A Guerra Civil na França: Marx antiestatista?

Autores

  • Felipe Corrêa

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2237-1095.v3p211-227

Resumo

Resumo:

O artigo analisa A Guerra Civil na França, de Marx, com o objetivo de responder duas questões fundamentais: Essa obra possui elementos político-doutrinários capazes de subsidiar uma teoria da revolução e uma estratégia política? Em caso positivo, possuiriam esses elementos uma base antiestatista? As questões são motivadas pelas distintas interpretações dessa obra marxiana, as quais são apresentadas e brevemente discutidas. A pesquisa é teórica e trabalha com a hipótese de que, em A Guerra Civil na França, Marx desenvolveu uma teoria da revolução e uma estratégia política que sustentaram não somente uma crítica radical e libertária aos aspectos dominadores do Estado, mas também uma proposta autogestionária de que ele fosse suprimido por meio de um processo revolucionário da classe trabalhadora. Por meio de uma análise da produção marxiana, em especial de A Guerra Civil na França, que constitui o foco central, busca-se verificar em que medida essa hipótese é correta. Além disso, utilizam-se escritos de Marx anteriores e posteriores a esse, assim como textos de interpretes e comentadores, visando subsidiar os resultados em questão. A hipótese é refutada. Conclui-se não haver bases seguras para afirmar que A Guerra Civil na França possui elementos político-doutrinários capazes de subsidiar uma teoria da revolução e uma estratégia política. Afirma-se, ainda, não ser possível transformar, automaticamente, a análise de Marx acerca daquilo que foi o fenômeno da Comuna de Paris, naquilo que deveria ser uma teoria da revolução ou uma estratégia política recomendada para o movimento internacional dos trabalhadores. Posições ulteriores, em especial no contexto da cisão da Associação Internacional dos Trabalhadores em 1872, tendem a reforçar o argumento de que há certa continuidade entre as posições de Marx posteriores à Comuna e àquelas desenvolvidas no contexto de 1848, que sustentam um projeto estatista de transformação social.

 

Palavras chave: Karl Marx. A Guerra Civil na França. Teoria da revolução. Estratégia política. Antiestatismo.

 

 

 

Resumen:

El artículo analiza La Guerra Civil en Francia, de Marx, con el objetivo de responder a dos preguntas fundamentales: ¿ Esta obra tiene elementos políticos y doctrinales capaces de sostener una teoría de la revolución y de una estrategia política? Si es así, estos elementos poseen una base antiestatista? Las preguntas están motivadas por las diferentes interpretaciones de esta obra de Marx, que se presentan y discuten brevemente. La investigación es teórica y se desarrolla con la hipótesis de que, en La Guerra Civil en Francia, Marx desarrolló una teoría de la revolución y una estrategia política que apoyaron no sólo en una crítica radical y libertaria de los aspectos dominadores del Estado, sino también en una propuesta autogestionaria de que él fuera suprimido por medio de un proceso revolucionario de la clase obrera. A través de un análisis de la producción de Marx, en especial de La Guerra Civil en Francia, que es el foco central, se busca determinar en qué medida esta hipótesis es correcta. Además, son utilizados escritos de Marx anteriores y posteriores a este, así como los textos de intérpretes y comentadores, con el fin de apoyar a los resultados en cuestión. La hipótesis es refutada. Se concluye que no existe una base sólida para afirmar que La Guerra Civil en Francia cuenta con elementos políticos y doctrinales capaces de sostener una teoría de la revolución y una estrategia política. Afirmase que no se puede transformar automáticamente el análisis de Marx acerca de lo que fue el fenómeno de la Comuna de París, en lo que debería ser una teoría de la revolución o de una estrategia de política a ser recomendada al movimiento obrero internacional. Posiciones posteriores, sobre todo en el contexto de la disolución de la Asociación Internacional de los Trabajadores en 1872, tienden a reforzar el argumento de que hay una cierta continuidad entre las posiciones de Marx después de la Comuna y las desarrolladas en el contexto de 1848, que sostienen un proyecto estatista de transformación social.

 

Palabras clave: Karl Marx. La Guerra Civil en Francia. Teoría de la revolución. Estrategia política. Antiestatismo.

 

 

 

Abstract:

The paper analyzes Marx’s The Civil War in France, aiming to answer two fundamental questions: Does this work has political and doctrinal elements capable of sustaining a theory of revolution and a political strategy? If so, do these elements possess an anti-statist basis? The questions are motivated by the different interpretations of this Marxian work, which are briefly presented and discussed. The research is theoretical and develops the hypothesis that, in The Civil War in France, Marx developed a theory of revolution and a political strategy that contained not only a radical and libertarian critique of the dominant aspects of the state, but also a self-management proposal that it was suppressed by means of a working class revolution. Through an analysis of Marx’s production, particularly of The Civil War in France, which is the central focus, we seek to ascertain in which extent this hypothesis is correct. Furthermore, we use Marx’s writings before and after this, as well as texts of interpreters and commentators, in order to support the results in question. The hypothesis is refuted. We conclude that there is no sound basis for claiming that The Civil War in France has political and doctrinal elements capable of supporting a theory of revolution and a political strategy. We also affirm that it is not possible to transform, automatically, Marx’s analysis about what was the phenomenon of the Paris Commune, in what should be a theory of revolution or a suggested political strategy for the international labor movement. Subsequent positions, particularly in the context of the breakup of the International Workingmen's Association in 1872, tend to reinforce the argument that there is some continuity between the positions of Marx after the Commune and those developed in the context of 1848, supporting a statist project of social transformation.

 

Key words: Karl Marx. The Civil War in France. Theory of revolution. Political strategy. Antistatism.

 

 

Resumé:

L’article analyse La Guerre Civile en France, de Marx, dans le but de répondre à deux questions fondamentales : Cette ouvre comporte des éléments politiques et doctrinales capables de soutenir une théorie de la révolution et une stratégie politique? Si c’est le cas, ces éléments possèdent une base antiétatiste​​? Les questions sont motivées par des différentes interprétations de cette ouvre marxienne, qui sont présentés et discutés brièvement. La recherche est théorique et étudie l’hypothèse que, dans La Guerre Civile en France, Marx a développé une théorie de la révolution et une stratégie politique qui s’appuie non seulement sur une critique radicale et libertaire des aspects dominants de l’Etat, mais aussi une proposition autogestionaire q’il a supprimée par une révolution de la classe ouvrière. Grâce à une analyse de la production de Marx, en particulier de La Guerre Civile en France, qui est le point central, nous cherchons à déterminer dans quelle mesure cette hypothèse est correcte. De plus, nous utilisons les écrits de Marx avant et après de cette, ainsi que des textes d’interprètes et commentateurs, afin de soutenir les résultats en question. L’hypothèse est réfutée. Il s’ensuit qu’il n’y a aucune raison valable pour demander que La Guerre Civile en France a des éléments politiques et doctrinales capables de soutenir une théorie de la révolution et une stratégie politique. Unis ne peuvent pas automatiquement transformées l’analyse de Marx sur ce qui était le phénomène de la Commune de Paris, dans ce qui devrait être une théorie de la révolution ou une stratégie politique suggérée pour le mouvement ouvrier international. Les positions suivantes, notamment dans le cadre de la dissolution de l’Association Internationale des Travailleurs en 1872, tendent à renforcer l’argument selon lequel il ya une certaine continuité entre les positions de Marx après la Commune et ceux développés dans le contexte de 1848, qui soutiennent un projet étatiste de transformation social.

 

Mots clés : Karl Marx. La Guerre Civile en France. Théorie de la révolution. Stratégie politique. Antiétatisme.

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Biografia do Autor

Felipe Corrêa

Editor pós-graduado pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo e mestre pela Universidade de São Paulo (EACH), no programa de Mudança Social e Participação Política. Membro do Grupo de Pesquisa em Psicologia Política, Políticas Púbicas e Multiculturalismo (GEPSIPOLIM) e do Instituto de Teoria e História Anarquista (ITHA).

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Publicado

2013-12-26

Como Citar

Corrêa, F. (2013). A Guerra Civil na França: Marx antiestatista?. Revista Gestão & Políticas Públicas, 3(2), 211-227. https://doi.org/10.11606/issn.2237-1095.v3p211-227

Edição

Seção

Artigos