Vive em mim toda Marielle Franco: Repressão, resistência, Arqueopoesia e a materialidade das vivências de mulheres negras

Autores

  • Lara de Paula Passos Universidade Federal de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2020.163772

Palavras-chave:

Arqueologia, Arqueopoesia, Repressão e Resistência, Descolonialidade

Resumo

Após o assassinato da vereadora socióloga negra, feminista e defensora dos direitos humanos Marielle Franco em 14 de março de 2018, começaram a eclodir diversas formas de manifestações de repressão e resistência envolvendo sua imagem. O caso desencadeou também em uma movimentação maior da produção e circulação de materiais (físicos ou digitais) envolvendo o genocídio do povo preto e o feminicídio que acontece em âmbito nacional e que atinge de forma particular as mulheres negras. Este trabalho se propõe observar esse fenômeno específico enquanto estudo de caso, abordando também de uma forma mais ampla o panorama material que envolve as vivências de mulheres negras sob uma ótica antropológica e arqueológica e poética no que tange às questões de repressão e resistência.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Lara de Paula Passos, Universidade Federal de Minas Gerais

Mestra e doutoranda em Antropologia – área de concentração em Arqueologia, UFMG. <laradepaulapassos@gmail.com>

Referências

Akotirene, C. 2018. O que é interseccionalidade? Letramento, São Paulo.

Bruno, M.C.O. 1996. Museus de arqueologia: uma história de conquistadores, abandono e mudanças. Revista do MAE 6: 293-313.

Câmara dos Deputados. 2018a. Feminicídio cresce entre mulheres negras e indígenas e diminui entre brancas, aponta pesquisadora. Disponível em: <https://bit.ly/34g2bIi>. Acesso em: 17/05/2019.

Câmara dos Deputados. 2018b. Sistema carcerário brasileiro: negros e pobres na prisão. Disponível em: <https://bit.ly/3m8loRZ>. Acesso em: 17/05/2019.

Carta Capital. 2017. Atlas da Violência 2017: negros e jovens são as maiores vítimas. Disponível em: <https://bit.ly/3dIrKov>. Acesso em: 17/05/2019.

Carvalho, R.A. 2013. Quando as relações se expressam nos muros. Ponto Urbe 13: 1-18.

Cavaca, S.D.; Alves, G.S. 2019. Mulheres no território político: Marielle Franco, marcas narrativas e estratégias de silenciamento. In: Anais do 24º Intercom, 2019, Vitória.

Costa, C. 2018. Delegado de Pernambuco é afastado após postagens sobre Marielle Franco. Disponível em: <https://glo.bo/3m30CmT>. Acesso em: 20/09/2019.

Costa, T.A.P. 2015. Relação entre grafite, pichação e arte rupestre. Disponível em: <https://bit.ly/3dEi1PO>. Acesso em: 20/06/2019.

Danin, R.A.; Carvalho Júnior, J.G.; Reis, T.R. 2018. Racismo discursivo: o caso Marielle Franco e a cobertura da mídia internacional. Methaodos: Revista de Ciencias Sociales 6: 279-289.

Deister, J. 2018. Manifestações em solidariedade a Marielle Franco acontecem no país e no mundo. Disponível em: <https://bit.ly/3m2vtjn>. Acesso em: 12/06/2019.

Dias, M.B. 2018. O assassinato de Marielle Franco. Jornal de Relações Internacionais 2: 1-2.

Endo, T.S. 2009. A pintura rupestre da pré-história e o grafite dos novos tempos. Trabalho de conclusão de curso. Universidade de São Paulo, São Paulo.

Evaristo, C. 2007. Da grafia-desenho de minha mãe, um dos lugares de nascimento de minha escrita. In: Alexandre, M.A. (Org.). Representações performáticas brasileiras: teorias, práticas e suas interfaces. Mazza, Belo Horizonte, xx-yy.

Fernandes, S.F.; Carvalho, L.G. 2018. Análise semiótica de mídia cartaz no caso Marielle. Verbum 7: 125-136.

Ferreira, H.B.P. 2018. Retrato da desigualdade: brancos têm dois anos a mais de estudo. Disponível em: <https://glo.bo/2H8sQ0Z>. Acesso em: 17/05/2019.

Franco, M. 2017. A emergência da vida para superar o anestesiamento social frente à retirada de direitos: o momento pós-golpe pelo olhar de uma feminista, negra e favelada. In: Bueno, W. et al. (Orgs.). Tem saída? Ensaios críticos sobre o Brasil. Zouk, Porto Alegre.

Franco, M. 2018. UPP – a redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro. N-1, São Paulo.

G1. 2018. Conselho arquiva processo de deputado que divulgou fake news sobre Marielle. Disponível em: <https://glo.bo/37rOkQX>. Acesso em: 20/09/2019.

G1 Rio. 2018. No Rio, Malala Yousafzai posa ao lado de desenho de Marielle Franco. Disponível em: <https://glo.bo/3j8AncY>. Acesso em: 18/10/2020.

Gonzáles, L. 1988. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo Brasileiro 92-93: 69-82.

Guida, V.; Sigiliano, D. 2018. Competência midiática e informação: análise dos interagentes na página do Jornal O Globo em relação ao caso Marielle Franco. Trabalho de curso. Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora.

Guimarães-Silva, P. 2018. Marielle e a representatividade da vida que carrega o signo da morte. In: Marques, Ângela C. S. (Org.). Vulnerabilidades, justiça e resistências nas interações comunicativas. Fafich, Belo Horizonte, 60-70

Gustafson, J. 2019. Brasil caminha para liderar ranking mundial da violência contra mulher. Disponível em: <https://bit.ly/3kfVLhR>. Acesso em: 17/05/2019.

Haber, A. 2011. Nometodología payanesa: notas de metodología indisciplinada (con comentarios de Henry Tantalean, Francisco Gil García y Dante Angelo). Revista Chilena de Antropología 23: 9-50.

Haraway, D. 1995. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu 5: 7-41.

Horta, A.I. 1997. Pinturas rupestres urbanas: uma etnoarqueologia das pichações em Belo Horizonte. Revista de Arqueologia 10: 143-l61.

IBGE. 2010. Estatísticas de gênero. Disponível em: <https://bit.ly/34b9ZLh>. Acesso em: 19/07/2019.

IG São Paulo. 2018. Um dos grafites feitos em homenagem a Marielle Franco foi vandalizado na madrugada desta quarta (19) e ação é flagrada por câmeras de segurança. Disponível em: <https://bit.ly/3kf1zrR>. Acesso em: 18/10/2020.

Jacques, P.B. 2008. Corpografias urbanas. Vitruvius 93.

Leslie, L. 2018. Munição usada para matar Marielle é de lotes vendidos para a Polícia Federal. Disponível em: <https://glo.bo/2T3ayAm>. Acesso em: 16/03/2018.

Magni, C.T. et al. 2018. Desenhar para quê? Experimentações antropoéticas em pesquisa e ensino. Áltera: Revista de Antropologia 1: 136-165.

Marques, J.V. 2018. Candidatos do partido de Bolsonaro quebram placa que homenageava Marielle no Rio. Disponível em: <https://bit.ly/2HfCQW6>. Acesso em: 15/10/2019.

Marreiro, F. 2019. Nome de Bolsonaro aparece em investigação do caso Marielle, que pode ir para o STF. Disponível em: <https://bit.ly/3oc4F2m>. Acesso em: 30/10/2019.

Million, T. 2005. Developing an aboriginal archaeology: receiving gifts from the white buffalo calf woman. In: Bruchac, M.; Hart, S.; Wobst, H.M. (Eds.). Indigenous archaeologies: a reader on decolonization. Routledge, New York, 189-192.

Nuñez, I. et al. 2019. A administração da morte de Marielle Franco por parte do Estado. Dignidade Re-Vista 4: 62-78.

O Globo. 2018a. Morte de Marielle Franco gera protestos ao redor do mundo. Disponível em: <https://glo.bo/31qWwwW>. Acesso em: 20/09/2019.

O Globo. 2018b. Polícia descobre que arma usada para matar Marielle e Anderson foi uma submetralhadora. Disponível em: <https://glo.bo/2T9u6mJ>. Acesso em: 18/10/2020.

Oeiras, T. et al. 2018. Propagação de fake news pelo Movimento Brasil Livre: caso Marielle Franco. In: Anais do 20º Congresso de Ciências da Comunicação, 2018, Juazeiro.

Passos, L.; Mota, M. 2019. Ocupar e resistir: uma reflexão arqueológica sobre as intervenções gráficas na Fafich-UFMG pós-ocupações. Revista Três Pontos 15: 1-18.

Perez, F. 2018. Marielle ofereceu ajuda a dezenas de famílias de policiais no RJ. Disponível em: <https://bit.ly/3jbz1Ox>. Acesso em: 20/09/2019.

Ribeiro, D. 2019. Lugar de fala. Pólen, São Paulo.

Ribeiro, L. 2017. Crítica feminista, arqueologia e descolonialidade. Revista de Arqueologia 30: 210-234.

Rocha, L.M. 2018. A vida e as lutas de Marielle Franco. Em pauta 16: 274-280.

Saconi, J.P. 2018. Cabo da PM e vice-presidente da OAB de Salto brincam com “sanduíche Maria da Penha” citando Marielle. Disponível em: <https://glo.bo/37paeEu>. Acesso em: 20/09/2019.

Schirmer, L.C.; Dalmolin, A.R. 2018. Discurso de ódio biopolítico no caso Marielle Franco. In: Anais do 1º Congresso Nacional de Biopolítica e Direitos Humanos, 2018, Ijuí.

Silva, A.F.L. 2019. “Marielle virou semente”: representatividade e os novos modos de interação política da mulher negra nos espaços institucionais de poder. Revista Sociologias Plurais 5: 52-75.

Silva, G.J. 2014. Conceituações teóricas: esquerda e direita. Humanidades em Diálogo 6: 149-162.

Souza, D.P.J. 2019. Sementes – com você ando melhor: o legado de Marielle Franco como agente incentivador da representatividade das mulheres negras nos espaços políticos. In: Bispo, C.; Gostinski, A.; Martins, F. (Orgs.). Estudos feministas: por um direito menos machista. Tirant Brasil, Rio de Janeiro, v. 4, 77-92.

Souza, R.A. 2013. Pixações sob a ótica da arqueologia urbana. Revista de Arqueologia Pública 8: 135-156.

Spivak, G.C. 2010. Pode o subalterno falar? Editora UFMG, Belo Horizonte.

Tarouco, G.S.; Madeira, R.M. 2013. Partidos, programas e o debate sobre esquerda e direita no Brasil. Revista de Sociologia e Política 21: 149-165.

Downloads

Publicado

2020-12-21

Como Citar

Passos, L. de P. (2020). Vive em mim toda Marielle Franco: Repressão, resistência, Arqueopoesia e a materialidade das vivências de mulheres negras. Revista Do Museu De Arqueologia E Etnologia, (35), 79-102. https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2020.163772