Estatuetas e prótomos em espaços sagrados de Atena, na Sicília e em Rodes, do Período Arcaico

Autores

  • Felipe Leonardo Ferreira Universidade de São Paulo. Museu de Arqueologia e Etnologia.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2020.163618

Palavras-chave:

Mundo grego, Sicília, Rodes, Terracotas votivas, Atena

Resumo

O presente artigo tem por fim ampliar a apresentação realizada na VI Semana Internacional de Arqueologia – Discentes – MAE – USP em 2019, na medida do possível acolhendo as sugestões, críticas e questões levantadas durante a mesa e o evento em si. A formação da pólis foi um processo que se deu ao longo do Período Arcaico em vários movimentos, articulados às transformações sociais do final da Idade do Ferro. A religião foi um dos elementos estruturantes de muitas dessas comunidades nascentes, sendo bem atestada a concentração de oferendas em locais públicos sagrados que, posteriormente, dariam vida aos santuários, em detrimento da imobilização da riqueza em túmulos suntuosos, individuais ou até coletivos. A partir do século VIII a.C. também percebemos na materialidade certas inovações como a construção de templos, edifícios para o abrigo da imagem de culto, a morada do deus. O movimento de expansão grega, que ganhou grande expressão em época arcaica com a fundação de apoikiai ao longo dos mares Mediterrâneo e Negro, também colaborava para a consolidação das pólis na velha Grécia. Os fundadores levavam consigo a cultura e o modo de construir seu mundo material, inclusive seus deuses, porém as especificidades de cada localidade tendiam a dar contornos novos às práticas religiosas. Nesse contexto analisamos dois tipos de oferendas, prótomos e estatuetas de terracota, em fundações siciliotas e suas metrópoles, para tentarmos discernir semelhanças e adaptações que apontem possíveis mudanças sociais ou cultuais nas novas comunidades que se formavam.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Blinkenberg, C.S.; Kinch, K.F. 1931. Lindos: Fouilles et recherches, 1902-1914. W. de Gruyter, Berlin.

Dewailly, M. 1992. Les statuettes aux parures du sanctuaire de la malophoros à Sélinonte. Centre Jean Bérard, Naples.

Flannery, K.V. 1994. The cultural evolution of civilizations. Annual Review of Ecology and Systematics, 3: 399-426.

Hansen, M.H.; Nielsen, T.H. 2004. The inventory of archaic and classical Greek poleis. Oxford University Press, Oxford.

Hawkes, C. 1954. Archaeological theory and method: some suggestions from the Old World. American Anthropologist, 56: 155-168.

Higgins, R.A. 1969. Catalogue of the terracottas in the department of Greek and Roman antiquities-British Museum. Trustees of the British Museum, London.

Higgins, R.A. 1963. Greek terracotta figures. Trustees of the British Museum, London.

Hirata, E.F.V. 2010. Arqueologia, religião e poder político no Ocidente Grego.Tese de Livre Docência. Universidade de São Paulo, São Paulo.

Hirata, E.F.V. 1978. As estatuetas de terracota e a religião popular da magna Grécia e Sicília. Dissertação de mestrado. Universidade de São Paulo, São Paulo.

Hirata, E.F.V. 1995. Estatuetas de terracota clássicas. Cerâmicas antigas da Quinta da Boa Vista. Catálogo de exposição. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.

Hirata, E.F.V. 1992. Os prótomos femininos de Gela: uma proposta de interpretação. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, 2: 49-61.

Hirata, E.F.V. 1986. Prótomos femininos de Gela: especificidade e função no quadro da coroplastia siciliota (séc VI-V a.C.). Tese de doutorado. Universidade de São Paulo, São Paulo.

Homero. 2016. Ilíada. Trad. Carlos Alberto Nunes. Nova Fronteira, Rio de Janeiro.

Karouzos, C. 1973. Rhodos, history, monuments, art. Esperos Editions, Athens.

Mollard-Besques, S. 1954. Catalogue raisonné des figurines et reliefs en terre-cuite grecs, étrusques et romains. Éditions des Musées Nationaux, Musée National du Louvre, Paris.

Renfrew. C. (Org.). 1985. The archaeology of cult: the sanctuary at Phylakopi. British School of Archaeology at Athens Thames and Hudson, London.

Renfrew, C.; Bahn, P. 1991. Archaeology: theories, methods, and practice. Thames and Hudson, New York.

Stillwell, R.; Macdonald, W.L.; Mcallister, M.H. (Eds.). 1976. The Princeton encyclopedia of classical sites. Princeton University Press, Princeton.

Tabone, D.A. 2012. Paisagem sagrada e paisagem política: os espaços sagrados de Gela, Sicília – séculos VII-III a.C. Dissertação de mestrado. Universidade de São Paulo, São Paulo.

Tabone, D.A. 2017. Sagrado e a constituição simbólica da cultura material: perspectivas teóricas e metodológicas. In: Kesser, C.B.D.; Silva, S.C.; Campos, C.E.C. (Orgs.). Experiências religiosas no mundo antigo. Editora Prismas, Curitiba, 1: 105-121.

Tataki, A.B. 1980. Rhodes, lindos, kamiros, filerimos: le palais des grands maitres et le musee. Ekdotike Athenon, Athens.

Tucídides. 2001. História da guerra do Peloponeso/Tucídides. Trad. Mario da Gama Kury. Editora Universidade de Brasília; Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, Brasília; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo.

Veronese, F. 2006. Lospazioe la dimensione del sacro. Santuari greci e territorio nella Sicilia arcaica. Esedra Editrice, Padova.

Zuntz, G. 1971. Persephone: three essays on religion and thought in Magna Graecia. Clarendon Press, Oxford.

Downloads

Publicado

2020-12-31

Como Citar

Ferreira, F. L. (2020). Estatuetas e prótomos em espaços sagrados de Atena, na Sicília e em Rodes, do Período Arcaico. Revista Do Museu De Arqueologia E Etnologia, (35), 44-68. https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2020.163618

Dados de financiamento