Metalinguagem no cinema silencioso (1896-1914): a sedução do aparato cinematográfico, os paradoxos da imagem fílmica, a imersão diegética

Autores

  • Danielle Crepaldi Carvalho Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-7114.sig.2017.125511

Palavras-chave:

Cinema silencioso, cinema e história, cinema e outras artes.

Resumo

A presença da metalinguagem no cinema é contemporânea à invenção do dispositivo fílmico. O cinema silencioso mostrou-se em funcionamento prodigamente, ao redor do globo, com objetivos tão vastos quanto (aparentemente) contraditórios: historiar sobre si; convidar o público, por meio da explicitação da descontinuidade inerente à imagem cinematográfica, à imersão na diegese fílmica; acenar para os paradoxos contidos na imagem, questionando a sua pretensa “objetividade”. Através de um corpus que compreende obras produzidas de 1896 a 1914, analisadas numa perspectiva transdisciplinar, busca-se refletir sobre os sentidos da metalinguagem no cinema silencioso. 

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Biografia do Autor

Danielle Crepaldi Carvalho, Universidade Estadual de Campinas

Formada em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com mestrado sobre a produção teatral brasileira de fins do século XIX e doutorado que investiga a relação estabelecida pelos cronistas brasileiros, de 1894 a 1922, com o cinema. Pós-doutoranda na Escola de Comunicações e Artes de São Paulo, com pesquisa acerca dos usos dos
sons no cinema silencioso (bolsista Fapesp). Coorganizadora de edições anotadas de seletas de contos de escritores brasileiros pré-modernistas e modernistas e cotradutora da edição em português e análise crítica do melodrama francês “L’Auberge des Adrets”. Publicou artigos a respeito da literatura, teatro e cinema, suas áreas de interesse.

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Publicado

2017-07-13

Como Citar

Carvalho, D. C. (2017). Metalinguagem no cinema silencioso (1896-1914): a sedução do aparato cinematográfico, os paradoxos da imagem fílmica, a imersão diegética. Significação: Revista De Cultura Audiovisual, 44(47), 178-199. https://doi.org/10.11606/issn.2316-7114.sig.2017.125511