Então entra, porque continuo te vendo: ambiguidade e melancolia em La ciudad de los fotografos

  • Denise Tavares da Silva Universidade Federal Fluminense
Palavras-chave: documentário, fotografia, memória, ditaduras latino-americanas, resistência

Resumo

Desde que compreenderam a força da imagem na reconstrução da memória, ativistas e militantes de esquerda se valeram, não poucas vezes, da máquina fotográfica como "arma" essencial para que a barbárie não fosse soterrada durante as últimas ditaduras militares da América Latina. São imagens que, potentes na simbologia icônica que encerram, atestam uma realidade que, enquadrada, aconteceu. Assim é em La ciudad de los fotografos (A cidade dos fotógrafos, 2006), documentário dirigido por Sebastián Moreno, cuja primeira camada busca resgatar o papel essencial que o registro fotográfico teve na vida do diretor e na resistência a Pinochet. No entanto, algo, aos poucos,vai se configurando, fraturando a constituição de uma memória já definida e trazendo à tona as ambiguidades que também permeiam o território dos sobreviventes.

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Biografia do Autor

Denise Tavares da Silva, Universidade Federal Fluminense
Jornalista, Mestrado em Multimeios e Doutorado em Integração Latino-Americano. Professora Adjunta do Departamento de Comunicação da Universidade Federal Fluminense. Área: Audiovisual e Mídias Digitais.

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Publicado
2015-12-18
Como Citar
Silva, D. (2015). Então entra, porque continuo te vendo: ambiguidade e melancolia em La ciudad de los fotografos. Significação: Revista De Cultura Audiovisual, 42(44), 142-159. https://doi.org/10.11606/issn.2316-7114.sig.2015.103713