O roteiro de sobras

Autores

  • Michel Favre

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-4077.v4i7p85-88

Resumo

O entusiasmo geral que acompanhou a exposição do l’Elysée e a recente publicação de um livro, Fotoformas, contribuíram sem dúvida para a retomada, pelo artista, de um trabalho em fotografia. Além disso, em perfeita adequação com suas limitações físicas, decorrentes das inúmeras isquemias cerebrais que o deixaram com uma parte do corpo inválida, Geraldo conseguia desenvolver um trabalho artístico que lhe fosse possível: dirigia uma assistente que, segundo suas instruções, decupava negativos de família. O artista buscava esse material numa gaveta ao alcance da mão a partir da poltrona na qual passava a maior parte do tempo. Foi assim que, à sua maneira, ele se apropriou dos conceitos de restos, como se, no crepúsculo da vida, pudesse reciclar tudo, incluindo as lembranças da felicidade familiar. Iniciada em segredo em 1996, a série Sobras nascia, assim, do seu desejo, sempre presente, de criar apesar dos imprevistos da vida.

Biografia do Autor

Michel Favre

Cineasta e fotógrafo formado em cinema e vídeo pela École Supérieure d'Art Visuel, Genebra (Suíça, atual HEAD). Colabora desde 1994 com a artista plástica Fabiana de Barros, com quem realiza em parceria inúmeras obras em fotografia, vídeo e videoinstalação. Entre 2006 e 2014 ensina cinema na Haute Ecole d’Art e de Design de Genebra. Desenvolve uma obra onde aproxima a representação do real no cinema e na arte contemporânea. Interessa-se na supressão da temática no documentário, usando o dispositivo como corte no real. Entre seus filmes estão Ouvindo Imagens (2006) e tão perto tão longe (2012).

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Publicado

2021-05-18