Editorial Sankofa nº 7

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Resumo

“Um instrumento conceitual operativo se coloca na pauta das necessidades imediatas da gente negra brasileira, o qual não deve nem pode ser fruto de uma maquinação cerebral arbitrária, falsa e abstrata – e tampouco um elenco de princípios importados, elaborado com base em contextos e realidades diferentes. A cristalização de nossos conceitos, definições ou princípios deve exprimir a vivência de cultura e práxis da coletividade negra, deve incorporar nossa integridade de ser total, em nosso tempo histórico, enriquecendo e aumentando nossa capacidade de luta”[1]. Este sétimo número da Sankofa: Revista de História da África e Estudos da Diáspora Africana, é apresentado em homenagem ao mestre Abdias do Nascimento (1914-2011). Alma livre e de múltiplos talentos, Abdias foi poeta, escultor, professor, escritor, pintor, dramaturgo, ator, ativista. E, em todas estas faces, dedicou o melhor de si a luta do negro brasileiro e mundial. Feliz daqueles que tem a oportunidade de aprender com este doma africano, circunstancialmente nascido brasileiro. Aos que não o conheceram pessoalmente, resta escrutinar o que Abdias legou a todos: escritos, poesias, pinturas, peças. Aí talvez possa encontrar um pouco da beleza deste espírito, que se realiza de qualquer maneira – como disse Joel Rufino[2]. Ao negro brasileiro, esta tarefa é ainda mais necessária. Para este, ir a Abdias é reencontrar o melhor de si mesmo e dos seus. Herdeiros desta luta, o NEACP apresenta aqui sua humilde homenagem a Abdias. Neste sétimo número, a revista Sankofa traz artigos, ensaio, entrevista, resenha, buscando dar vazão aos trabalhos de pesquisa acadêmica e, simultaneamente, informar a luta anti-racista. Neste número somos brindados com três artigos sobre África. O primeiro destes é o competente artigo da historiadora Flavia Maria de Carvalho, sob título O reino do Ndongo no contexto da Restauração: mbundu, portugueses e holandeses na África Centro Ocidental. O segundo e o terceiro, também são de historiadores, e refletem pormenorizadamente sobre questões contemporâneas do continente africano. São eles, o ensaio de Marina Gusmão de Mendonça (Impacto dos interesses petrolíferos nas relações comerciais China-África) e o artigo de Danilo Fonseca (As concepções etnocêntricas do genocídio de Ruanda: a negação do sujeito histórico ruandês). Juntos, tais artigos nós ajudam a aprender cada vez mais com o a história da África, desde perspectivas diferenciadas. Este número da Sankofa traz uma interessante incursão à análise histórica iconográfica, no artigo de Sabrina Gledhill, em Representações e respostas: táticas no combate ao imaginário racialista no Brasil e nos Estados Unidos na virada do século XIX. Este viés comparativo, desde a perspectiva diaspórica, será ainda destacado na resenha de Flávio Franscisco, sob título Guerra e Cidadania de Primeira Classe sobre a obra Freedom Struggles: African Americans and World War I de Adriene Danette Lenthz-Smith. Dando espaço a interdisciplinaridade, este número da Sankofa apresenta a importante contribuição das autoras Veronice Francisca dos Santos e Isabelle Sanches, sob título Educação e Saúde: perspectivas para a auto-estima das crianças negras no processo de escolarização. Trata-se de uma abordagem inovadora sobre a temática. Por fim, é com muito orgulho que a revista Sankofa traz uma entrevista inédita com o historiador, professor e ativista negro, Zezito de Araújo. Nesta, Zezito conta um pouco sobre sua trajetória pessoal, do NEAB (UFAL) e do movimento negro brasileiro. Imperdível. Com esta contribuição, resultado de um trabalho de produção e difusão do conhecimento sobre a África e as diásporas africanas, o NEACP continua o legado de Abdias e de todos os que perseveram na luta anti-racista no Brasil.

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Publicado
2011-07-06
Como Citar
Editor, O. (2011). Editorial Sankofa nº 7. Sankofa (São Paulo), 4(7), 5-6. Recuperado de https://www.revistas.usp.br/sankofa/article/view/88800
Seção
Editorial