As diversas faces da morte de crianças na perspectiva de médicos e enfermeiros

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2021.167273

Palavras-chave:

Morte, Atitude frente à morte, Crianças, Terapia intensiva, Pesquisa qualitativa, Hospital

Resumo

Introdução: Adoecimento e morte de crianças são eventos pouco aceitos na sociedade. Objetivo: Analisar a percepção de médicos e enfermeiros de terapia intensiva sobre a morte de crianças. Métodos: Estudo de abordagem qualitativa, com médicos e enfermeiros de três Unidades de Terapia Intensiva (UTI Pediátrica, UTI Neonatal e UTI Cardiológica) de um hospital de ensino. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas gravadas, transcritas e analisadas segundo análise de conteúdo na modalidade temática. Resultados: Foram entrevistados 14 profissionais, com idade entre 28-53 anos, que possuíam tempo mínimo de dois anos de atuação em terapia intensiva e média de 43 horas semanais de trabalho. Os sentimentos e atitudes diante da morte emergiram da análise das falas e foram categorizados nos seguintes temas: percepção da morte na infância, obstinação terapêutica e sofrimento no encontro com as famílias. Os profissionais reconheceram lacunas na formação durante a graduação e pós-graduação para lidar com a morte de crianças. Sofrimento, ansiedade, culpa, frustração e impotência foram relatados, demonstrando a complexidade que envolve situações de morte de criança. A condição clínica e a capacidade de interação da criança influenciaram nas atitudes e na própria maneira do profissional lidar com a morte. A espiritualidade foi um importante mecanismo de enfrentamento. Conclusão: A morte de crianças em UTI provoca sentimentos ambivalentes em médicos e enfermeiros responsáveis pelo seu cuidado. Os profissionais sofrem pela morte de alguém que ainda não desfrutou da vida, porém a aceitam quando pensam no fim de uma vida marcada por sofrimentos e limitações impostos pela doença. O contato com o tema morte durante a formação profissional e nas discussões regulares dos serviços podem auxiliar na forma de lidar com esse evento. A espiritualidade foi um importante recurso de enfrentamento.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Ariès P. História Social da Infância e da Família. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 380p.

Silva L. C, Weiss E. M, Bernardes D. B, Souza A. I. J. Hospitalization and death in infancy: challenges of the families. Fam. Saúde Desenv. 2006 Jan/Abr; 8(1):73-9. doi: 10,5380/ fsd.v8i1.8024.

Barbosa A. P. Terapia intensiva neonatal e pediátrica no Brasil: o ideal, o real e o possível. J. Pediatr. [Internet] 2004 Nov/Dez [citado em 01 Dez 2020]; 80(6). Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0021-75572004000800002

Kovács MJ. Education for death. Psicologia Ciência e Profissão. 2005; 25(3): 484-497. doi: 10.1590/S1414-98932005000300012.

Silva L. C. S. P, Valença C. N, Germano R. M. Critical care nursing professionals’ perceptions about the death of the newborn. Rev Bras Enferm. [Internet] 2010 Mar/Abr [citado em 13 Fev 2019]; 63(2): 238-42. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reben/v63n2/11.pdf.

Souza T. C. F, Correa-Júnior A. J. S, Santana M. E, Carvalho J. J. N. Cuidados paliativos pediátricos: análise de estudos de enfermagem. Revista de Enfermagem UFPE [Internet] 2018 Mai; [citado em 01 Dez 2020]; 12(5):1409-1421. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/ article/view/231901

Minayo M. C. S. O Desafio do Conhecimento: Pesquisa Qualitativa em Saúde. 14ª ed. São Paulo: HUCITEC, 2014. 416p.

Papadatou D, Martinson I. M, Chung P. M. Caring for dying children: a comparative study of nurses’ experiences in Greece and Hong Kong. Cancer Nurs. 2001; 24(5):402: -12. doi: 10.1097/00002820-200110000-00013.

Costa J. C, Lima R. A. G. Team mourning: revelations of nursing professionals on the care provided to children/adolescents in the process of death/dying. Rev Latino-am Enfermagem. [Internet] 2005 Mar-Abr [citado em 18 Abr 2019]; 13(2):151-7. disponível em https://www.redalyc. org/pdf/2814/281421843004.pdf.

Reis T. L. R, Paula C. C, Potrich T, Padoin S. M. M, Bin A, Mutti C. F, et al. Relationships Established by Nursing Professionals When Caring for Children with Advanced Cancer. Aquichán. 2014 Oct/Dec; 14(4):496-508. doi: http://dx.doi.org/10.5294/aqui.2014.14.4.5.

Carter BS, Howenstein M, Gilmer MJ, Throop P, France D & Whitlock JA. Circumstances surrounding the deaths of hospitalized children: opportunities for pediatric palliative care. Pediatrics. 2004; 114(3):361-6. doi:10.1542/peds.2003-0654-F.

Diniz D. When death is an act of care: refusing life support for children. Cad Saúde Pública. 2006 Ago; 22(8):1741:48. doi:10.1590/S0102-311X2006000800023.

Vieira M. A, Lima R. A. G. Children and adolescentes with a chronic disease:living with changes. Rev lattino-am Enfermagem, São Paulo. 2002 Jul-Ago; 10(4): 552-60. doi:10.1590/S0104-1169.

Ribeiro W. A, Fassarella B. P. A, Neves K. C. Morte e Morrer na emergência pediátrica: a protagonização da equipe de enfermagem frente a finitude da vida. Revista Pró-UniverSUS. 2020 Jan./Jun.; 11(1):123-128.

Almeida H. R. A, Melo C. F. Prácticas de ortotanasia y cuidados paliativos en pacientes con cáncer terminal: una revisión sistemática de la literatura. Enf Global [Internet]. 29 dejunio de 2018 [citado 01 Dezembro 2020];17(3):529- 74. Disponible en: https://revistas.um.es/eglobal/article/ view/299691.

Kübler-Ross E. Sobre a Morte e o Morrer. 8. ed. São Paulo: Ed. Martins Fontes; 10ª ed., 2017. 304p.

Gilmer M. J, Fostr T. L, Mulder J, Carter BS. Cynthia J. B. Parental Perceptions of Care of Children at End of Life. American Journal of Hospice & Palliative Medicine. 2013; 30(1): 53-8. doi: 10.1177/1049909112440836.

Stayer D, Lockhart J. S. Living with dying in the pediatric unit: a nursing perspective. AJCC. 2016 July; 16(4). doi: 10.4037/ajcc2016251.

Garcia-Schinzari N. R, Santos F. S. Assistance to children in palliative care in the Brazilian scientific literature. Rev. paul. pediatr. [Internet]. 2014 Mar [citado 01 Dezembro 2020]; 32( 1 ):99-106. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid= S0103-05822014000100099&lng=en.

Schirmer C. A, Freitas H. M. B, Donaduzzi D. S. S, Machado R. M, Rosa A. B, Fettermann F. A. Cuidados paliativos em um pronto ocorro pediátrico: percepção da equipe de enfermagem.

Vivencias [Internet]. 29º de junho de 2020 [citado em 01 Dezembro de 2020];16(31):235-44. Disponível em: http://revistas.uri.br/index.php/vivencias/ article/view/112 8 https://www.revistas.usp.br/rmrp Diversas faces da morte de crianças

Monteiro D. T, Trentin L. S, Rolim D. S, Siqueira, A. C. Limitação terapêutica em oncologia pediátrica. Psicol Argum. 2021 jan./Mar., 39(103):177-198. doi: http://dx.doi. org/10.7213/psicolargum.39.103.AO09

Palda V. A, Bowman K. W, McLean R. F, Chapman M. G. “Futile” care: do we provide it? Why? A semistructured Canada-wide survey of intensive care unit doctors and nurses. J Crit Care. 2005; 20:207-13 doi:10.1016/j.jcrc.2005.05.006.

Medeiros Maria Olivia Sobral Fraga de, Meira Mariana do Valle, Fraga Fernanda Moreira Ribeiro, Nascimento Sobrinho

Carlito Lopes, Rosa Darci de Oliveira Santa, Silva Rudval Souza da. Conflitos bioéticos nos cuidados de fim de vida. Rev. Bioét. [Internet]. 2020 Mar [cited 2020 Dec 01]; 28(1):128-134. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid= S1983-80422020000100128&lng=en. Epub Mar 30, 2020. http://dx.doi.org/10.1590/1983-80422020281375.

Pessini L. Life and death in the ICU: ethics on the razor’s edge. Rev. bioét. (Impr.). 2016; 24(1):54-63 doi:10.1590/1983-80422016241106.

Oberender F, Tibballs J. Withdrawal of life-support in pediatric intensive care- a case study of time intervals between discussions, decision and death. BMC Pediatrics. [Internet] 2011 [citado em 18 Abr 2019]; 11:39. Disponível http://www.biomedcentral.com/1471-2431/11/39.

Gibbins J, McCoubrie R, Forbes K. Why are newly qualified doctors unprepared to care for patients at the endo f life? Medical Education. 2011; 45:389-99. doi: 10.1111/j. 1365-2923.2010.03873.x.

Verri E. R, Bitencourt N. A. S, Oliveira J. A. S, Santos Júnior R, Marques H. S, Porto M. A, Rodrigues D. G. Profissionais de enfermagem: compreensão sobre cuidados paliativos pediátricos / Nursing professionals: understanding about pediatric palliative care. Rev. Enferm. UFPE. 2019 Jan;13(1):126-136.

Daaleman T. P, Vandecreek L. Placing religion and spirituality in end-of-life care. JAMA. 2000 Nov; 284(19):2514-17. doi: 10.1001/jama.284.19.2514.

Portela R. A, Passos H. M, Sousa S. M. A, Brugin ES, Silva A. C. O. A espiritualidade no enfrentamento do luto: compreender para cuidar. Braz. J. of Develop., Curitiba. 2020 Out.; 6(10):74413-74423.

Ciałkowska-Rysz A, Dzierżanowski T. Personal fear of death affects the proper process of breaking bad news. Arch Med Sci. 2013 Feb; 21;9(1):127-31. doi: 10.5114/ aoms.2013.33353.

Avellar A. M. F. M, Rocha F. N. Dificuldades no enfrentamento da morte e do morrer por profissionais de saúde: a perspectiva da Psicologia. Revista Mosaico. 2020; 11(1):63-71.

Plante J, Cyr C. Health care professionals’ grief after the death of a child. Paediatr Child Health. 2011 April; 16(4). doi: 10.4067/S0370-41062017000500007.

Monteiro D. T, Mendes J. M. R, Beck C. L. C. Percepções dos profissionais da saúde sobre a morte de pacientes. Revista Subjetividades. 2020; 20(1).

Publicado

2021-10-01

Como Citar

1.
Nina RV de AH, Lamy ZC, Garcia JBS, Álvares MEM, Cavalcante MCV, Nina VJ da S, Thomaz EBAF. As diversas faces da morte de crianças na perspectiva de médicos e enfermeiros. Medicina (Ribeirão Preto) [Internet]. 1 de outubro de 2021 [citado 28 de janeiro de 2022];54(2):e-167273. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/167273

Edição

Seção

Artigo Original
Bookmark and Share

Dados de financiamento

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)