Prevalência de dor e adequação da terapêutica analgésica em pacientes internados em um hospital universitário

Autores

  • Rilva Lopes de Sousa-Muñoz Universidade Federal da Paraíba. Centro de Ciências Médicas. Departamento de Medicina Interna
  • Geyhsy Elaynne Silva Rocha Universidade Federal da Paraíba
  • Bruno Braz Garcia Universidade Federal da Paraíba
  • Anne Diniz Maia Universidade Federal da Paraíba

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.v48i6p539-548

Palavras-chave:

Dor. Analgesia. Medição da Dor. Hospital. Registros Médicos

Resumo

Objetivos: Avaliar a prevalência de dor e a adequação da terapêutica analgésica administrada aos pacientes de um hospital universitário, assim como aferir a concordância entre o auto-relato álgico e os dados registrados nos prontuários em relação à manifestação dolorosa. Métodos: Estudo observacional e transversal, a partir de entrevistas estruturadas com pacientes adultos que manifestavam queixa de dor até 24 horas anteriores à admissão hospitalar ou em qualquer momento após a internação no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW). Foram avaliadas características sócio-demográficas e clínicas dos pacientes, tipo de analgésicos, esquemas de tratamento, intensidade e características da dor. Os registros médicos sobre uso de medicamentos foram colhidos através das anotações nos prontuários e listas de prescrições. A dor foi avaliada através de escala visual analógica (EVA) e pela Escala Multidimensional da Dor (EMADOR). Para avaliar a adequação da analgesia utilizou-se o Índice de Manejo da Dor (IMD). A Escada Analgésica da Organização Mundial da Saúde foi usada na avaliação das prescrições. Resultados: No período de realização do estudo, internaram-se 480 pacientes com 18 anos ou mais nas enfermarias de adultos do HULW. Destes, 115 (24%) apresentavam queixa de dor e foram incluídos na amostra. A idade dos 115 participantes variou entre 18 e 90 anos, com média de 48,7 (±17,7). Verificou-se que 60 (52,2%) apresentavam dor intensa e 39 (33,9%), dor moderada. A avaliação de concordância entre o autorelato álgico e os dados registrados nos prontuários em relação à dor demonstrou que em apenas 45 (39,1%) e 42 (36,1%) dos prontuários, nos momentos de admissão e na evolução hospitalar, respectivamente, foi registrada a informação sobre dor. Em relação à adequação da terapêutica analgésica, encontrou-se IMD negativo em 85 (82,6%) dos pacientes. Observou-se prescrição inadequada em 78,3% dos pacientes. Prevaleceu o emprego da monoterapia, com uso de analgésicos não opióides (dipirona/paracetamol) e anti-inflamatórios não hormonais em 87,8% dos pacientes, enquanto os opiáceos foram utilizados em apenas 14,7%. Conclusões: As suposições iniciais desta pesquisa foram parcialmente corroboradas. A prevalência de dor em pacientes internados não foi alta como se presumiu, mas a adequação analgésica foi insatisfatória. Por outro lado, não houve concordância entre o auto-relato de dor e os dados registrados nos prontuários, indicando que possivelmente os médicos não se preocupam em questionar sobre este sintoma ou em registrá-lo nos prontuários. Demonstrou-se insuficiência dos esquemas terapêuticos e necessidade de maior conhecimento sobre o uso de analgésicos no tratamento da dor no HULW

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Biografia do Autor

Rilva Lopes de Sousa-Muñoz, Universidade Federal da Paraíba. Centro de Ciências Médicas. Departamento de Medicina Interna

Docente de Semiologia Médica do Departamento de Medicina Interna – Centro de Ciências Médicas – Universidade Federal da Paraíba

Geyhsy Elaynne Silva Rocha, Universidade Federal da Paraíba

Graduando do Curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba

Bruno Braz Garcia, Universidade Federal da Paraíba

Graduando do Curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba

Anne Diniz Maia, Universidade Federal da Paraíba

Graduando do Curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba

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Publicado

2015-12-20

Como Citar

1.
Sousa-Muñoz RL de, Rocha GES, Garcia BB, Maia AD. Prevalência de dor e adequação da terapêutica analgésica em pacientes internados em um hospital universitário. Medicina (Ribeirão Preto) [Internet]. 20 de dezembro de 2015 [citado 15 de agosto de 2022];48(6):539-48. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/114913

Edição

Seção

Artigo Original
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