Netnografia como Método de Pesquisa em Turismo

análise de estudos de Pós-Graduação no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1984-4867.v31i1p19-36

Palavras-chave:

Netnografia, Turismo, Metodologia de Pesquisa, Produções científicas, Estudos de Pós-Graduação

Resumo

O método netnográfico se insere nos estudos qualitativos que procuram realizar pesquisas em comunidades virtuais. Neste contexto, objetiva-se analisar a utilização do método netnográfico nas dissertações e teses defendidas nos Programas de Pós-graduação da área de Turismo no Brasil, até julho de 2018, através de uma análise documental de abordagem qualitativa. Quanto aos resultados, constatou-se que dos 811 trabalhos analisados, apenas três utilizaram a netnografia. Todavia, a aplicação da netnografia nestes trabalhos apresentou limitações que funcionam como fatores restritivos, tais como a superficialidade na análise dos dados coletados, e a escassez de uma análise reflexiva sobre os comportamentos e discursos manifestados nas comunidades virtuais. Por outro lado, o método também apresentou aspectos facilitadores que favoreceram sua escolha, como o acesso fácil ao levantamento de dados no ambiente virtual e a registros de viajantes e stakeholders da atividade turística, e a coleta de dados menos invasiva do que métodos presenciais, entre outros. Apesar de ser um método recente e pouco utilizado na área de Turismo, mostra-se como uma alternativa viável para os pesquisadores que estudam comunidades virtuais, desde que aplicados com critérios científicos rigorosos. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Cibelle Batista Gondim, Universidade Federal da Paraíba

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Docente do curso de Turismo e Hotelaria na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, Paraíba, Brasil.

Ricardo Ernesto Bolzán, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutorando do Programa de Pós-graduação em Turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.

Rafaella Soares Espínola, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.

Mauro Lemuel de Oliveira Alexandre, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Docente do Curso de Turismo e do Programa de Pós-graduação em Turismo (PPGTUR) na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.

Referências

Abedin, B.; Chew, E.K. (2016). Hyperpersonal value co-creation in on-line communities: A conceptual framework. In: ICSERV2016, IV Conferência Internacional em Serviceology, 9, Tókio, Japão.

Abreu, N. R., Baldanza, R. F. & Sette, R. S. (2008). Comunidades virtuais como ambiente potencializador de estratégias mercadológicas: locus de informações e troca de experiências vivenciadas. Perspectivas em Ciência da Informação, 13(3),116-136.

Amaral, A., Natal, G., & Viana, L. (2008). Netnografia como aporte metodológico da pesquisa em comunicação digital. Cadernos da Escola de Comunicação, 1(6).

Apud Peláez, I. E. (2013). Repensar el método etnográfico. Hacia una etnografía multitécnica, reflexiva y abierta al diálogo interdisciplinario. Antípoda - Revista de Antropología y Arqueología, (16), 215-235.

Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo (L. de A. Rego & A. Pinheiro, Trads.). Lisboa: Edições 70, 279 p.

Bolzán, R. E. & Ferreira, L. V. F (2020). Co-creación de calidad en servicios turísticos en comunidades virtuales: Un estudio a partir de interacciones vía web entre huéspedes y hoteles en Natal - Brasil. Estudios y Perspectivas en Turismo, 29(1), 154-172.

Buhalis, D., & Law, R. (2008). Progress in information technology and tourism management: 20 years on and 10 years after the Internet—The state of eTourism research. Tourism Management, 29(4), 609-623.

Cole, S. T. (2005). Comparing mail and web-based survey distribution methods: Results of surveys to leisure travel retailers. Journal of Travel Research, 43, 422–430.

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. (2020). Banco de Teses e Dissertações. Recuperado de: http://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/#!/. Acesso 20 fev. 2020.

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES. (2020). Plataforma Sucupira. Recuperado em https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/ Acesso 20 fev. 2020.

Correia, R. R., Alperstedt, G. D., & Feuerschutte, S. G. (2017). O Uso do Método Netnográfico na Pós-Graduação em Administração no Brasil. Revista de Ciências da Administração, 19(47), 163-175.

Creswell, J. W. (2014). Investigação qualitativa e projeto de pesquisa: escolhendo entre cinco abordagens. (3ed). Porto Alegre: Penso, 342 p.

Gallagher, S.; Savage, T. (2013). Cross-cultural analysis in on-line community research: A literature review. Computers in Human Behavior, 29(3), 1028-1038.

Gonçalves Alencar, D., Santos, M. L., Andrade e Souza, A., & Gonçalves Gândara, J. M. (2019). Produtos Turísticos Para Demandantes De Experiências Da Dimensão Entretenimento De Pine & Gilmore: Novas Características E Tendências Para O Paraná. Turismo: Visão e Ação, 21(2).

Gondim, C. B., de Castro Seabra, A. L., & Mendes Filho, L. (2020). Empoderamiento psicológico de los anfitriones de airbnb en Brasil a través de las comunidades en las redes sociales. Estudios y Perspectivas en Turismo, 29(2), 349-368.

Hidalgo, F. (2009). Netnografia. Recuperado de http://netnografia.blogspot.com.es/. Acesso. 20 fev. 2020.

Hine, C. (2000). Virtual Ethnography. Londres: Sage, 179 p.

Howard, G. (2002). How should I live my life? Psychology, environmental science, and moral traditions. Maryland: Rowman & Littlefield, 208 p.

Illum, S. F., Stanislav, H., Ivanov, S. H., & Liang, Y. (2010). Using virtual communities in tourism research. Tourism Management, 31, 335–340.

Kozinets, R. V. (1998). On netnography: Initial reflections on consumer research investigations of cyberculture. Advances in consumer research, 25(1), 366-371.

Kozinets, R. V. (2002). The field behind the screen: Using netnography for marketing research in on-line communities. Journal of Marketing Research, 39, 61–72.

Kozinets, R. V. (2009). Netnography: doing ethnographic research on-line. Thousand Oaks, CA: Sage Publications Ltda, 221 p.

Kozinets, R. V. (2014). Netnografia: realizando pesquisa etnográfica on-line. Porto Alegre: Penso, 208 p.

Kozinets, R. V. (2016) Netnography. In: RITZER, G. (Ed.). The Blackwell Encyclopedia of Sociology, 1-2.

Leite, F. T. (2008). Metodologia científica: métodos e técnicas de pesquisa: monografias, dissertações, teses e livros. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 318 p.

Lobato, F. H. S., & Alberto, D. P. S. (2019). “O estudo é com você, a viagem é com a gente”: As agências de turismo especializadas em viagens a concursos públicos no Brasil. Turismo-Visão e Ação, 21(2), 82-101.

Mesquita, R. F. D., Matos, F. R. N., Machado, D. D. Q., Sena, A. M. C. D., & Baptista, M. M. R. T. (2018). Do espaço ao ciberespaço: sobre etnografia e netnografia. Perspectivas em Ciência da Informação, 23(2), 134-153.

Mkono, M. (2012). Netnographic tourist research: The internet as a virtual fieldwork site. Tourism Analysis, 17(4), 553-555.

Mkono, M., & Markwell, K. (2014). The application of netnography in tourism studies. Annals of Tourism Research, 48, 289-291.

Mkono, M., Ruhanen, L., & Markwell, K. (2015). From netnography to autonetnography in tourism studies. Annals of Tourism Research, 52, 167-169.

Montardo, S. P., & Paz, S. (2016). Jogando com a etnografia: o método etnográfico em pesquisas sobre comunidades gamers. Sessões do Imaginário, 21(35), 22-30.

Moreira, M. A. N., & Gomes, C. L. (2018). A hospitalidade na rede social Couchsurfing: Cruzando a soleira virtual em Jaguarão, no extremo Sul do Brasil. Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, 12(2), 1-24.

Muñoz, J. (2010). Etnografia. Barcelona: UOC, 304 p.

Ortiz Rendón, P. A., & Sánchez Torres, W. C. (2015). La netnografía como fuente de inspiración estratégica para el turismo. Cuadernos Latinoamericanos de Administración, 12(21).

Parolin, C. F., & Boeing, R. (2019). Consumption of experiences in boutique hotels in the context of e-WOM. Tourism & Management Studies, 15(2), 33-45.

Sampieri, R. H.; Collado, C. F; & Lucio, M. del P. B. (2013). Metodologia de pesquisa. (5 ed). Porto Alegre: Penso, 624 p.

Santos, S. R., & Gonçalves Gândara, J. M. (2019). Mobilidade Urbana No Centro Histórico De São Luís Do Maranhão (Brasil): análises dos usuários do TripAdvisor. Revista TURyDES: Turismo y Desarrollo, 12(26), 1-19.

Schoab, V. A., Lazanha, D. A., Maganhotto, R. F., & Fernandes, D. L. (2020). O compartilhamento das experiências vivenciadas na RPPN Ninho do Corvo, Prudentópolis/PR, no TripAdvisor e sua classificação nas esferas da Economia da Experiência. Revista de Turismo Contemporâneo, 8(1), 127-148.

Silva, I. P., Camargo-Borges, C., & Mendes, D. C. (2017). “Que o jogo comece”: um olhar acerca da construção de sentidos sobre remuneração no setor de alojamento. Caderno Virtual de Turismo, 17(2), 42-63.

Silva, M. B. D. O., Oliveira Arruda, D., Souza, Á. G. R., & Mariani, M. A. P. (2019). Como os turistas percebem os atributos de atrativos turísticos em Bonito (MS)? Uma análise com base em comentários publicados no Tripadvisor. Turismo-Visão e Ação, 21(2), 150-172.

Silva, M. B. D. O., Souza Moreira, M. C., Souza, Á. G. R., Oliveira Arruda, D., & Mariani, M. A. P. (2019). Gastronomia no TripAdvisor: O que os Turistas Comentam sobre os Restaurantes de Bonito-MS? Rosa dos Ventos - Turismo e Hospitalidade, 11(4), 875-892.

Silva, T. C. (2019). Couch, Dicas e Companhia. Revista Turismo em Análise, 30(1), 46-59.

Standing, C., Tang-Taye, J. P., & Boyer, M. (2014). The impact of the Internet in travel and tourism: a research review 2001–2010. Journal of Travel & Tourism Marketing, 31(1), 82-113.

Tafarelo, C. (2013) Análise Crítica entre Etnografia e Netnografia: métodos de pesquisa empírica. Artigo apresentado no 9⁰ Interprogramas de Mestrado em Comunicação. São Paulo: Faculdade Cásper Líbero, 1-11.

Tavakoli, R., & Wijesinghe, S. N. (2019). The evolution of the web and netnography in tourism: A systematic review. Tourism Management Perspectives, 29, 48-55.

Turpo, O. (2008). La netnografía: método de investigación en Internet. Educar,42, 81- 93.

Uriarte, U. M. (2012). O que é fazer etnografia para os antropólogos. Ponto Urbe. Revista do núcleo de antropologia urbana da USP, (11). Recuperado de, http://journals.openedition.org/ pontourbe/300. DOI: 10.4000/pontourbe.300. Acesso 20/ fev. 2020.

Vale, T. F., Carvalho, K. G., & Moreira, J. C. (2019). A reputação on-line em áreas protegidas: análise do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (Pernambuco, Brasil). Revista Acadêmica Observatório de Inovação do Turismo, 13(3), 113-134.

Veal, A. J. (2011). Metodologia de pesquisa em lazer e turismo. São Paulo: Aleph, 542 p.

Vergara, S. C. (2005). Métodos de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas, 287 p.

Downloads

Publicado

2020-04-06

Como Citar

Gondim, C. B., Bolzán, R. E., Espínola, R. S., & Alexandre, M. L. de O. (2020). Netnografia como Método de Pesquisa em Turismo: análise de estudos de Pós-Graduação no Brasil. Revista Turismo Em Análise, 31(1), 19-36. https://doi.org/10.11606/issn.1984-4867.v31i1p19-36

Edição

Seção

Artigos e Ensaios