Fronteiras corpóreas e incorporações prisionais

Palavras-chave: Prisão, Incorporação, Corpo, Sentidos

Resumo

Comparam-se materiais etnográficos de uma pesquisa numa prisão antes e depois do advento do encarceramento concentrado que a entrelaçou a um conjunto de bairros urbanos. Tornados mundos contínuos, anteriores limites intraprisionais colapsaram, espoletando mudanças inclusive em aspetos corpóreos e sensoriais da experiência carceral. O corpo confinado é descrito não tanto como um objeto de poder disciplinar, mas como constituído antes de mais por relações sociais e morais, tornando as experiências corporais da prisão altamente contextuais. A comparação entre formas mais e menos moldadas por uma relação particular prisão-bairro/s sugere que tais experiências variam não apenas em função de circunstâncias próprias à prisão, mas também em função da especificidade das circunstâncias sociais que a atravessam.

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Biografia do Autor

Manuela Ivone Cunha, Universidade do Minho

Doutora em antropologia e professora na Universidade do Minho. É membro do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA), da Universidade do Minho, Instituto de Ciências Sociais (Portugal). FCT/ programa AAC 02/SAICT/2017, n. 032676.

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Publicado
2019-12-18
Como Citar
Cunha, M. (2019). Fronteiras corpóreas e incorporações prisionais. Tempo Social, 31(3), 17-36. https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2019.161367
Seção
Dossiê - Punição, prisão e cidade: contextos transversais