SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português) https://www.revistas.usp.br/smad <p><strong>SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas</strong> é uma revista on line, de acesso aberto, avaliada por pares, que recebe manuscritos de pesquisas que abordam todos os aspectos da saúde mental, uso de álcool, tabaco e outras drogas psicotrópicas sob diversos enfoques (psicossocial e da neurociência).</p> <p>São aceitas contribuições de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento cujo objeto de pesquisa se refira aos conteúdos apresentados.</p> <p><strong><em>Idioma de submissão</em></strong></p> <p>Português, inglês ou espanhol</p> <p><strong><em>Missão</em></strong></p> <p>Compartilhar experiências e conhecimento produzidos por trabalhadores e pesquisadores da área de saúde mental, álcool e drogas.</p> pt-BR smad@eerp.usp.br (SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental, Álcool e Drogas) smad@eerp.usp.br (Seção de Comunicação e Publicações - EERP/USP) Qui, 09 Jun 2022 11:05:30 -0300 OJS 3.2.1.1 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 A fotografia em saúde mental: um olhar para o subjetivo https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/170033 <p>Objetivo: identificar quais ações em saúde mental são realizadas a partir da fotografia. Método: revisão integrativa de literatura, entre os anos de 2010 a 2019, nas bases de dados LILACS, PubMed e SciELO. Utilizaram-se os descritores controlados: “saúde mental”, “psiquiatria” e “fotografia”. Resultados: foram analisados 9 artigos, os quais demonstraram diferentes ações em saúde mental a partir da fotografia: oficinas fotográficas, pesquisas com fotovoz e foto-elicitação e mostras fotográficas. Observou-se que as populações dos estudos foram indivíduos em sofrimento psíquico, bem como pessoas em situação de rua, vítimas de violências e outros públicos vulneráveis. As ações fotográficas incentivaram a desconstrução de estigmas, fortaleceram vínculos e ressignificaram suas vivências. Conclusão: a fotografia pôde ser vista como um dispositivo de promoção da saúde mental ao permitir que os indivíduos compartilhem suas experiências e seus sentimentos, os quais, comumente, ocultam-se em metodologias convencionais. Verificou-se a escassez de estudos que abordassem ações fotográficas na saúde mental, demonstrando a necessidade de aprofundar os conhecimentos acerca dessa ferramenta.</p> Lahanna da Silva Ribeiro, Émilly Giacomelli Bragé, Débora Gomes da Rocha, Domênica Bossardi Ramos, Annie Jeanninne Bisso Lacchini Copyright (c) 2022 SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português) https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/170033 Qui, 09 Jun 2022 00:00:00 -0300 Depois da tormenta: rupturas e permanências no campo da saúde mental após o biênio 2020-2021 https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/198648 <p>Os anos de 2020 e 2021 foram marcados por importantes transformações globais<br>em decorrência da pandemia da COVID-19. No campo da saúde mental temos observado<br>um importante incremento de pesquisas e também de intervenções que se voltam à<br>compreensão das repercussões da pandemia, em um movimento que revela a fragilidade<br>da nossa condição humana e, para além disso, a necessidade de que reconheçamos esse<br>circunscritor em busca de novas formas de existir e de cuidar não apenas de nós e dos<br>outros, mas de um mundo em transição.<br>O trânsito da pandemia e as suas sucessivas ondas em todas as partes do mundo<br>revelam a instabilidade desse momento histórico. Assim, o anunciado fim do biênio 2020-2021 não pode ser<br>corporificado, precisamente, como o fim de uma tormenta, mas como um período no qual tivemos, globalmente,<br>que lidar com as importantes intempéries produzidas pela pandemia em praticamente todos os níveis de nossas<br>relações.<br>Embora tenhamos sempre a capacidade renovada de avistar um futuro com mais esperança após a<br>tormenta, é importante que não nos esqueçamos do que vivemos – não apenas pela possibilidade de que essas<br>vivências sejam reavivadas no futuro, mas também porque o esquecimento pode nos custar muito. Inclusive<br>em termos de saúde mental. É nesse sentido que a SMAD reforça a cada ano o compromisso com a divulgação<br>de pesquisas, intervenções e reflexões no campo da saúde mental engajadas não apenas na mudança, mas<br>ancorando-se na necessidade de lembrar de nosso passado, podendo construir um porvir reflexivo e, sobretudo,<br>mais humano nesse campo da assistência.<br>O primeiro fascículo do ano de 2022 da SMAD é aberto com um editorial bastante oportuno sobre a<br>comunicação da Ciência e o seu papel em uma sociedade dominada pela informação, escrito pela Profa. Dra.<br>Carolina Aires, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. O texto<br>põe em destaque a importância que pesquisadoras e pesquisadores possuem no combate às fake news e para a construção de redes de informação que façam frente à disseminação vertiginosa de conteúdo inadequado e que coloca<br>em risco a saúde da população(1). No campo da saúde mental, as fake news podem contribuir para o reforçamento<br>de estigmas, para a proliferação de informações equivocadas sobre tratamentos e, com isso, expor grande parcela<br>das pessoas a tratamentos ineficazes ou, ainda, subvalorizando expressões do adoecimento psíquico no cotidiano.<br>O primeiro artigo que compõe este fascículo é intitulado “Desinstitucionalização e as novas possibilidades no<br>cotidiano dos familiares de egressos(as) de um hospital psiquiátrico”, da autoria de Ingredy Nayara Chiaccio Silva e<br>Carina Pimentel Souza Batista, da Universidade Federal da Bahia. A partir de entrevistas com familiares de egressos de<br>um hospital psiquiátrico são destacadas repercussões como medo e apreensão pelo processo de desinstitucionalização.<br>A pesquisa enfatiza a importância do trabalho da equipe de desinstitucionalização no processo de reconstrução de<br>vínculos afetivos com esses familiares, ressaltando que este ainda é um dos maiores desafios de uma assistência<br>alinhada às rupturas promovidas pela Reforma Psiquiátrica.<br>O segundo artigo é intitulado “Conhecimento de vereadores acerca do uso do álcool e repercussões sobre a saúde<br>dos usuários”, da autoria de Tancredo Castelo Branco Neto e demais pesquisadores, em uma colaboração entre a<br>Universidade Federal do Amapá, a Universidade Federal do Piauí e o Centro Universitário UNINOVAFAPI. Os vereadores<br>entrevistados, em sua maioria, desaprovam o uso de álcool pela população, recorrendo a ideias alicerçadas no senso<br>comum para tratar dos possíveis agravos à saúde decorrentes do uso e do abuso de álcool. O estudo aponta para a<br>necessidade de maior conscientização desses legisladores acerca das questões de saúde pública, notadamente da<br>tutela jurídica dos usuários de álcool.<br>Na sequência, Jorge Luiz Lima da Silva e colaboradores ligados à Universidade Federal Fluminense apresentam o<br>estudo “Transtornos mentais comuns e síndrome de burnout entre profissionais de colégio universitário”. A investigação<br>foi realizada com 106 trabalhadores da educação, revelando que a suspeição de transtorno mental comum nessa amostra<br>foi de 22,6%, com associações entre as dimensões de despersonalização e de exaustão emocional características do<br>burnout. Endereçamentos em relação à prevenção de agravos à saúde nesse contexto são apresentados pelos autores.<br>Pesquisadoras e pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos e da Universidade Federal do Piauí<br>apresentam, na sequência do fascículo, o estudo “Classificação do risco de consumo de álcool de gestantes nos últimos<br>12 meses e durante a gravidez”. A pesquisa foi realizada com 118 gestantes usuárias do SUS de dois municípios.<br>Os resultados destacam que 94,9% dessas gestantes faziam uso frequentemente do álcool antes da gravidez, com<br>associações entre o consumo pregresso de álcool das mulheres e o consumo durante o período gravídico. Tais dados<br>são discutidos no artigo com vistas a possibilitar reflexões sobre as estratégias de prevenção e de promoção de saúde<br>mental junto a essa população, identificando vulnerabilidades que devem ser acolhidas pelos equipamentos de saúde.<br>Na sequência é apresentado o estudo “Potencialidades e desafios do trabalho multiprofissional nos Centros de<br>Atenção Psicossocial”, de Giovana Telles Jafelice, Daniel Augusto da Silva e João Fernando Marcolan, da Universidade<br>Federal de São Paulo. A pesquisa entrevistou 27 trabalhadores de nove Centros de Atenção Psicossocial Adulto<br>vinculados à Prefeitura Municipal de São Paulo. Entre as potencialidades dessa atuação foi destacada, dentre outros,<br>a possibilidade de um trabalho integrado e em rede. A precarização do trabalho e o sofrimento do trabalhador foram<br>mencionados como limitações. Essas limitações são narradas pelos trabalhadores em referência ao que chamam de<br>lógica ambulatorial, revelando fragilidades na efetivação dos pressupostos da Reforma Psiquiátrica.<br>Pesquisadores do Centro Universitário UNIFACISA e da Universidade Estadual da Paraíba apresentam, na sequência,<br>o artigo intitulado “Ansiedade traço-estado em estudantes universitários do curso de enfermagem”. Como observado<br>na literatura científica que investiga a saúde mental em estudantes do ensino superior(2), os autores encontraram na<br>amostra um alto nível de ansiedade. Essa ansiedade está associada, no estudo em tela, a situações acadêmicas e a<br>consequências dessa rotina, o que deve ser discutido também a partir de políticas educacionais dispostas a compreender<br>o papel desse contexto nessa sintomatologia.<br>O estudo metodológico “Desenvolvimento de um instrumento de avaliação do letramento em saúde relacionada<br>ao hábito etilista”, de Ana Monique Gomes Brito e colaboradores das Faculdades Unidas do Norte de Minas e da<br>Universidade Estadual de Montes Claros, investigou as propriedades do instrumento para avaliação do Letramento<br>em Saúde quanto ao Hábito Etilista (LSHE). A partir das propriedades psicométricas apresentadas e discutidas no<br>artigo, o LSHE foi considerado válido, confiável e com boa interpretabilidade, podendo dar origem a outros estudos<br>metodológicos para a compreensão mais pormenorizada dessas propriedades.<br>Em seguida, Aline Bedin Zanatta, Laura Lamas Martins Gonçalves e Sergio Roberto de Lucca, da Universidade<br>Estadual de Campinas, apresentam o artigo “O processo de trabalho nos Centros de Atenção Psicossocial na perspectiva<br>dos gestores”. Foram entrevistadas gestoras de 11 Centros de Atenção Psicossocial de um município de grande porte<br>no interior de São Paulo. As gestoras destacam a satisfação com o trabalho em termos da possibilidade de uma atenção próxima e com vínculos em saúde mental. Apesar disso, revelam também situações de desgaste em relação<br>à natureza do trabalho e seus processos administrativos. Os autores recomendam o fortalecimento da rede como um<br>importante promotor de cuidado entre a equipe multiprofissional.<br>O estudo “A automedicação com psicotrópicos entre estudantes universitários: uma revisão integrativa” é<br>apresentado por pesquisadores da Universidade Franciscana, de Santa Maria, estado do Rio Grande do Sul. A<br>revisão contemplou publicações entre os anos de 2009 e 2019, corroborando com a vulnerabilidade dos estudantes<br>universitários quanto aos riscos para a automedicação, principalmente quanto ao uso de estimulantes e analgésicos.<br>As motivações para a automedicação envolvem fatores de rendimento acadêmico. Os autores enfatizam a premência<br>de “sensibilizar autoridades quanto à legitimação e implementação de políticas públicas de combate à automedicação<br>entre universitários”.<br>O fascículo encerra-se com o artigo intitulado “A fotografia em saúde mental: um olhar para o subjetivo”, de<br>Lahanna da Silva Ribeiro e colaboradoras ligadas à Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. A<br>revisão integrativa buscou identificar na literatura científica ações em saúde mental realizadas a partir da fotografia.<br>Os estudos recuperados revelam ações como oficinas, pesquisas com fotovoz e foto-elicitação, além de mostras<br>fotográficas. As autoras concluíram que a fotografia pode ser um “dispositivo de promoção da saúde mental ao<br>permitir que os indivíduos compartilhem suas experiências e seus sentimentos, os quais, comumente, ocultam-se<br>em metodologias convencionais”.<br>Finalizamos esta apresentação com o desejo de que esses estudos do primeiro fascículo de 2022 possam ser<br>apreciados como convites a dois movimentos importantes. O primeiro deles refere-se à necessidade de pesquisar e<br>intervir junto aos profissionais que atuam em equipamentos de saúde mental, a exemplo do interesse manifestado<br>em relação aos profissionais de saúde da chamada “linha de frente” no combate à COVID-19(3) e também junto a<br>estudantes universitários(2). As demandas desses grupos vêm se revelando na literatura científica não apenas como<br>expressivas e urgentes, mas também permitindo reflexões em relação à universidade que estamos construindo ao<br>longo dos últimos anos e às reais mudanças a partir da Reforma Psiquiátrica no que se refere especificamente a esses<br>profissionais de diferentes categorias nos diversos equipamentos de cuidado em saúde mental.<br>Ainda nesse primeiro movimento, a esses dois públicos priorizados no campo da saúde mental, como ilustrado<br>neste presente fascículo que abre o ano de 2022, podemos incluir os professores(4) – da educação infantil a superior -,<br>sobretudo considerando as transições entre ensino presencial, remoto e híbrido oportunizadas no itinerário pandêmico.<br>Obviamente que as vulnerabilidades em saúde mental continuam a mobilizar esforços de pesquisa e de intervenção,<br>o que deve ser endereçado, de modo mais evidente, nos estudos a partir da maior tormenta vivenciada justamente<br>nos anos de 2020 e 2021.<br>Considerar essas vulnerabilidades também envolve o cotejamento das diversidades, do aumento da pobreza e da<br>extrema pobreza no cenário brasileiro, por exemplo, além das assimetrias sociais, econômicas, políticas e culturais que<br>não nos permitem afirmar que enfrentamos a mesma tormenta(5). É mister, portanto, priorizar o cuidado a populações<br>em permanente vulnerabilidade, em uma tormenta que não se extingue com o anúncio do fim de um período. Olhar<br>para esse processo a partir de perspectivas branco-americano-eurocentradas e pouco porosas à alteridade continuará<br>reavivando a tormenta que buscamos ultrapassar.<br>O segundo movimento legitimado por essas produções envolve a necessidade de que as realidades aqui retratadas,<br>notadamente produzidas antes do contexto da pandemia da COVID-19, possam ser acompanhadas em termos de<br>mudanças, necessidades e limitações impostas por esse contexto global. O ano de 2022 avizinha-se como um marcador<br>importante depois de dois anos de intensas transformações. Não se trata, necessariamente, de pensarmos este ano<br>como um contexto pós-pandêmico, mas justamente de um ano em que diferentes convites podem ser endereçados:<br>à permanência dos desafios impostos no biênio 2020-2021 e à construção de novas estratégias para a retomada do<br>que um dia fomos e, mais provavelmente, para a criação daquilo que precisamos ser depois dessa tormenta. E, por<br>fim, em um cenário de impermanência, continua patente o questionamento: atravessamos a tormenta?</p> Fabio Scorsolini-Comin Copyright (c) 2022 SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português) https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/198648 Qui, 09 Jun 2022 00:00:00 -0300 Sobre Ciência, ciclos desinformativos e fake news: rupturas possíveis https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/198659 <p>A Ciência teve impacto significativo no entendimento do cenário da pandemia de<br>COVID-19, oficialmente declarada em dezembro de 2019: o coronavírus foi sequenciado<br>geneticamente apenas 2 semanas após evidências na China, medidas sanitárias simples<br>foram atestadas como eficazes para a contenção do vírus (higiene das mãos, distanciamento<br>social, uso de máscaras, ventilação de ambientes) e as vacinas foram desenvolvidas em<br>menos de 1 ano e meio do início da pandemia. Entretanto, a rápida consolidação dos<br>conhecimentos científicos não foi fator determinante para ampliar a capacidade do estado<br>e da sociedade em manter a coerência em torno de estratégias eficazes para conter a<br>doença. De fato, a desinformação (falta de informação) e as notícias falsas criadas (fake news) suplantaram,<br>em muitos momentos, as conquistas da Ciência.<br>É bem estabelecido que as fake news se espalham 70% mais rápido que notícias verdadeiras(1). Isso<br>implica dizer que enquanto uma postagem verdadeira atinge, em média, mil pessoas, as postagens falsas mais<br>populares atingem de mil a 100 mil pessoas. A exposição frequente à desinformação e fake news é perigosa,<br>pois a repetição aumenta a confiança na informação falsa. Particularmente durante a pandemia, a disseminação<br>de mitos, métodos de prevenção ineficazes e curas milagrosas causaram mortes evitáveis(2), simplesmente<br>por induzir a população a escolhas equivocadas. Um estudo recente concluiu que a confiança nas notícias das<br>mídias sociais contribuiu para aumentar a crença nos mitos e informações falsas da COVID-19, o que, por<br>sua vez, contribuiu para práticas de postagem nas mídias sociais menos críticas, exacerbando a pandemia da desinformação e mantendo o ciclo desinformativo(3). Portanto, não se trata apenas de informar; é também necessário<br>garantir que as pessoas sejam informadas para agir de maneira adequada.<br>Em seu clássico livro “O mundo assombrado pelos demônios: a Ciência vista como uma vela no escuro”, o físico<br>Carl Sagan descreveu, de modo brilhante, uma tese para combater as fake news - não em tom professoral, mas sim<br>estimulando o pensamento crítico de leigos para reconhecer argumentos fraudulentos, utilizando a Ciência como uma<br>ferramenta orgânica de sobrevivência na sociedade(4). Não é à toa que ele é considerado um dos maiores divulgadores<br>científicos de todos os tempos. Segundo Sagan, a Ciência só faz sentido se for compartilhada como forma de instrução<br>e esse seria o primeiro passo para romper o ciclo da desinformação. Entretanto, dados recentes mostram que ainda há<br>muito o que ser feito: os brasileiros não se mostram confiantes em relação a quais benefícios poderiam ser trazidos pelo<br>desenvolvimento da Ciência(5). Em outras palavras: a Ciência não é percebida no cotidiano das pessoas, contribuindo<br>para torná-la inatingível, destoando dos padrões culturais nos quais muitos brasileiros se inserem. Por sua vez, essa<br>descrença na Ciência cria lacunas onde a negação de tudo torna-se uma opção, propiciando um terreno fértil para<br>a propagação de notícias sem fundamento, gerando medo, ansiedade e outros tipos de adoecimento emocional,<br>agravando ainda mais a pandemia de COVID-19.<br>Apesar das práticas de comunicação científica atuais terem implementado um novo brilho às transformações<br>sociais que a Ciência vem protagonizando, fica claro que um dos principais desafios da pandemia é de natureza<br>comunicativa. Porém, o esforço da comunidade acadêmica para o estabelecimento de uma comunicação clara com<br>a sociedade tem sido marcante durante os tempos do coronavírus. Afinal, se antes essas atividades eram realizadas<br>predominantemente por jornalistas em jornais e revistas, hoje, no contexto atual, a posição de comunicador de ciência<br>passa a ser ocupada expressivamente também por cientistas nas diferentes mídias. O grande desafio é manter essa<br>dinâmica no cenário pós-pandêmico.<br>A comunicação da Ciência é capaz de mudar comportamento, aumentando a confiança da comunidade não<br>especializada na pesquisa científica e influenciando tomadas de decisão nas mais diversas áreas. A reformulação da<br>linguagem e a formação de comunicadores científicos é um passo fundamental para a ruptura do ciclo desinformativo,<br>o que poderia contribuir para uma diminuição da lacuna comunicacional entre Ciência e Sociedade. Assim, tornar<br>acessíveis as informações sobre pesquisas torna-se tão importante quanto desenvolvê-las.</p> Carolina Patrícia Aires Copyright (c) 2022 SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português) https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/198659 Qui, 09 Jun 2022 00:00:00 -0300 Desenvolvimento de um instrumento de avaliação do letramento em saúde relacionado com o hábito etilista https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/198685 <p>Objetivo: desenvolver e verificar a validade, confiabilidade e<br>interpretabilidade de um instrumento que se propõe a avaliar<br>o Letramento em Saúde quanto ao Hábito Etilista (LSHE).<br>Método: estudo metodológico realizado entre pessoas com<br>diabetes cadastradas na Estratégia de Saúde da Família e<br>constituído pelas seguintes etapas: desenvolvimento do<br>LSHE; verificação da validade de conteúdo por um comitê de<br>juízes; pré-teste (n=20); estimativa da confiabilidade (n=62):<br>Alfa de Cronbach (AC), kappa de Cohen (K) e Coeficiente<br>de Correlação Intraclasse (CCI), resultados satisfatórios<br>(≥ 0,60); estimativa da validade concorrente (n=212);<br>interpretabilidade dos escores (n=212): variam de 0 a 18,<br>sendo o ponto de corte ≤ 14 (LSHE inadequada). Utilizou-se o<br>programa SPSS para as análises estatísticas. Resultados: o<br>LSHE apresentou aplicação dinâmica e adequada, mostrandose<br>relevante quanto ao seu conteúdo e ao construto propostos.<br>As 18 palavras apresentaram K &gt; 0,60, AC=0,82 e CCI=0,91.<br>Houve correção do LSHE com a escolaridade (rs=0,537;<br>p=0,000). Interpretabilidade: 31,6% (n=67) apresentaram<br>LSHE inadequada. Conclusão: o LSHE foi considerado<br>validado, confiável e com boa interpretabilidade.</p> Ana Monique Gomes Brito, Carolina Vieira de Freitas, Erika Lopes Maia, Claudiojanes dos Reis, Árlen Almeida Duarte de Sousa, Andréa Maria Eleutério de Barros Lima Martins Copyright (c) 2022 SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português) https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/198685 Qui, 09 Jun 2022 00:00:00 -0300 Potencialidades e desafios do trabalho multiprofissional nos Centros de Atenção Psicossocial https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/198687 <p>Objetivos: verificar potencialidades e desafios do trabalho<br>multiprofissional em Saúde Mental na prática dos serviços junto<br>aos trabalhadores dos Centros de Atenção Psicossocial de São<br>Paulo, SP, Brasil. Método: estudo qualitativo, exploratório,<br>descritivo. Entrevistados 27 trabalhadores de nove Centros de<br>Atenção Psicossocial Adulto vinculados a Prefeitura Municipal<br>de São Paulo. Responderam quatro questões norteadoras<br>elaboradas pelos autores, avaliadas por análise de conteúdo<br>temático. Resultados: na categoria Potencialidades do trabalho<br>em equipe multiprofissional nos Centros de Atenção Psicossocial,<br>destacaram- se cuidado ampliado ofertado pela proposta dos<br>Centros de Atenção Psicossocial, formação na área e parcerias<br>possíveis nas equipes, presença de estagiários/residentes; na<br>categoria Desafios do trabalho em equipe multiprofissional, a<br>precarização do trabalho e sofrimento do trabalhador, presença<br>da “lógica ambulatorial”, falta de recursos humanos e de formação<br>adequada, valorização da lógica medicamentosa, prevalência do<br>saber e poder médico, falta de horizontalidade na relação com<br>usuários, fragilidade da interação com outros equipamentos da<br>rede de cuidados e intersetorial. Conclusão: há distanciamento<br>entre Políticas Públicas de Saúde Mental e prática efetiva dos<br>profissionais, coexistência dos paradigmas biomédico e da<br>Atenção Psicossocial nos serviços, comprometendo efetivação<br>dos pressupostos da Reforma Psiquiátrica e o lugar de sujeito<br>de direito aos usuários dos serviços.</p> Giovana Telles Jafelice, Daniel Augusto da Silva, João Fernando Marcolan Copyright (c) 2022 SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português) https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/198687 Qui, 09 Jun 2022 00:00:00 -0300 Conhecimento de vereadores acerca do uso do álcool e repercussões sobre a saúde dos usuários https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/173460 <p>Objetivo: descrever o conhecimento dos vereadores <br />acerca do uso do álcool e as repercussões sobre a saúde dos usuários. Método: estudo descritivo, de abordagem qualitativa, desenvolvido na Câmara de Vereadores de um município no extremo norte brasileiro, na região Amazônica. Os dados foram obtidos por meio de uma entrevista com roteiro semiestruturado, processados no software IRaMuTeQ e analisados na nuvem de palavra, mediante a análise de similitude e a Classificação Hierárquica Descendente, por meio do dendrograma. Resultados: a palavra destaque foi “não”, demonstrando uma desaprovação, por parte dos legisladores, acerca do uso de álcool pela população e as repercussões negativas na saúde dos usuários, bem como uma limitação de conhecimento científico e técnico acerca da temática, expondo, na maioria, ideias que são apenas de senso comum e de maneira generalizada. Conclusão: aponta a necessidade de criação de um núcleo de capacitação parlamentar a fim implementar políticas eficazes à população usuária de álcool.</p> Fernanda Matos Fernandes Castelo-Branco, Tancredo Castelo Branco Neto, Fabio Rodrigues Trindade, Ivonizete Pires Ribeiro, Fabricio Ibiapina Tapety, Rauirys Alencar de Oliveira Copyright (c) 2022 SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português) https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/173460 Qui, 09 Jun 2022 00:00:00 -0300 Transtornos mentais comuns e Síndrome de Burnout entre profissionais de colégio universitário https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/174476 <p>Objetivo: descrever a suspeição da Síndrome de Burnout e os Transtornos Mentais Comuns entre profissionais de colégio universitário. Método: estudo epidemiológico de desenho seccional, descritivo. Compararam-se grupos em busca da associação estatística e modelos de regressão logística foram aplicados. Participaram 106 trabalhadores da educação. O instrumento produzido continha as escalas adaptadas e validadas, como a Maslach Burnout Inventory (MBI), para a aferição das dimensões da Síndrome de Burnout e a versão reduzida do Self Reporting Questionnaire (SRQ-20) para mensurar o nível de suspeição de transtorno mental comum. Resultados: a suspeição de Transtornos Mentais Comuns entre os trabalhadores da amostra estudada foi de 22,6%. Observou-se a associação entre ser jovem, sexo feminino, pensar no trabalho durante as folgas ou em abandonar o trabalho, sedentarismo e duas dimensões de Burnout, sendo elas a despersonalização e a exaustão emocional. Conclusão: pôde-se elucidar a prevalência de TMC e SB na amostra estudada, levando-se em consideração os hábitos de vida e a qualidade da saúde mental de professores e demais funcionários, contribuindo-se, assim, para a reflexão sobre a qualidade de vida do trabalhador. </p> Jorge Luiz Lima da Silva, Mayara Souza Monnerat, Larissa Murta Abreu, Ana Luísa de Oliveira Lima, Cláudia Maria Messias, Giulia Lemos de Almeida Copyright (c) 2022 SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português) https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/174476 Qui, 09 Jun 2022 00:00:00 -0300 Desinstitucionalização e as novas possibilidades no cotidiano dos familiares de egressos (as) de um hospital psiquiátrico https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/175842 <p>Objetivo: compreender o processo de desinstitucionalização e as novas possibilidades no cotidiano dos familiares de egressos (as) de um hospital psiquiátrico. Método: estudo <br />qualitativo de caráter exploratório e descritivo, desenvolvido com cinco familiares de egressos (as) de um Hospital Psiquiátrico no interior da Bahia. Para coleta de dados <br />utilizou-se a Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP) e a entrevista semiestruturada e para análise, a Análise de Conteúdo. Resultados: o processo de desinstitucionalização dos (as) usuários (as) ocasionou nos familiares medos, apreensão e atitudes de não aceitação. O trabalho da equipe de desinstitucionalização permitiu a (re)aproximação e (re) construção dos vínculos afetivos. Conclusão: o processo de desinstitucionalização é complexo, deve envolver profissionais e gestores a sensibilizar e estimular reflexões e ações que fortaleçam o cuidado aos (as) egressos (as) e familiares.</p> Ingredy Nayara Chiacchio Silva, Carina Pimentel Souza Batista Copyright (c) 2022 SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português) https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/175842 Qui, 09 Jun 2022 00:00:00 -0300 É bomba! É tiro! É violência! A guerra às drogas na Cracolândia paulistana https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/176562 <p>Objetivo: analisar e promover uma reflexão sobre a relação estabelecida entre a polícia, as pessoas e o território onde são utilizadas substâncias psicoativas. Método: realizou-se uma pesquisa etnográfica a partir de observação participante com a construção de diário de campo. Os participantes da observação foram as pessoas que fazem uso de drogas nas cenas de uso e/ou que frequentam a Organização Não Governamental participante do estudo e os agentes redutores de danos da mesma. O estudo foi desenvolvido em 2018 na cidade de São Paulo. Para a análise dos dados, utilizou-se a Teoria Interpretativa. Resultados: a violência policial está presente diariamente na vida das pessoas que estão dentro<br />do fluxo da Cracolândia. Todos sofrem com os atos violentos: as pessoas que usam drogas, os agentes redutores de danos e até mesmo os profissionais que estão lá para promover saúde e cuidado. Há tiros, bombas e repressão, mas, mesmo assim, a resistência persiste. Conclusão: no território da<br />Cracolândia persiste a guerra às drogas. Essa política de Estado higienista e separatista faz com que as pessoas que usam drogas estejam cada vez mais excluídas da sociedade, sem direitos e sem cuidado.</p> Paola de Oliveira Camargo, Michele Mandagará de Oliveira, Duilia Sedrês Carvalho Lemos, Camila Irigonhé Ramos Copyright (c) 2022 SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português) https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/176562 Qui, 09 Jun 2022 00:00:00 -0300 O processo de trabalho nos Centros de Atenção Psicossocial na perspectiva dos gestores https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/178209 <p>Objetivo: analisar o processo de trabalho dos profissionais dos Centros de Atenção Psicossocial e identificar os aspectos que possam contribuir na produção de saúde ou de adoecimento dos trabalhadores. Método: pesquisa de natureza qualitativa realizada com as gestoras de onze Centros de Atenção Psicossocial de um município de grande porte no interior de São Paulo. Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada audiogravada. Para a análise dos dados, utilizou-se a Análise de Conteúdo Temática. Resultados: da análise das falas foram identificadas duas categorias<br />temáticas: “O Trabalho Vivo no Centro de Atenção Psicossocial: construção coletiva de uma clínica de laços e afetos” e “O<br />desgaste e sofrimento experienciados por meio do trabalho”. Evidenciaram-se sentimentos satisfação dos trabalhadores<br />com seu trabalho, relacionados à possibilidade de ofertar cuidados a partir da singularidade dos casos. Também houve<br />relatos de situações falta de reconhecimento, processos de trabalho burocratizados e sobrecarga mental. Conclusão: a<br />maior potência do trabalho nos Centros de Atenção Psicossocial é a intensa rede de relações interpessoais existentes. Portanto, o fortalecimento dessa rede é um importante promotor de cuidado entre a equipe multiprofissional e um dispositivo a ser constantemente desenvolvido.</p> Aline Bedin Zanatta, Laura Lamas Martins Gonçalves, Sergio Roberto de Lucca Copyright (c) 2022 SMAD, Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português) https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://www.revistas.usp.br/smad/article/view/178209 Qui, 09 Jun 2022 00:00:00 -0300