Variabilidade decorativa na cerâmica paulista colonial: influências e resistências

Autores

  • Marcelo Rolim Manfrini Universidade de São Paulo. Museu de Arqueologia e Etnologia

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2021.163629

Palavras-chave:

Arqueologia Histórica, Cerâmica Local/Regional, Decorações, Arqueologia Paulista

Resumo

As louças de barro produzidas e distribuídas na cidade de São Paulo durante seus primeiros séculos de fundação possuíam uma grande variabilidade de motivos decorativos que exploravam múltiplas variantes de técnicas incisas, entalhadas, escovadas, digitadas e aplicadas. Tais técnicas podem ser relacionadas a estilos já encontrados em tradições indígenas e/ou afrodescendentes que viriam a ser afetadas pelos efeitos da colonização européia. Estes estilos decorativos vêmsendo frequentemente associados a morfologias que não são tipicamente observadas nestas mesmas tradições, e sim em produções européias como xícaras, jarros e frigideiras. Com isso, se pode observar que há uma amalgamação cultural fruto de processos de domínio e resistência, que muitos pesquisadores vinculam a uma cultura mameluca em São Paulo. Pesquisas arqueológicas em contextos de Contato e da Diáspora frequentemente associam o uso de determinados estilos decorativos como formas de resistência cultural ante o domínio colonial europeu. Desta forma, buscamos explorar os motivos decorativos identificados nossítios arqueológicos Pinheiros 2, Casa do Bandeirante,e Casa Bandeirista do Itaim Bibi e procurar possíveis comparações com decorações indígenas ou afrodescendentes que possam nos oferecer dicas acerca das relações de poder na sociedade paulista e de como a resistência cultural pode ser observada na cerâmica local.

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Publicado

2021-12-31

Como Citar

MANFRINI, Marcelo Rolim. Variabilidade decorativa na cerâmica paulista colonial: influências e resistências. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, Brasil, n. 37, p. 178–203, 2021. DOI: 10.11606/issn.2448-1750.revmae.2021.163629. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/163629.. Acesso em: 24 jul. 2024.