Educação básica e o acesso de transexuais e travestis à educação superior

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-901X.v1i77p70-87

Palavras-chave:

Educação básica, educação superior, transexualidade, travestilidade

Resumo

O presente artigo tem por objetivo discutir sobre como os debates de gênero e sexualidade durante a educação básica podem interferir no acesso de transexuais e travestis à educação superior, com base nos dados obtidos por meio de pesquisas realizadas por iniciativas de projetos, produções acadêmicas, organizações não governamentais (ONGs), redes de apoio ou de associações, como também por notícias em mídias sociais, além das ações governamentais que têm o intuito de promover equidade e respeito às identidades de gênero na escola. De acordo com o estudo proposto, embora as questões de gênero e sexualidade tenham obtido relevância em políticas e legislações que se vinculam tanto ao campo da educação como a outros campos, estudantes transexuais e travestis ainda têm dificuldade para concluir o período de escolaridade obrigatória. Por conseguinte, propor reflexões e trabalhar conceitos nas escolas de educação básica não é o suficiente, é preciso investir na formação inicial e continuada de todo o corpo docente.  

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Biografia do Autor

Tatiane Lima, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Tatiane Lima é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

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Publicado

2020-12-03

Como Citar

Lima, T. . (2020). Educação básica e o acesso de transexuais e travestis à educação superior. Revista Do Instituto De Estudos Brasileiros, 1(77), 70-87. https://doi.org/10.11606/issn.2316-901X.v1i77p70-87

Edição

Seção

Artigos