O Brasil e os brasis no Antropoceno: bifurcações à vista

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-901X.v1i77p126-142

Palavras-chave:

Antropoceno, Brasil, brasis, diversidade socioambiental

Resumo

Reconhecer outras figurações a povos e mundo diante do Antropoceno parece ser tarefa incontornável. Se não soubermos nomeá-los devidamente, não saberemos divisar aliados e contrários no enfrentamento de um mundo crescentemente devastado. Novas práticas devem se acompanhar de novas concepções – ambas se instruindo mutuamente. Qual mundo corresponde ao Brasil? Quais mundos podem corresponder aos brasis? É preciso revisar o futuro para dar passagem a outras bifurcações históricas. Para novos povoamentos, novas imaginações – e vice-versa.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Stelio Marras, Universidade de São Paulo

Stelio Marras é professor de Antropologia do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP).

Referências

AMERICANOS. Compositor e intérprete: Caetano Veloso. In: Circuladô vivo. Polygram, 1992.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Rapto. In: ANDRADE, Carlos Drummond de. Claro enigma. Rio de Janeiro: José Olympio, 1955, p. 446.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Hino nacional. In: ANDRADE, Carlos Drummond de. Brejo das almas. Rio de Janeiro: Record, 1955, p. 99-100.

CALDEIRA, T. P. do Rio. Enclaves fortificados: a nova segregação urbana. Novos Estudos Cebrap, n. 47, 1997, p. 155-176.

CANDIDO, A. O significado de Raízes do Brasil. In: HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 9-21.

CHAKRABARTY, D.; LATOUR, B. Who needs a philosophy of history? A proposition followed by a response from Dipesh Chakrabarty. “Historical Thinking and the Human”, Journal of the Philosophy of History, v. 14, n. 3, 2020, eds. Marek Tamm and Zoltán Boldizsár Simon (no prelo).

DANTAS, M. D. Epílogo. Homens livres pobres e libertos e o aprendizado da política no Império. In: DANTAS, M. D. (org.). Revoltas, motins revoluções: homens livres pobres e libertos no Brasil do século XIX. São Paulo: Alameda Editorial, 2011, p. 31-36.

DANOWSKI, D.; VIVEIROS DE CASTRO, E. Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins. Florianópolis: Desterro, Cultura e Barbárie e Instituto Socioambiental, 2014.

DARDOT, P.; LAVAL, C. Commun: essai sur la révolution au XXIe siècle. Paris: La Découverte, 2014.

DE LA CADENA, M. Earth beings, ecologies of practice across Andean worlds. Durham: Duke University Press, 2015.

DELEUZE, G. O abecedário de Deleuze. Entrevistas. Claire Parnet. Canal franco-alemão de TV Arte, 1994-1995.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mille plateaux. Paris: Minuit, 1980.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O que é a filosofia?. Tradução Bento Prado Jr. e Alberto Alonso Muñoz. São Paulo: Ed. 34, 1992.

DIAS JR., C.; MARRAS, S. Fala Kopenawa! Sem floresta não tem história. [Entrevista]. Mana, Rio de Janeiro, v. 2, n. 1, p. 236-252, Apr. 2019. https://doi.org/10.1590/1678-49442019v25n1p236.

HARAWAY. D. Antropoceno, Capitaloceno, Plantationoceno, Chthuluceno: fazendo parentes. Tradução de Susana Dias, Mara Verônica e Ana Godoy. ClimaCom – Vulnerabilidade [Online], Campinas, ano 3, n. 5, 2016.

HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

KOPENAWA, D.; ALBERT, B. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

LATOUR, B. Nous n’avons jamais été modernes: essai d’anthropologie symétrique. Paris: La Découverte, 1991.

LATOUR, B. Politiques de la nature: comment faire entrer les sciences en démocratie. Paris La Découverte, 1999.

LATOUR, B. War of the worlds: what about peace?. Chicago: Prickly Paradigm Press, 2002.

LATOUR, B. Para distinguir amigos e inimigos no tempo do Antropoceno. Revista de Antropologia, v. 57, n. 1, p. 11-31, São Paulo, 2014.

LATOUR, B. Où atterrir? Comment s’orienter en politique. Paris: La Découverte, 2017.

LATOUR, B. Diante de Gaia: oito conferências sobre a natureza no Antropoceno. São Paulo: UBU Editora, 2020.

LEVANTADOS do chão. Composição de Chico Buarque de Holanda e Milton Nascimento. In: Terra [álbum compacto], Chico Buarque de Holanda. Para o livro Terra, de Sebastião Salgado. Marola Edições Musicais, 1997.

LOVELOCK, J.; EPTON, S. The Quest for Gaia. New Scientist, v. 65, n. 935, p. 304-307, London, 1975.

MARGULIS, L. Symbiotic planet: a new look at evolution. New York: Basic Books, 1998.

MARQUES, L. A pandemia incide no ano mais importante da história da humanidade. Serão as próximas zoonoses gestadas no Brasil?. Ciência, Saúde e Sociedade: Covid-19, 5 de maio de 2020. Disponível em: https://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2020/05/05/pandemia-incide-no-ano-mais-importante-da-historia-da-humanidade-serao-proximas. Acesso em: set. 2020.

MARRAS, S. Virada animal, virada humana: outro pacto. Scientiæ Studia, São Paulo, v. 12, n. 2, 2014, p. 215-260.

MARRAS, S. No meio da pedra, um caminho: impactos ambientais na ecologia antropológica. Revista Florestan, São Carlos (SP), UFSCar, ano 2, n. 4, dezembro de 2015, p. 25-34.

MARRAS, S. Co-respondências: imperativos da produção tecnocientífica contemporânea. In: DOMINGUES, I. (org.). Biotecnologias e regulações: desafios contemporâneos. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018, p. 239-259.

MARRAS, S. Drummond do mundo – uma resenha de Maquinação do mundo: Drummond e a mineração, de José Miguel Wisnik. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, n. 73, 4 set. 2019a, p. 268-274.

MARRAS, S. Troca e participação na era do fim: revisão de conceitos à força dos constrangimentos ecológicos-ambientais. In: DIAS, S. O.; WIEDEMANN, S.; AMORIM, A. C. R. de (orgs.). Conexões: Deleuze e cosmopolíticas e ecologias radicais e nova terra e.... Campinas: ALB/ ClimaCom, 2019b, p. 151-180.

MARRAS, S. O vozerio da pós-verdade e suas ameaças civilizacionais. In: AMOROSO, M. et al. (orgs.). Vozes vegetais: diversidade, resistências e histórias da floresta. São Paulo: Editora UBU, 2020a (no prelo).

MARRAS, S. O mundo desde o fim: desafios expiatórios da modernidade. In: COUTINHO, F.; ALZAMORA, F.; ZILLER, J. (orgs.). Dossiê Bruno Latour. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2020b. (Coleção Debates Contemporâneos). (no prelo).

MEDINA, J. Suma qamaña, vivir bien y de vita beata. Una cartografía boliviana. La Reciprocidad, 20 de enero de 2011. Disponível em: http://lareciprocidad.blogspot.com/2011/01/suma-qamana-vivir-bien-y-de-vita-beata.html. Acesso em: ago. 2020.

OS MIL Nomes de Gaia. Colóquio Internacional Os Mil Nomes de Gaia: do Antropoceno à Idade da Terra. De 15 a 19 de setembro de 2014. Realização:

Departamento de Filosofia da PUC-Rio, PPGAS do Museu Nacional – UFRJ. Local: Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro. Disponível em: https://osmilnomesdegaia.eco.br. Acesso em: ago. 2020.

PELBART, P. PÁL. O avesso do niilismo: cartografias do esgotamento = Cartography of exhaustion: nihilism inside/out. Traduzido por John Laudenberger. São Paulo: N-1 Edições, 2013. (Série future art base).

PERRONE-MOISÉS, B. Os brasis em Lévi-Strauss. Diacrítica – Série de Filosofia/Cultura, n. 23/2, Universidade do Minho. Minho/Portugal, 2009, p. 57-73.

PIGNARRE, P.; STENGERS, I. La sorcellerie capitaliste: pratiques de désenvoûtement. Paris: La Découverte, 2005.

QUERELAS do Brasil. Intérprete: Elis Regina. Compositores: Aldir Blanc e Maurício Tapajós. In: Transversal do tempo. Intérprete: Elis Regina. [S. l.]: Philips/Polygram (Universal Music), 1978.

SALGADO, Sebastião. Terra. Acompanhado do CD Terra, de Chico Buarque. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

SCHAVELZON, S. Plurinacionalidad y vivir bien/buen vivir: dos conceptos leídos desde Ecuador y Bolivia post-constituyentes. Quito: Abya Yala/Clacso, 2015.

SERRES, M. O contrato natural. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

SHIVA, V. Monoculturas da mente: perspectivas da biodiversidade e da biotecnologia. São Paulo: Gaia, 2003.

SILVA, Ramon Felipe Bicudo da et al. The soybean trap: challenges and risks for Brazilian producers. Frontiers in sustainable food systems, v. 4, 2020. https://doi.org/10.3389/fsufs.2020.00012

STENGERS, I. Une autre science est possible! Manifeste pour un ralentissement des sciences, Paris: Les Empêcheurs de penser en rond/La Découverte, 2013.

STENGERS, I. No tempo das catástrofes: resistir à barbárie que se aproxima. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

TARDE, G. (1895). Monadologia e sociologia e outros ensaios. São Paulo: Cosac & Naify, 2007.

TSING, A. Blasted landscapes (and the gentle arts of mushroom picking). In: KIRKSEY, E. (ed.). The multispecies salon. Durham: Duke University Press, 2014, p. 87-109.

TSING, A. The mushroom at the end of the world: on the possibility of life in capitalist ruins. Princeton: Princeton University Press, 2015.

TSING, A. Viver nas ruínas: paisagens multiespécies no Antropoceno. Brasília: IEB Mil Folhas, 2019.

WALLACE, R. Pandemia e agronegócio: doenças infecciosas, capitalismo e ciência. São Paulo: Editora Elefante, 2020.

WISNIK, J. M. Maquinação do mundo: Drummond e a mineração. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

Downloads

Publicado

2020-12-03

Como Citar

Marras, S. (2020). O Brasil e os brasis no Antropoceno: bifurcações à vista. Revista Do Instituto De Estudos Brasileiros, 1(77), 126-142. https://doi.org/10.11606/issn.2316-901X.v1i77p126-142

Edição

Seção

Artigos