O cão e a roleta: Kynismus, Zynismus e carnavalização em "Um jogador", de Dostoiévski

Autores

  • João Marcos Cilli de Araujo Universidade Federal de Ouro Preto

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2317-4765.rus.2021.181001

Palavras-chave:

Filosofia Cínica, Carnavalização, Fiódor Dostoiévski

Resumo

A partir das ideias propostas por Bakhtin a respeito da carnavalização, busca-se uma breve análise do romance Um jogador, publicado por Dostoiévski em 1867. Levando-se em conta a força que o cinismo possui nas origens da literatura carnavalizada, mais especificamente aquela de Luciano de Samósata, analisa-se o narrador e protagonista do romance, o preceptor Aleksiéi Ivânovitch, a partir de tal tradição filosófica. Para isso, recorre-se não apenas a autores da antiguidade, como o próprio Luciano, mas, também, a representantes da filosofia contemporânea que se aventuraram em reflexões a respeito de Diógenes e demais cínicos: o francês Michel Foucault e o alemão Peter Sloterdijk. É a partir das ideias deste último que se propõe a leitura de Aleksiéi como a encarnação da dialética cínica-kynike que caracterizaria a modernidade.

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Biografia do Autor

João Marcos Cilli de Araujo, Universidade Federal de Ouro Preto

Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e Mestre em Letras pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) com dissertação a respeito de Dostoiévski, da qual este artigo é, em parte, derivado. Atualmente realiza o Doutorado junto ao Programa de Pós-Graduação em Teoria e História Literária da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e atua como Professor de Educação Básica no Estado de Minas Gerais.

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Publicado

2021-04-29

Como Citar

Araujo, J. M. C. de . (2021). O cão e a roleta: Kynismus, Zynismus e carnavalização em "Um jogador", de Dostoiévski. RUS (São Paulo), 12(18). https://doi.org/10.11606/issn.2317-4765.rus.2021.181001