Caracterização do perfil epidemiológico de vítimas carbonizadas necropsiadas no IML-SP entre 2010 e 2015

Autores

  • Letycia Paiva Andrade Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina, Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho
  • Paulo Sérgio Tieppo Alves Instituto Médico Legal de São Paulo
  • Luiz Roberto Fontes Instituto Médico Legal do Estado de São Paulo
  • Ana Cristina Mielli Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina, Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2317-2770.v22i1p3-8

Palavras-chave:

Antropologia Forense, Carboxihemoglobina, Gases Asfixiantes, Monóxido de Carbono.

Resumo

O monóxido de carbono faz parte do grupo dos poluentes gasosos e pode agir como um poderoso asfixiante químico, sendo responsável por elevadas taxas de mortalidade no mundo. Quando inalada, essa substância se difunde facilmente pela membrana alvéolo-capilar, e, uma vez na corrente sanguínea, liga-se facilmente à hemoglobina, devido à alta afinidade existente entre esta molécula e o monóxido de carbono. Consequentemente, quando o monóxido de carbono é ligado a hemoglobina, ele assume uma nova conformação irreversível, chamada de carboxihemoglobina. No estado de São Paulo, os cadáveres carbonizados são periciados no Instituto Médico-Legal, mais especificamente no núcleo da Antropologia Forense, área especializada na aplicação do conhecimento antropológico que tem como um dos objetivos identificar o indivíduo e diagnosticar a causa da sua morte. O estudo da concentração de monóxido de carbono no cadáver permite inferir se a carbonização ocorreu ante ou post mortem. Esta informação é altamente importante em termos legais para a aplicação de penalidades, em casos criminais. O objetivo do presente estudo foi caracterizar o perfil epidemiológico das vítimas carbonizadas necropsiadas entre os anos de 2010 e 2015, a fim de estabelecer se o óbito ocorreu antes ou após a carbonização. Os dados de 214 vítimas foram estudados e as informações coletadas foram agrupados de acordo com gênero, faixa etária, raça, local onde o corpo foi encontrado, causa da morte, presença ou ausência do Sinal de Montalti e concentração de carboxihemoglobina. Quanto ao perfil das vítimas, a maioria era do sexo masculino (78,5%), tinha raça branca (39,2%) e idade entre 16 e 47 anos (90,4%). A causa da morte variou entre os anos estudados, os corpos foram encontrados com maior frequência nas vias públicas (36,4%), em 48,1 % dos cadáveres o Sinal de Montalti estava ausente e em 33,2% dos casos a carboxihemoglobina estavam abaixo de 9%. Assim, estes dados permitem concluir que a maioria dos indivíduos estavam sem vida quando ocorreram as lesões pelo fogo, ou seja, a carbonização ocorreu post mortem.

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Biografia do Autor

Letycia Paiva Andrade, Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina, Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho

Biomédica do Programa de Aprimoramento Profissional do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Paulo Sérgio Tieppo Alves, Instituto Médico Legal de São Paulo

Médico Legista, Diretor Técnico de Serviço Núcleo de Antropologia Forense do Instituto Médico Legal de São Paulo.

Luiz Roberto Fontes, Instituto Médico Legal do Estado de São Paulo

Médico Legista, Núcleo de Antropologia Forense do Instituto Médico Legal do Estado de São Paulo.

Ana Cristina Mielli, Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina, Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho

Bióloga do Laboratório de Investigação Médicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Doutora em Ciências pela Fac. de Medicina da Universidade de São Paulo.

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Publicado

2017-06-10

Como Citar

Andrade, L. P., Alves, P. S. T., Fontes, L. R., & Mielli, A. C. (2017). Caracterização do perfil epidemiológico de vítimas carbonizadas necropsiadas no IML-SP entre 2010 e 2015. Saúde, Ética & Justiça (e-ISSN 2317-2770), 22(1), 3-8. https://doi.org/10.11606/issn.2317-2770.v22i1p3-8

Edição

Seção

Artigo