Fatores associados a reações transfusionais imediatas em um hemocentro universitário: estudo analítico retrospectivo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.v53i3p275--282

Palavras-chave:

Fatores de Risco, Reação Transfusional, Transfusão de Sangue

Resumo

Estudo analítico, transversal, retrospectivo. Objetivos: Verificar a relação entre reações transfusionais imediatas, características demográficas e clínicas dos pacientes e características das hemotransfusões em um hemocentro universitário. Metodologia: O estudo foi realizado com dados de transfusões realizadas em 2016 no hemocentro da Universidade Federal de São Paulo. Foram coletados dados demográficos dos pacientes, características das hemotransfusões e ocorrência de reações transfusionais imediatas. Possíveis associações foram avaliadas usando os Testes de Fisher, Mann-Whitney, Qui-quadrado e t de Student. Associações com valores de p<0,05 foram consideradas significativas. Resultados: Foram analisados dados de 320 fichas de pacientes, totalizando 938 transfusões. Dos produtos sanguíneos transfundidos, 90,3% eram concentrados de hemácias, administrados por auxiliares de enfermagem em 43,8% das situações. As reações transfusionais ocorreram em 4,3% das situações (n=40). O sinal de reações mais frequente foi a febre (47,5%), seguido de prurido (22,5%). As reações foram mais prevalentes em pacientes com maior idade média (p= 0,0037), que receberam duas transfusões sanguíneas em comparação a uma (p<0,0001), consequentemente mais bolsas de transfusões (p=0,0002), maior volume total transfundido (p<0,0001) e maior tempo de administração (p=0,0017). Pacientes com anemia aplásica, leucemia mieloide aguda e neoplasias de órgãos sólidos tiveram reações transfusionais imediatas mais frequentemente do que pacientes com outros diagnósticos (p≤0,05). Conclusões: A ocorrência de reações transfusionais imediatas teve relação com a idade, diagnóstico médico, número de hemotransfusões, número de bolsas transfundidas, volume total transfundido e tempo de transfusão. O conhecimento desses fatores pode subsidiar treinamentos específicos voltados para a vigilância quanto às reações transfusionais imediatas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Turner ML. Safety of blood, blood derivatives, and plasma-derived products. Handb Clin Neurol. 2018;153:463-72.

Jones JM, Sapiano MRP, Savinkina AA, Haass KA, Baker ML, Henry RA, et al. Slowing decline in blood collection and transfusion in the United States – 2017. Transfusion. 2020; 60(S2):S1-S9. doi: 10.1111/trf.15604

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Caderno de informação: sangue e hemoderivados: dados de 2016. [citado 2020 Jun 07]. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2018 Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno_informacao_sangue_hemoderivados_2016.pdf.

Carson JL, Guyatt G, Heddle NM, Grossman BJ, Cohn CS, Fung MK, et al. Clinical Practice Guidelines From the AABB: Red Blood Cell Transfusion Thresholds and Storage. JAMA. 2016;316(19):2025-35.

Frazier SK, Higgins J, Bugajski A, Jones AR, Brown MR. Adverse Reactions to Transfusion of Blood Products and Best Practices for Prevention. Crit Care Nurs Clin North Am. 2017;29(3):271-90.

Politis C, Wiersum JC, Richardson C, Robillard P, Jorgensen J, Renaudier P, et al. The International Haemovigilance Network Database for the Surveillance of Adverse Reactions and Events in Donors and Recipients of Blood Components: technical issues and results. Vox Sang. 2016;111(4): 409-17.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Guia para uso de Hemocomponentes [Internet]. Brasília (DF); 2015 [citado 2019 Out 20]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_uso_hemocomponentes_2ed.pdf.

Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Relatório de Hemovigilância 2015. [citado 2020 Jun 07]. Brasília (DF): Anvisa, 2016. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33868/405589/Hemovigil%C3%A2ncia+no+Brasil+-+Relat%C3%B3rio+consolidado+2007+-+2015/51add6c1-0a15-4c18-9089-36a31e4cdd39.

Brasil. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria nº1660, de 22 de julho de 2009. Institui o Sistema de Notificação e Investigação em Vigilância Sanitária-VIGIPOS, no âmbito do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, como parte integrante do Sistema Único de Saúde-SUS. Diário oficial da União, Brasília, 22 jul. 2009. [citado 2020 Junho 05]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2009/prt1660_22_07_2009.html

Grandi JL, Grell MC, Areco KC, Barbosa DA. Hemovigilância: a experiência da notificação de reações transfusionais em Hospital Universitário. Rev Esc Enferm USP. 2018;52:e03331.

Mueller MM, Van Remoortel H, Meybohm P, Aranko K, Aubron C, Burger R, et al. Patient Blood Management: Recommendations From the 2018 Frankfurt Consensus Conference. JAMA. 2019;321(10):983-97.

Rieux C, Brittenham G, Bachir D, De Meyer E, Boudjedir K. French hemovigilance network. Delayed hemolytic transfusion reaction in the French hemovigilance system. Transfus Clin Biol. 2019;26(2):109-11.

Pahuja S, Puri V, Mahajan G, Gupta P, Jain M. Reporting adverse transfusion reactions: A retrospective study from tertiary care hospital from New Delhi, India. Asian J Transfus Sci. 2017;11(1):6-12.

Hindawi SI, Badawi MA, Raj ET, Gholam KA, Al-Weail SO, Azher F. The use of transfusion quality indicators as a tool for hemovigilance system implementation at a tertiary care center in Saudi Arabia. Saudi Med J. 2016;37(5):538-43.

Moncharmont P, Barday G, Odent-Malaure H, Benamara H. Adverse transfusion reactions in recipients transfused in out-of-hospital. Transfus Clin Biol. 2018;25(2):105-8.

Pickard AS, Huynh L, Ivanova JI, Totev T, Graham S, Mühlbacher AC, et al. Value of transfusion independence in severe aplastic anemia from patients' perspectives - a discrete choice experiment. J Patient Rep Outcomes. 2017;2(1):13.

Fasano RM, Booth GS, Miles M, Du L, Koyama T, Meier ER, et al. Red blood cell alloimmunization is influenced by recipient inflammatory state at time of transfusion in patients with sickle cell disease. Br J Haematol. 2015;168(2):291-300.

Yazdanbakhsh K, Ware RE, Noizat-Pirenne F. Red blood cell alloimmunization in sickle cell disease: pathophysiology, risk factors, and transfusion management. Blood. 2012;120(3):528-37.

Bajpai M, Gupta S, Jain P. Alloimmunization in multitransfused liver disease patients: Impact of underlying disease. Asian J Transfus Sci. 2016;10(2):136-9.

Fasano RM, Chou ST. Red Blood Cell Antigen Genotyping for Sickle Cell Disease, Thalassemia, and Other Transfusion Complications. Transfus Med Rev. 2016;30(4):197-201. Review.

Vichinsky E, Neumayr L, Trimble S, Giardina PJ, Cohen AR, Coates T, et al. Transfusion complications in thalassemia patients: a report from the Centers for Disease Control and Prevention (CME). Transfusion. 2014; 54(4):972-81.

Downloads

Publicado

2020-10-14

Como Citar

1.
Vilar VM, Ferreira N da C, Nakasato GR, Lupinacci FL, Lopes J de L, Lopes CT. Fatores associados a reações transfusionais imediatas em um hemocentro universitário: estudo analítico retrospectivo. Medicina (Ribeirão Preto) [Internet]. 14 de outubro de 2020 [citado 5 de dezembro de 2021];53(3):275-82. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/165864

Edição

Seção

Artigo Original
Bookmark and Share

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)