Mobilidade humana e saúde global

Autores

  • Deisy Ventura Universidade de São Paulo. Faculdade de Saúde Pública. Instituto de Relações Internacionais

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-9036.v0i107p55-64

Palavras-chave:

saúde global, mobilidade humana, migrações internacionais, refúgio, Regulamento Sanitário Internacional

Resumo

O artigo propõe uma reflexão crítica sobre o crescimento da interface entre mobilidade humana e saúde global. Sustenta que a globalização econômica não propiciou a plena liberdade de circulação internacional das pessoas. Demonstra que a ampla maioria dos deslocados forçados dirige-se aos países em vias de desenvolvimento, que também têm acolhido cerca da metade do contingente de migrantes internacionais. Aponta que a resposta europeia ao aumento do fluxo de migrantes e refugiados ocorrido nos últimos anos e a recente epidemia de ebola na África Ocidental causaram o incremento da securitização da temática da mobilidade humana. Por fim, o artigo propõe a retomada da centralidade do Regulamento Sanitário Internacional como a melhor forma de garantir o direito de migrar durante as crises sanitárias de alcance global. 

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Biografia do Autor

  • Deisy Ventura, Universidade de São Paulo. Faculdade de Saúde Pública. Instituto de Relações Internacionais

    é professora associada do Instituto de Relações Internacionais e da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

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Publicado

2015-12-17

Edição

Seção

Dossiê "Saúde Urbana"

Como Citar

VENTURA, Deisy. Mobilidade humana e saúde global. Revista USP, São Paulo, Brasil, n. 107, p. 55–64, 2015. DOI: 10.11606/issn.2316-9036.v0i107p55-64. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/115113.. Acesso em: 17 abr. 2024.