O texto e o pacto: estratégias discursivas em Casa-grande & senzala para pactuar a democracia racial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-901X.v1i77p108-125

Palavras-chave:

Gilberto Freyre, história intelectual, democracia racial

Resumo

Baseado na complexa e multidimensional definição de democracia racial estabelecida por Antonio Sérgio Alfredo Guimarães (mito, ideal e pacto), examinamos como Casa-grande & senzala participa da construção do pacto racial-democrático ensaiado no final dos anos 1930 no Brasil. Para isso analisamos como Gilberto Freyre estabelece discurso performativo sobre a democracia racial, em que supostamente se constatariam as interações não racistas dos brasileiros, ao mesmo tempo que também articula um discurso da democracia racial como pedagogia, em que ele desmente os estigmas raciais relacionados à presença do negro no Brasil, e busca celebrar as contribuições materiais e imateriais dos negros à cultura brasileira. Pretendemos mostrar como as ações linguísticas geradas no texto formam um campo de força discursivo essencial para a elaboração da democracia racial como pacto.  

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Alfredo Cesar Melo, Universidade Estadual de Campinas

Alfredo Cesar Melo é professor do Departamento de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL/Unicamp) e coordenador do Kaliban – Centro de Pesquisa em Estudos Pós-Coloniais e Literatura Mundial do IEL/Unicamp.

Referências

ANDRADE, Mário. Lição do amigo: cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1982.

ANDRADE, Mário. Poesias completas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.

ARANTES, Paulo Eduardo; ARANTES, Otília Beatriz Fiori. Sentido da formação: três estudos sobre Antonio Candido, Gilda de Mello e Souza e Lúcio Costa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.

ARAÚJO, Ricardo Benzaquen de. Guerra e paz: Casa-grande & senzala e a obra de Gilberto Freyre nos anos 30. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.

¬CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. São Paulo: Editora Nacional, 1980.

CANDIDO, Antonio. Entrevista com Antonio Candido, por Heloisa Pontes. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 16, n. 46, 2001, p. 5-30.

CANDIDO, Antonio. A sociologia no Brasil. Tempo Social, v. 18, n. 1, 2006, p. 271-301.

CARVALHO, José Murilo. Retórica e história intelectual. Prismas, v. 1, n. 2, 1998, p. 149-168.

CHAKRABARTY, Dipesh. Museums in late democracies. Humanities Research, v. 9, n. 1, 2002, p. 5-12.

COSTA, Emília Viotti. O mito da democracia racial no Brasil. In: COSTA, Emília Viotti. Da monarquia à república: momentos decisivos. São Paulo: Unesp, 1998, p. 365-384.

DAMATTA, R. Notas sobre o racismo à brasileira. In: SOUZA, J. (org.). Multiculturalismo e racismo: uma comparação Brasil-Estados Unidos. Brasília: Paralelo, 1997, p. 22-35.

DIMAS, Antonio. Um manifesto guloso. Légua e meia: revista de literatura e diversidade cultural, v. 3, n. 2, 2004, p. 7-24.

FREYRE, Gilberto. Quase política. Rio de Janeiro: José Olympio, 1966.

FREYRE, Gilberto. Tempo de aprendiz: artigos publicados em jornais na adolescência e na primeira mocidade do autor (1918-1926). São Paulo, Ibrasa/MEC, 1978.

FREYRE, Gilberto. Manifesto regionalista. Recife: Massangana, 1996.

FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: formação da família patriarcal brasileira sob o regime de economia patriarcal. Paris: Coleção Archivos/Alca XX, 2002.

FRY, Peter. Feijoada e “soul food”: notas sobre a manipulação de símbolos étnicos e nacionais. In: FRY, Peter. Para inglês ver: identidade e política na cultura brasileira. Rio de Janeiro: Zahar, 1982, p. 47-53.

GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. Democracia racial: o ideal, o pacto e o mito. Novos Estudos Cebrap, n. 61, 2001, p. 147-162.

GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. Depois da democracia racial. Tempo Social, v. 18, n. 2, 2006, p. 267-289.

HANCHARD, M. Orpheus and power: the Movimento Negro of Rio de Janeiro and São Paulo, Brazil, 1945-1988. Princeton: Princeton University Press, 1994.

HOBSBAWM, Eric. Bandits, Londres: Weindelfed & Nicols, 1969.

LEITE, Dante Moreira. O caráter nacional brasileiro. São Paulo: Difel, 1976.

LIMA, Luiz Costa. A versão solar do patriarcalismo: Casa-grande & senzala. In: LIMA, Luiz Costa. A aguarrás do tempo. Rio de Janeiro: Rocco, 1989, p. 187-236.

LYNCH, Christian. Por que pensamento e não teoria? A imaginação político-social brasileira e o fantasma da condição periférica (1880-1970). Dados – Revista de Ciências Sociais, v. 56, n. 4, 2013, p. 727-767.

MARX, Anthony. Making race and nation: a comparison of South Africa, the United States and Brazil. Cambridge University Press, 1997.

MELO, Alfredo Cesar. Hibridismos (in)domáveis: possíveis contribuições de Gilberto Freyre a uma teoria pós-colonial lusófona. Luso-Brazilian Review 51.1, 2014, p. 68-92.

MERQUIOR, José Guilherme. As ideias e as formas. Rio de Janeiro: Nova Editora, 1981.

NICOLAZZI, Fernando. Um estilo de história – a viagem, a memória, o ensaio: sobre Casa-grande & senzala e a representação do passado. São Paulo: Ed. Unesp, 2015.

PALLARES-BURKE, Maria Lúcia. Gilberto Freyre: um vitoriano nos Trópicos. São Paulo: Ed. Unesp, 2005.

PIERSON, Donald. Brancos e pretos na Bahia (estudo de contacto racial). 1. edição 1942. São Paulo: Editora Nacional, 1971.

PONTES, Heloísa. Entrevista com Antonio Candido. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 16, n. 46, 2001, p. 5-30.

PRADO JR., Caio. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo: Editora Brasiliense, 2000.

RAMOS, Graciliano. Garranchos: textos inéditos de Graciliano Ramos. Org. Thiago Mio Salla. São Paulo: Record, 2012.

RISÉRIO, Antonio . A utopia brasileira e os movimentos negros. São Paulo: Editora 34, 2007.

ROQUETTE-PINTO, Edgard. Notas sobre os typos anthropologicos do Brasil. In: Actas e Trabalhos do Primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia, Rio de Janeiro, 1929, p. 119-147.

SKINNER, Quentin. Meaning and understanding in the history of ideas. In: SKINNER, Quentin. Visions of politics. Cambridge: Cambridge UP, 2002, p. 57-89.

SOUZA, Jessé. Democracia racial e multiculturalismo: a ambivalente singularidade cultural brasileira. Estudos afro-asiáicos, n. 38, 2000, p. 135-155.

TAVAROLO, Sergio. A tese da singularidade revisitada: desafios teóricos contemporâneos. Dados – Revista de Ciências Sociais, v. 57, n. 3, 2014, p. 633-673.

WAGLEY, Charles (org.). Race and class in rural Brazil. New York: Columbia University Press, 1952.

Downloads

Publicado

2020-12-03

Como Citar

Melo, A. C. (2020). O texto e o pacto: estratégias discursivas em Casa-grande & senzala para pactuar a democracia racial. Revista Do Instituto De Estudos Brasileiros, 1(77), 108-125. https://doi.org/10.11606/issn.2316-901X.v1i77p108-125

Edição

Seção

Artigos