O carcereiro de si mesmo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2019.161057

Palavras-chave:

Monitoramento eletrônico, Prisão, Tecnologias de subjetivação, Governamentabilidade neoliberal

Resumo

O artigo analisa as conexões entre os dispositivos de monitoramento eletrônico de presos e o dispositivo carcerário, com enfoque nos impactos dos sistemas de rastreamento sobre a vida de pessoas monitoradas. O texto se baseia na análise de documentos legais, entrevistas e pesquisa de campo realizadas entre 2015 e 2018 junto a presos e presas submetidos à utilização de tornozeleiras eletrônicas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. No primeiro movimento do artigo, apresenta-se o desenvolvimento da política de monitoração no país, concomitante ao incremento da população prisional brasileira. Em seguida, são descritas algumas das interfaces estabelecidas entre a prisão e a supervisão eletrônica. Por fim, o terceiro movimento analisa as dimensões políticas dos dispositivos de monitoramento eletrônico e seus processos correspondentes de subjetivação. De maneira geral, o texto é motivado pelo interesse nas atuais transformações operadas pelo poder de punir, assim como na rearticulação das estratégias de condução das condutas mobilizadas pelas novas tecnologias de controle.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ricardo Urquizas Campello, Universidade de São Paulo (USP)

Doutor pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP

Referências

Alvarez, Marcos César. (2014), “Teorias clássicas e positivistas”. In: Lima, Renato Sergio de et al. Crime, polícia e justiça no Brasil. São Paulo, Contexto, pp. 50-59.

Aubrey, Bob. (2000), L’entreprise de soi. Paris, Flammarion.

Augusto, Acácio. (2013), Política e polícia: cuidados, controles e penalizações de jovens. Rio de Janeiro, Lamparina.

Becker, Gary. (1974), “Crime and punishment: an economical approach”. Disponível em https://www.nber.org/chapters/c3625.pdf, consultado em 10/8/2019.

Bentham, Jeremy. (2008), O panóptico. Belo Horizonte, Autêntica.

Bogard, William. (2006), “Surveillance assemblages and lines of light”. In: Lyon, David. Theorizing surveillance: the panopticon and beyond. Portland, Willian Publishing.

Brasil. (2014), Ministério da Justiça/Departamento Penitenciário Nacional. Levantamento nacional de informações penitenciárias. Brasília, Depen.

Brasil. (2015), Ministério da Justiça/Departamento Penitenciário Nacional. A implementação da política de monitoração eletrônica de pessoas no Brasil. Brasília, Depen.

Brasil. (2017a), Ministério da Justiça/Departamento Penitenciário Nacional. Diagnóstico sobre a política de monitoração eletrônica. Brasília, Depen.

Brasil. (2017b), Ministério da Justiça/Departamento Penitenciário Nacional. Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias. Brasília, Depen.

Brown, Wendy. (2005) Edgework: critical essays on knowledge and politics. Nova Jersey, Princetown University Press.

Butler, Judith. (1997), Excitable speech: a politics of the performative. Nova York/Londres, Routledge.

Dardot, Pierre & Laval, Christian. (2016), A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo, Boitempo.

Deleuze, Gilles. (1992), Conversações. São Paulo, Editora 34.

Derrida, Jacques. (1978), Writing and difference. Chicago, University of Chicago Press.

Foucault, Michel. (1979), Microfísica do poder. São Paulo, Graal.

Foucault, Michel. (2008a), Nascimento da biopolítica. São Paulo, Martins Fontes.

Foucault, Michel. (2009), “O sujeito e o poder”. In: Dreyfus Hubert & Rabinow, Paul. Michel Foucault. Uma trajetória filosófica: para além do estruturalismo e da hermenêutica. Rio de Janeiro, Forense Universitária, pp. 231-249.

Foucault, Michel. (2008b), Segurança, território, população. São Paulo, Martins Fontes.

Foucault, Michel. (1987), Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis, Vozes.

Froment, Jean Charles. (1996), “Le pouvoir souverain, la peine et le corps: élements pour une philosophie pénale de la surveillance électronique”. Revue Interdisciplinare d’Etudes Juridiques, 37: 1-44.

Kanashiro, Marta Mourão. (2011), Biometria no Brasil e o registro de identidade civil: novos rumos para identificação. São Paulo, tese de doutorado, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Latour, Bruno. (2013), Jamais fomos modernos. São Paulo, Editora 34.

Latour, Bruno. (1994), “On technical mediation: philosophy, sociology, genealogy”. In: Common Knowledge. Durham, Duke University Press, 3: 2.

Maciel, Welliton Caixeta. (2014), Os ‘Maria da Penha’: uma etnografia de mecanismos de vigilância e subversão de masculinidades violentas em Belo Horizonte. Brasília, dissertação de mestrado, Universidade de Brasília.

Nellis, Mike et al. (2013), “Introduction: making sense of electronic monitoring”. In: Nellis, Mike et al. Electronically monitored punishment: international and critical perspectives. Nova York, Routledge.

Roberts, Josh. (2004), The virtual prison: community sutody and the evolution of imprisonment. Cambridge, Cambridge University Press.

Vitores, Anna & Domènech, Miquel. “Tecnologia y poder: un analisis foucaultiano de los discursos acerca de la monitorización electrónica”. Disponível em http://www.qualitative-research.net/index.php/fqs/article/view/250/551#footnoteanchor_6, consultado em 5/2/2017.

Winner, Langdon. (1986), “Do artifacts have politics?”. In: Winner, Langdon. The whale and the reactor: a search for limits in an age of high technology. Chicago, The University of Chicago Press.

Downloads

Publicado

2019-12-18

Como Citar

Campello, R. U. (2019). O carcereiro de si mesmo. Tempo Social, 31(3), 81-97. https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2019.161057

Edição

Seção

Dossiê - Punição, prisão e cidade: contextos transversais