Fronteiras, portas e muralhas na cidadela de Micenas

Autores

  • Gustavo Jorge Peloso Peixoto Universidade de São Paulo. Museu de Arqueologia e Etnologia

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2020.167055

Palavras-chave:

Fronteiras, Micenas, Monumentalidade, Muralhas ciclópicas, Porta dos leões

Resumo

O presente artigo explora o conceito de fronteira no mundo antigo utilizando como estudo de caso as fronteiras materiais e simbólicas produzidas pelos muros e portas da cidadela de Micenas durante os séculos XIV a.C. e XIII a.C. Este estudo tem o objetivo de identificar o modo como as elites micênicas materializavam seu discurso de poder no espaço, seja na construção de muralhas ciclópicas monumentais, na criação de marcos simbólicos como a “porta dos leões”, ou na disposição proposital e estratégica de edifícios que se encontram entre o portão principal e o palácio do soberano micênico. Para compreendermos o discurso do poder empregado pelas elites micênicas analisaremos o trajeto pelo qual um indivíduo necessitaria percorrer da porta de acesso ao palácio no topo da cidadela e quais edifícios estariam sendo protegidos e privilegiados nesse caminho. Além disso, realizaremos um breve estudo comparativo entre a simbologia contida na “porta dos leões” e materiais iconográficos encontrados em contexto funerário. A partir da análise espacial e iconográfica poderemos concluir que as muralhas ciclópicas e a “porta dos leões” em Micenas atuam como fronteiras de poder monumentalizadas, capazes de produzir comportamentos em moradores e visitantes, regular fluxos e legitimar o poder da elite, por meio de símbolos e edifícios ligados à religião e aos antepassads.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Gustavo Jorge Peloso Peixoto, Universidade de São Paulo. Museu de Arqueologia e Etnologia

Mestrando do programa de Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) sob a orientação da professora doutora Maria Cristina Kormikiari Passos; membro do Laboratório de Estudos sobre a Cidade Antiga (Labeca). Apoio e financiamento do CNPq. <gustavojppeixoto@gmail.com>.

Referências

Aldrovandi, C.; Hirata, E. F. V.; Kormikiari, M. C. (orgs.) 2011. Estudos sobre o Espaço na Antiguidade. Editora da Universidade de São Paulo, São Paulo.

Blackwell, N. 2014. Making the Lion Gate Relief at Mycenae: Tool Marks and Foreign Influence. American Journal of Archaeology, vol. 118, n°. 3: 451–488. Disponível em: <https://www.jstor.org/stable/10.3764/aja.118.3.0451?seq=1>. Acesso em 27 fev. 2020.

Castledan, R. 2005. Mycenaeans. Routledge, Nova Iorque, 2005.

Cline, E. 2010. The Bronze Age Aegean (ca. 3000-1000 BC). Oxford University Press.

Conant, C.; Thomas, C. 1999. Citadel to City-State. Indiana University Press, Bloomington.

Evans, A. 1901. Mycenaean Tree and Pillar Cult and Its Mediterranean Relations. The Journal of Hellenic Studies, vol. 21: 99-204.

Fletcher, F. 1941.Tiryns, Argos, Mycenae in Legend and Literature. Greece & Rome, vol. 11, n°. 31: 1-9. Disponível em: <https://www.jstor.org/stable/641398?seq=1>. Acesso em: 27 fev. 2020.

Gras, M. 1995. O Mediterrâneo Arcaico. Editorial Teorema, Lisboa.

Guarinello, N. 2010. Ordem, Integração e Fronteiras no Império Romano: Um Ensaio. Mare Nostrum (São Paulo), v. 1, n. 1: 113-127. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/marenostrum/article/view/105764/104473>. Acesso em: 27 fev. 2020.

Hirata, E. F. V.; Florenzano, M. B. B. 2009. Estudos sobre a cidade antiga. Editora da Universidade de São Paulo/Fapesp, São Paulo.

Hope Simpson, R.; Hagel, D. 2006. Mycenaean fortifications, highways, dams and canals. Studies in Mediterranean Archaeology, vol. CXXXIII. : Paul Aströms Förlag, Sävedalen.

Iakovidis, S.1983. Late Helladic Citadels on Mainland Greece. Brill, Leiden.

Jansen, A. 1994, Stations along the roads in the area of Mycenea. University of Pensilvania.

Kenna, V. E. G. 1967. Die englischen Museen II. British Museum, London.

Lamont, M; Molnár, V. 2002. The Study of Boundaries Across the Social Sciences. Annual Review of Sociology, n° 28: 167-195. Disponível em: <https://scholar.harvard.edu/files/lamont/files/m.lamont-v.molnar-the_study_of_boundaries.pdf>. Acesso em: 27 fev. 2020.

Loader, N. 1996. A Possible East Sally-Port in the North-East Extension at Mycenae? A Brief Note. The Annual of the British School at Athens, vol. 91: 191–196. Disponível em: <https://www.jstor.org/stable/30102547?seq=1>. Acesso em: 27 fev. 2020.

Machado, L. 1998. Limites, fronteiras e redes. In: Srohaecker, T., et al. (orgs.). Fronteiras e Espaço Global. AGB, Porto Alegre.

Machado, L. 2006. Cidades na Fronteira Internacional: conceitos e tipologia. In: II Conferência internacional de desenvolvimento urbano em cidades de fronteira. Instituto de Arquitetos do Brasil, Foz do Iguaçu: 58-69.

Pausânias. 1918. Description of Greece, Translated by W.H.S. Jones and H.A. Ormerod. William Heinemann Ltd., London.

Rapoport, A. 1969. House form and Culture. Prentice-hall Inc.

Robertson, A. 1997. Arquitetura grega e romana. Martins Fontes, São Paulo.

Thomas, N. 2004. The Early Mycenaean Lion up to Date. Hesperia Supplements, vol. 33: 161–206. Disponível em: <https://www.jstor.org/stable/pdf/1354068.pdf?seq=1>. Acesso em: 27 fev. 2020.

Trigger, B. 1990. Monumental Architecture: A Thermodynamic Explanation of Symbolic Behaviour. World Archaeology, vol. 22, n°2: 119-132. Disponível em: <https://www.jstor.org/stable/124871?seq=1>. Acesso em: 27 fev. 2020.

Downloads

Publicado

2020-12-21

Como Citar

Peixoto, G. J. P. (2020). Fronteiras, portas e muralhas na cidadela de Micenas. Revista Do Museu De Arqueologia E Etnologia, (35), 135-151. https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2020.167055