os acidentes cáusticos são prevalentes em crianças menores de cinco anos e em ambiente domiciliar, as principais substâncias ingeridas são aquelas de caráter alcalino, que causam lesão no trato respiratório e gastrointestinal, sendo a principal consequência a estenose esofágica. Ademais, não há protocolos bem definidos para o manejo e a condução de pacientes que fizeram a ingestão dessas substâncias. As principais limitações do estudo foram o preenchimento incompleto dos prontuários analisados e os trâmites burocráticos para o acesso aos mesmos. Conclusão: Predominaram os acidentes cáusticos domiciliares e em crianças menores de 2 anos, o que implica a necessidade de ações educativas e preventivas.

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Publicado

2022-09-02

Como Citar

Santos, A. F. F. dos, Pereira, M. A., Kock, T. B. C., Oliveira, A. L. G. de, Morais, A. P. P. de, Santos, C. A. G., Moisés, F. M., Carmo, G. M. M. A. do, Valente, H. C. de O., Castro, I. B., Gonçalves, J. P. R., Faria, L. F. de D., Terence, L. T., Rodrigues, M. de L., Rocha, M. B., Lima, N. L. S., Oliveira, S. L. de, Souza, T. G. S. de, Baccega, T. de M., Silva, W. N. T. da, Rezende, E. R. M. de A., & Barros, C. P. (2022). Ingestão cáustica pediátrica em Minas Gerais – Brasil: um estudo observacional do Hospital Universitário de Uberlândia. Revista De Medicina, 101(5), e-176782. https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v101i5e-176782

Edição

Seção

Artigos Originais/Originals Articles