Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia https://www.revistas.usp.br/revmae <p>A <strong>Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia</strong> surgiu em 1991, substituindo três títulos extintos em decorrência da fusão das instituições ligadas à pesquisa nas áreas de Arqueologia e Etnologia: <strong>Revista Dédalo</strong>, <strong>Revista de Pré-História</strong> e <strong>Revista do Museu Paulista</strong>. É um periódico acadêmico destinado à publicação de trabalhos sobre Arqueologia, Etnologia e Museologia. Em 2016 a revista torna-se eletrônica, semestral e todos os números impressos foram digitalizados e disponibilizados em acesso aberto pelo <strong>Portal de Revistas USP</strong>.</p> pt-BR <p>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:</p> <ol type="a"> <li>Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/br/">Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial</a> (<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/br/"><span class="s2" data-mce-bootstrap="1">CC BY-NC</span></a>) que permite o compartilhamento do trabalho sem fins lucrativos, com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.<br /><br /></li> <li>Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.<br /><br /></li> <li>Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (veja <a href="http://opcit.eprints.org/oacitation-biblio.html" target="_new">O Efeito do Acesso Livre</a>).</li> </ol> revistamaeusp@gmail.com (Maria Cristina Kormikiari) rosademiranda@usp.br (Hélio Rosa de Miranda) Qui, 14 Jul 2022 13:12:10 -0300 OJS 3.2.1.1 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 A Esposa Divina de Amon em Assassin's Creed Origins - A Maldição dos Faraós: ressignificados e implicações https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/169880 <p>O jogo Assassin’s Creed: Origins pode ser considerado um dos grandes sucessos da Ubisoft. O lançamento de sua expansão em 2018 chamada “A Maldição dos Faraós” contribuiu ainda mais para a popularização do game, trazendo aos jogadores mais informações e reconstituições de cenários e personagens históricos do Egito Antigo. Por meio de uma análise mais voltada ao campo da História e não se atendo apenas ao delineamento de anacronismos e imprecisões históricas, este artigo tem como objetivo analisar as esposas divinas de Amon presentes em “A Maldição dos Faraós” para compreender os ressignificados sobre o ofício dessas sacerdotisas e suas implicações para o público em geral (particularmente o de jogadores).</p> André Shinity Kawaminami Copyright (c) 2022 André Shinity Kawaminami https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/169880 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 As estradas e caminhos pré-colombianos dos sítios do tipo geoglifos no estado do Acre: o complexo viário do sítio Tequinho https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/194017 <p>Este trabalho priorizou estudar as estradas e caminhos que estão interligados aos sítios do tipo geoglifos na Amazônia Ocidental brasileira, não só pelo fato de seu ineditismo, mas também na tentativa de entender algumas questões que permeiam o universo dos geoglifos, como por exemplo, como se dava a distribuição espacial dessas vias na região, que significado essas tinham dentro do contexto sociocultural dessa sociedade. Para uma análise mais detalhada, foi utilizado o sítio Tequinho como objeto principal para a pesquisa, sendo suas características e localização o que mais contribuiu para a sua escolha, haja vista que esse se encontra no centro da região de ocorrência dos geoglifos, e várias estradas e caminhos estão ligadas ao sítio, e são perceptíveis na paisagem. O sítio Tequinho é entendido como um centro público de eventos culturais e religiosos, e suas estradas e caminhos são vistas como adereços centrais em cerimônias ritualísticas, bem como marcadoras e delimitadoras na paisagem. Neste trabalho também é abordado a importância do rio Iquiri, que de certo, fez parte do contexto de uma malha terrestre-fluvial na região dos geoglifos, no leste do Estado do Acre, Brasil. No decorrer deste trabalho foram utilizadas fontes etno-históricas como referencial teórico, bem como a perspectiva da arqueologia da paisagem.</p> Rubens Barros de Souza Copyright (c) 2022 Rubens Barros de Souza https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/194017 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 Estudos isotópicos para definir os períodos de ocupação do sítio Arapuan: a datação e a paleodieta https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/166377 <p>O objetivo deste estudo é ampliar as discussões sobre a ocupação do Sambaqui Arapuan, localizado no litoral do estado do Rio de Janeiro, a partir de dados pontuais obtidos pela análise de isótopos estáveis e radiocarbono de dois indivíduos recuperados no sítio. Existem poucos dados a respeito da estratigrafia dos remanescentes humanos recuperados neste sítio e poucas datações, limitando o entendimento do processo de utilização do espaço sincrônica e diacronicamente. Uma revisitação dos elementos e dados coletados possibilitou a identificação de dois indivíduos, localizados no topo e na base do sítio, os quais foram submetidos à datação e análise isotópica (carbono e nitrogênio). Os resultados sugerem que o local teria sido usado como espaço funerário durante a ocupação dos construtores de sambaqui e no início do período colonial. Os dados isotópicos do indivíduo pré-colonial são compatíveis com uma subsistência marinha. Já o indivíduo atribuído ao período colonial apresenta um perfil sugestivo de que a caça de animais e o consumo de vegetais teriam sido mais relevantes para ele. Tais dados, ainda que pontuais, levantam questionamentos e demandam novas investigações, quer sobre a temporalidade de uso dos espaços funerários, quer sobre as discussões relativas ao colapso das sociedades construtoras de sambaquis e suas relações com seus sucessores.</p> Luiz Octavio de C. Cunha, Adilson Dias Salles, Murilo Q. R. Bastos, Claudia Rodrigues-Carvalho Copyright (c) 2022 Adilson Dias Salles, Luiz Octavio de C. Cunha, Murilo Q. R. Bastos, Claudia Rodrigues-Carvalho https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/166377 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 Creación y recreación de imágenes en la capilla de Neferhotep https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/171792 <p>La tumba de Neferhotep (TT49) se encuentra ubicada en la necrópolis tebana de los nobles en el-Khokha Su datación corresponde al reinado de Ay (fines de la dinastía XVIII) y su propietario fue un funcionario de Amón en el templo de Karnak. El monumento es un exponente de las tumbas de época post-Amarna, y su estructura, iconografía e inscripciones jeroglíficas aportan elementos para reconstruir los cambios operados en el marco de la restauración que puso fin a la reforma política y religiosa de Amarna. En este trabajo se presentan interpretaciones a partir de la reciente limpieza de las pinturas murales que permite una mejor visibilidad de las escenas que decoran los cuatro pilares ubicados en la capilla funeraria del monumento. En el análisis se consideran distintos niveles de relaciones topográficas, como disposición y orientación de las caras de los pilares que dan soporte a las escenas y de sus componentes, temática iconográfica de cada pilar y diálogo entre los registros que los componen. Para ello se tendrán en cuenta: prácticas rituales funerarias y de presentación de ofrendas divinas por parte del propietario de la tumba en relación a la celebración de la Bella Fiesta del Valle, considerando que estas actividades se realizaban dentro del microespacio que representaba la tumba y que formaron parte de su programa decorativo con el fin de proporcionar al difunto los elementos requeridos para su eterna renovación.</p> Gabriela Alejandra Lovecky, María Laura Iamarino, Elisa Soledad Neira Cordero, Valeria Cristina Ojeda Copyright (c) 2022 Gabriela Alejandra Lovecky, María Laura Iamarino, Elisa Soledad Neira Cordero, Valeria Cristina Ojeda https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/171792 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 Los paisajes funerarios de Amarna, Tebas y Menfis en el contexto de la reforma de Amarna https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/171798 <p>Las modificaciones desarrolladas en el Egipto antiguo antes, durante y después de Akhenatón están relacionadas con la reforma religiosa y su ejecución, corolario de un proceso cuyo objetivo era la centralización del poder político. Durante los gobiernos de Amenhotep III y Amenhotep IV (Akhenatón) este proceso derivó en el traslado de la capital a Amarna. La restauración iniciada por Tutankhamón debe considerarse como una reorganización ante los cambios efectuados previamente. Se propone, aquí, analizar el uso de espacios, en este caso en particular haciendo foco en los funerarios, previendo que las necrópolis de Amarna, Tebas y Menfis evidencian diferencias, además de, marcadas continuidades con respecto de los períodos previos.</p> Maria Laura Iamarino Copyright (c) 2022 Maria Laura Iamarino https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/171798 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 El circuito osiriano en TT49: iconografía, epigrafía y simbolismo en una tumba de transición https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/189215 <p>La figura y el mundo osirianos, neutralizados por Akhenaton, tienen como contrapartida una reacción plasmada en la reacción integral postamarniana. Esta respuesta involucra tanto el repertorio iconográfico expreso en las representaciones de las tumbas y en el registro epigráfico. De este modo, y allende la figura osiriana estrictamente, la concepción del Más Allá recobra un lugar antes anulado durante el interregno amarniano. La tumba de Neferhotep (TT49), datada en el reinado del faraón Ay (c.a.1323-1320), es por ello una tumba de transición que ofrece características estilísticas extraordinarias. Lo que aquí se propone es un análisis pormenorizado de la presencia del dios Osiris en las representaciones bidimensionales, así como en el registro epigráfico en el contexto de la tumba. Luego, enfatizando en la capilla en particular será presentada una interpretación del simbolismo que vincula al pilar sudoeste con la pared sur del nicho de las estatuas y la estela de la pared oeste, lado sur.</p> Mariano Bonanno Copyright (c) 2022 Mariano Bonanno https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/189215 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 Métodos históricos e arqueológicos para o estabelecimento da cronologia geral do Antigo Egito faraônico https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/171788 <p>A cronologia geral do Antigo Egito faraônico é a espinha dorsal da Egiptologia. Este artigo apresenta os métodos históricos e arqueológicos empregados na sua construção. O Antigo Egito faraônico começa com a unificação do Alto e Baixo Egito por Narmer (ou Menes), há cerca de 5 mil anos AP e assim permanece até a conquista romana em 30 aEC. A composição da cronologia geral depende de fontes de épocas distintas para ao final ser unificada. Pela longa duração, cada época tem suas idiossincrasias. As fontes, de natureza escrita ou material, trazem problemas particulares, o que demanda a aplicação de métodos específicos. O artigo apresenta as seguintes fontes: Listas Reais (epigráficas e em papiros), arqueoastronômicas (registro de eventos e alinhamentos de templos), cartas diplomáticas, seriação de objetos, evolução das técnicas de construções e no uso de materiais, testes de termoluminescência, radiocarbono, dendrocronologia DNA e análise de camadas estratigráficas com cinzas vulcânicas, bem como sincronização à cronologia de outras civilizações. Depois, apresenta as cronologias gerais de Breasted (1905), Shaw (2000), Hornung et al. (2006) e Wilkinson (2010). Analisa os resultados das pesquisas por radiocarbono realizadas por Ramsey et al. (2010), que sugerem que a cronologia terá que ser empurrada algumas décadas para trás. Verifica críticas como as que Bruin (2010) e Bietak (2013) levantaram sobre tais resultados. Conclui que o debate está longe de ser fechado, entretanto, tem-se disponíveis possibilidades para o refino do detalhamento cronológico de cada época, com a aplicação dos métodos adequados. Por fim, as cronologias gerais agora disponíveis são mais confiáveis do que as que outrora foram utilizadas, mas mesmo elas precisarão ser revistas.</p> Thomas Henrique de Toledo Stella Copyright (c) 2022 Thomas Henrique de Toledo Stella https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/171788 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 Sobre os efeitos de um exílio: Jean-François Champollion e o estudo da língua egípcia em Figeac https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/171772 <p>O presente artigo discute as condições de produção dos estudos filológicos sobre a antiga escrita hieroglífica egípcia desenvolvidos por Jean-François Champollion (1790-1832) durante o período em que foi perseguido politicamente e exilado na sua cidade natal, Figeac, logo após a restauração monárquica de 1815 na França. Para tanto, mobiliza-se a documentação epistolar que permite mapear sua produção científica de forma complementar às suas publicações. O principal cerne do trabalho aqui é analisar como, apesar das adversidades político-sociais sofridas por Champollion do ponto de vista científico, esse período foi essencial para o avanço de suas hipóteses teóricas. Em suma, o artigo busca expandir a compreensão sobre as complexidades que envolvem as inovações científicas, dissolvendo uma imagem já consolidada de que a decifração teria sido uma descoberta despropositada e não o resultado de um longo processo de estudo e de construção do conhecimento.</p> Jessica Cabral Copyright (c) 2022 Jessica Cabral https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/171772 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 Presentes entre irmãos – uma abordagem antropológica (Período de Amarna, Século XIV a.C.) https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/171751 <p>No Período de Amarna (século XIV a.C.), o Egito manteve íntimas relações diplomáticas com seus vizinhos do Oriente Médio (Mitani, Babilônia, Assíria e Hati). Esses contatos são conhecidos por nós através das Cartas de Amarna (EA) descobertas no sítio de Telel Amarna (antiga Aquetatom), no Egito. Protocolarmente, as cortes enviavam emissários às cortes vizinhas carregando consigo mensagens, escritas em tabletes de argila, e presentes. Os presentes eram sempre esperados pela corte destinatária e sua ausência, caso ocorresse, poderia gerar reclamações. O sistema, imperativamente, demandava a submissão de presentes, mas não são poucos os casos nos quais um dos parceiros falhavam com o compromisso de envio. O presente artigo discute o que estas falhas podem revelar acerca das relações desses reis e como elas elucidam as características desse sistema diplomático.</p> Renato de Carvalho Ferreira Copyright (c) 2022 Renato de Carvalho Ferreira https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/171751 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 Os estudos egiptológicos de Charles S. Peirce https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/171344 <p>O artigo realiza um levantamento e apresenta uma análise crítica dos estudos de Peirce em egiptologia de 1885 a 1904, como documentados principalmente nos MSS 1227, 1228, 1244 e 1294. São examinados os estudos de Peirce e seus avanços em língua e escrita do Egito Faraônico, bem como suas análises das realizações científicas dos antigos egípcios. Entre os tópicos linguísticos em foco estão os pressupostos de Peirce a respeito da iconicidade da escrita hieroglífica, suas conjecturas sobre a origem das palavras indexicais a partir dos substantivos e suas hipóteses relativas à proximidade do egípcio antigo à protolíngua humana. O artigo delineia algumas das hipóteses de Peirce relacionando a estrutura do egípcio aos seus pressupostos fundamentais acerca da iconicidade e indexicalidade na língua. Ao que tudo indica, Peirce não só estava muito familiarizado com o estado da arte da egiptologia contemporânea, como também alcançou uma notável competência na língua egípcia e na sua escrita hieroglífica. Enquanto alguns dos insights de Peirce a respeito da língua e da civilização dos egípcios antigos são ainda sustentáveis hoje, outros refletem certos equívocos da erudição de seu tempo, que exigem correção à luz do estado da arte na egiptologia atual.</p> Frank Kammerzell, Aleksandra Lapčić, Winfried Nöth; Victor Sancassani Copyright (c) 2022 Frank Kammerzell, Aleksandra Lapčić, Winfried Nöth; Victor Sancassani https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/171344 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 A bacia do Mediterrâneo e a cidade antiga: unidade e diversidade https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/191059 <p>Este artigo explora os alcances e os limites de dois conceitos fundamentais atualmente para o estudo do mundo antigo: Mediterrâneo e cidade antiga. Ambos se apresentam como alternativas às antigas grandes narrativas centradas na História da Grécia e de Roma, como novas unidades de estudo. O artigo explora seus alcances e limites conceituais, tendo em vista a dupla lente da unidade e da diversidade no estudo das sociedades humanas.</p> Norberto Luiz Guarinello Copyright (c) 2022 Norberto Luiz Guarinello https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/191059 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 A Calábria grega: expansão territorial da pólis de Lócris. Apontamentos preliminares https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/186665 <p>O Ocidente mediterrânico, a partir do século VIII a.C., passou a receber levas de migrantes gregos dispostos a ali se instalarem permanentemente. Levados pela falta de terras agriculturáveis, por problemas políticos em seus locais de origem ou, ainda, pela busca de um modo de vida ligado à atividade comercial, esses grupos, por força, tiveram que estabelecer relações com os habitantes das localidades do Ocidente. Fundando assentamentos de vários tipos – uns mais permanentes, outros mais temporários –, os gregos tornaram-se parceiros de sicânios, sículos, samnitas, fenícios, enótrios e assim por diante em relações muitas vezes de agressão, mas em outras de convívio pacífico, de acomodação, de negociação. Nesse contexto, uma leva de migrantes da Lócrida da Grécia Balcânica chegou ao extremo sul da Península Itálica, pelo lado do mar Jônio, e fundaram uma nova Lócris no século VII a.C.: Lócris Epizefiri. Ao depararem-se com uma faixa costeira muito estreita, esses lócrios logo se aventuraram pelas montanhas do Aspromonte em direção ao mar Tirreno: ali encontraram uma planície muito fértil, onde fundaram dois novos assentamentos: Medma e Hipónio. Neste artigo, procuraremos mostrar o que a Arqueologia revela sobre como essas novas pólis na planície tirrênica de Gioia Tauro se constituíram, ampliando a área de influência de Lócris.</p> Maria Beatriz Borba Florenzano Copyright (c) 2022 Maria Beatriz Borba Florenzano https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/186665 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 Os campos de integração em Delos no período helenístico (167-69 a.C.): apontamentos para uma História Antiga Global https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/188339 <p>Este artigo discute, do ponto de vista teórico e historiográfico, o problema da relação entre as cidades e os processos de integração no período helenístico na chave da História Antiga Global. Para isso, está dividido em cinco partes: uma breve apresentação do problema a partir do caso de Delos no período helenístico; o balanço crítico da historiografia sobre as cidades helenísticas nas últimas décadas; a análise de duas propostas de modelos interpretativos (de Vlassopoulos e Guarinello) para a história das globalizações/processos de integração na antiguidade; a proposição de um modelo centrado na categoria de campo; um exercício de aplicação do modelo proposto ao caso de Delos durante a Segunda Dominação Ateniense (167-69 a.C.). O texto argumento pela utilidade da categoria de campo, inspirada nas reflexões de Bourdieu e associada às propostas acima mencionadas, para a reflexão sobre a complexidade dos processos de integração sem perder de vista as sociedades enquanto totalidades.</p> Fabio Augusto Morales Copyright (c) 2022 Fabio Augusto Morales https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/188339 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 Um espaço em foco: debate acerca dos estudos sobre a urbanização da Turdetânia https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/186987 <p>Este artigo tem como objetivo apresentar o panorama da urbanização do sudoeste da Península Ibérica ao final do primeiro milênio a.C. Para isso, o texto partirá da leitura de um trecho da obra Geografia, de Estrabão, autor do século I a.C. Sua descrição da Turdetânia apresenta dois aspectos que suscitam importantes debates, dois dos quais serão apresentados neste artigo. O primeiro diz respeito à definição da Turdetânia como χώρα e sua tradução como “espaço”; o segundo, por sua vez, se refere à ideia de a Turdetânia conter um “incomparável número de cidades” e essa ser uma das suas principais qualidades. Nesse sentido, o artigo pretende voltar-se para a historiografia que estuda esse espaço e analisá-la sob esses prismas, tendo o processo de urbanização como fio condutor.</p> Bruno dos Santos Silva Copyright (c) 2022 Bruno dos Santos Silva https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/186987 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 Pólis e insularidade https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/187317 <p>Neste colóquio sobre a unidade e a diversidade das cidades mediterrânicas, discorremos sobre a expressão do fenômeno da cidade nas ilhas dessa região, mas, especificamente, sobre o contexto grego das póleis, a partir da época arcaica, no arquipélago das Cíclades, no Mar Egeu. Escolhemos as Cíclades porque se trata de um conjunto de ilhas com no máximo 400 km<sup>2</sup>, sendo, assim, consideradas ilhas menores, se comparadas às ilhas mediterrânicas com milhares de quilômetros quadrados (como a Sicília, a Sardenha, Creta). Nas ditas ilhas “pequenas”, os impactos da insularidade, que nos interessam compreender, são sempre maiores do que nas consideradas ilhas “continente”, como a Sicília, por exemplo. Nesse sentido, propomos apresentar o debate e discutir, ainda que inicialmente, as seguintes questões: (1) como aspectos impostos pela natureza insular puderam influenciar a organização física e política das póleis em ilhas? (2) Quais fatores podem explicar a existência do número de póleis nas ilhas?</p> Lilian de Angelo Laky Copyright (c) 2022 Lilian de Angelo Laky https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/187317 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300 A relação de Esparta, Élis e das pólis tessálias com seus periecos e o problema da “pólis Lacedemônia” https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/186673 <p>Pode-se dizer que, desde ao menos a segunda metade do século XIX, a pólis foi a unidade básica de análise da história da Grécia antiga. Entretanto, em muitos casos é evidente que a tentativa de adequar as pólis gregas a cidades-Estado prototípicas do Estado moderno produziu ressonâncias longevas, que até hoje condicionam nossa compreensão das relações sociopolíticas entre vários grupos que compunham as pólis. Portanto, o objetivo desse artigo é demonstrar como as raízes dessa historiografia baseada na pólis condicionaram uma compreensão errônea da relação entre Esparta e as comunidades periecas da Lacônia e Messênia durante o Período Clássico. Isso será feito por meio da comparação dessa relação com aquela mantida por outras pólis com seus respectivos periecos – mais especificamente Élis e as pólis tessálias. Veremos que, ao invés de um Estado unificado e com funcionamentos análogos aos de sua versão moderna, a soma de Esparta e seus vizinhos compunha uma comunidade politicamente muito menos hierárquica e rígida do que se tende a pensar. Isso, por sua vez, nos permite aproximar Esparta de fenômenos análogos contemporâneos a ela, os mesmos que, apesar das respectivas especificidades, ainda apontam para a inexistência de uma pólis-Estado que englobasse cidadãos de uma cidade central e seus periecos.</p> Gabriel Cabral Bernardo Copyright (c) 2022 Gabriel Cabral Bernardo https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/186673 Qui, 14 Jul 2022 00:00:00 -0300