Uremia em cães

Autores

  • Max Ferreira Migliano Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Departamento de Patologia e Clínica Médicas, São Paulo, SP

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2318-5066.v5i1p157-172

Palavras-chave:

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Resumo

O A. descreve o síndroma urêmico em cães. Apresenta discussão referente à etiopatogenia do processo, interessando-se mais pela uremia renal, que foi a causa do síndroma nos casos por êle observados. Sugere uma classificação para os casos de uremia, baseada na observação de outros autores e nos casos que mais comumente se apresentam na clínica canina. Quanto ao elemento responsável pelo síndroma urêmico, discute a observação dos diferentes autores sôbre o papel da uréia, do azoto residual e dos produtos da putrefação intestinal. Do ponto de vista humoral, lembra as perturbações da paratireóide; do ponto de vista físico-químico, as perturbações do equilíbrio ácido-básico. No referente aos sintomas, os mais evidentes, nos 12 casos observados, foram: vômitos incoersíveis; polidipsia, em virtude da desidratação; abatimento, causado pelos produtos tóxicos retidos; mucosas cianóticas ou ictéricas (casos de síndroma hépato-renal); em alguns casos, estomatite; sinais de desidratação, revelados pelo exame da pele. Ao exame dos aparelhos, refôrço da segunda bulha no foco aórtico, refôrço da pulsação da aorta abdominal, que se torna facilmente audível e palpável; presença de gastro-enterite, algumas vêzes hemorrágica, possivelmente existente pela irritação da amónia, resultante da decomposição da uréia por microorganismos. Um caso apresentou tipo respiratório de Kussmaul. O exame de sangue tem como sinal mais evidente a elevação da taxa de uréia, havendo, de acôrdo com os casos observados, relação entre aumento da taxa e gravidade dos sintomas: os dois casos que sobreviveram apresentavam taxa ligeiramente inferior a 1 g por litro: no caso em que a taxa foi mais elevada, 0.550 g por litro, a sintomatologia foi mais alarmante. Em dois casos, encontrou índice de côr elevado, outros com hemoconcentração, em virtude da desidratação e, finalmente, casos com anemia, devido ao processo renal. Em todos os animais em que foi feita a contagem de leucócitos, verificou leucocitose marcada. A urina apresentou sempre albuminúria acentuada, presença de cilindros granulosos e células epiteliais renais; às vêzes, cilindros hialinos e céreos, hemácias e corpúsculos de pús. Com frequência, presença de pigmentos biliares e aumento de eliminação da urobilina. Nos casos em que foi possível efetuar necroscopia, as lesões renais encontradas foram de nefrite intersticial em dois casos e de nefroesclerose em dois outros.

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Publicado

1953-12-14

Como Citar

Migliano, M. F. (1953). Uremia em cães. Revista Da Faculdade De Medicina Veterinária, Universidade De São Paulo, 5(1), 157-172. https://doi.org/10.11606/issn.2318-5066.v5i1p157-172

Edição

Seção

NÃO DEFINIDA