Imagens que faltam, imagens que restam: a tortura em Cabra Marcado para Morrer.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-7114.sig.2015.103446

Palavras-chave:

ditadura, documentário, arquivos

Resumo

Diante da falta de imagens das torturas praticadas durante a ditadura militar brasileira, quais as estratégias usadas por Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho, para transformar em experiência sensível essa ausência? Exibido em 1984, no início do processo de redemocratização, o filme elabora memórias sufocadas pela repressão. Nesse artigo, propomos uma análise minuciosa das imagens e falas que remetem à tortura. Para dar um sentido renovado aos testemunhos e aos registros que restam da época, retomados no filme, fomos em busca de documentos da polícia política que se referem aos personagens que o regime procurou tornar invisíveis.

 


 

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Biografia do Autor

Patrícia Furtado Mendes Machado, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutoranda em Comunicação e Cultura da UFRJ (bolsista CAPES). Doutorado Sanduíche Université Sorbonne Paris III (bolsa CNPQ).

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Publicado

2015-12-18

Como Citar

Machado, P. F. M. (2015). Imagens que faltam, imagens que restam: a tortura em Cabra Marcado para Morrer. Significação: Revista De Cultura Audiovisual, 42(44), 271-293. https://doi.org/10.11606/issn.2316-7114.sig.2015.103446