A percepção do timbre em Farben Op. 16 n. 3 de Schoenberg: uma abordagem estética e psicoacústica

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DOI:

https://doi.org/10.11606/rm.v17i1.144613

Palavras-chave:

Arnold Schoenberg, Klangfarbenmelodie (melodia de timbres), Farben, percepção do timbre, fusão de timbres, percepção da altura

Resumo

Farben Op. 16 nº3 é uma obra em que Arnold Schoenberg implementa seu modelo de melodia de timbres (Klangfarbenmelodie), modelo este que talvez nunca tenha sido repetido da mesma maneira em suas demais obras. Neste artigo investigamos os processos de composição e percepção do timbre nesta obra. Como referencial teórico abordamos a busca estética do compositor por uma relação entre cores e sons, fundamentada nas ideias Goethe (1840) e Helmholtz (1924, 1954). Baseamo-nos também em teorias sobre a percepção da altura por fusão de parciais e sobre a fusão de diferentes timbres por jitter. Sobre Farbenrealizamos uma análise da partitura baseada principalmente em trabalhos prévios de Förtig (1969) e Burkhart (1972). A seguir partimos para uma investigação psicoacústica da percepção do timbre, para tanto aplicamos ao áudio da obra os descritores croma, centroide, sharpness, loudness e inarmonicidade (através do programa Sonic Visualizer), os quais nos forneceram dados para realizar interpretações individuais destes parâmetros, bem como nos permitindo estabelecer relações entre eles.

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Publicado

21-03-2017

Edição

Seção

Artigos - Dossiê Temático: “(Re)Orquestrar: Perspectivas interdisciplinares sobre música sinfônica”

Como Citar

ROSSETTI, Danilo. A percepção do timbre em Farben Op. 16 n. 3 de Schoenberg: uma abordagem estética e psicoacústica. Revista Música, [S. l.], v. 17, n. 1, p. 292–324, 2017. DOI: 10.11606/rm.v17i1.144613. Disponível em: https://revistas.usp.br/revistamusica/article/view/144613. Acesso em: 25 abr. 2026.