Covid-19: evolução temporal e imunização nas três ondas epidemiológicas, Brasil, 2020–2022

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2022056004907

Palavras-chave:

COVID-19, epidemiologia, Indicadores de Morbimortalidade., Cobertura Vacinal, Disparidades nos Níveis de Saúde.

Resumo

RESUMO OBJETIVO: Descrever a evolução temporal da morbimortalidade por covid-19 e da cobertura vacinal no período da emergência sanitária no Brasil. MÉTODOS: Número de casos e óbitos por covid-19 foram extraídos do painel público do Ministério da Saúde, conforme semana epidemiológica (SE) e região geográfica. Dados sobre vacinas e variantes foram obtidos, respectivamente, do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações e do Sistema de Vigilância Genômica do SARS-CoV-2. RESULTADOS: A evolução da pandemia de covid-19 caracterizou-se por três picos de óbitos: na 30ª semana epidemiológica de 2020, na 14ª de 2021 e na sexta de 2022; três ondas de casos, iniciando-se nas regiões Norte e Nordeste, com maiores taxas na terceira onda, principalmente na região Sul. A vacinação teve início na terceira semana epidemiológica de 2021, atingindo rapidamente a maior parte da população, particularmente nas regiões Sudeste e Sul, coincidindo com redução da taxa de mortalidade, mas não de morbidade na terceira onda. No total, 146.718 genomas foram sequenciados, mas somente a partir do início da segunda onda, na qual a variante dominante foi a Gama. A partir da última SE de 2021, quando a cobertura vacinal já se aproximava de 70%, a variante Ômicron causou uma avalanche de casos, porém com menos óbitos. CONCLUSÕES: É nítida a presença de três ondas de covid-19, bem como o efeito da imunização na redução da mortalidade na segunda e na terceira ondas, atribuídas às variantes Delta e Ômicron, respectivamente. Contudo não houve efeito na redução da morbidade, que atingiu o pico na terceira onda, na qual dominou a variante Ômicron. O comando nacional e centralizado do enfrentamento à pandemia não ocorreu; assim, os gestores locais assumiram a liderança em seus territórios. O efeito avassalador da pandemia poderia ter sido minimizado, caso houvesse a participação coordenada das três esferas de governo no SUS.

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Publicado

2022-11-18

Edição

Seção

Artigos Originais

Como Citar

Moura, E. C., Cortez-Escalante, J., Cavalcante, F. V., Barreto, I. C. de H. C., Sanchez, M. N., & Santos, L. M. P. (2022). Covid-19: evolução temporal e imunização nas três ondas epidemiológicas, Brasil, 2020–2022. Revista De Saúde Pública, 56, 105. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2022056004907