Marcelo Caetano, do idealismo da juventude à política real (1906-1944): uma teorização histórico-sociológica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2021.170969

Palavras-chave:

Marcelo Caetano, Estado Novo, Carreira política, Elites, Capital social

Resumo

Este artigo apresenta uma teorização histórico-sociológica do percurso político de Marcelo Caetano desde a sua infância até a sua chegada ao governo como ministro das Colônias em 1944. O artigo desenvolve uma análise entrecruzada dos contextos sociais, políticos e ideacionais da vida pessoal, profissional e política de Marcelo, com o objetivo de desenvolver uma análise relacional da sua ascensão como personalidade política incontornável do Estado Novo português. O artigo identifica as principais influências sociais e ideacionais na formação intelectual inicial de Marcelo e explica o processo de transição do jovem Marcelo idealista para o Marcelo maduro que aposta numa carreira política dentro do Estado Novo. Seu principal argumento é que é necessária uma visão histórica mais reflexiva sobre o percurso político de Marcelo, sublinhando a sua capacidade de acumular capital social

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Pedro Emanuel Mendes, Universidade Nova de Lisboa

Cientista político com especial interesse na interação entre ideias, fatos, poder e conhecimento. É professor auxiliar de Relações Internacionais na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), na Faculdade de Direito da Universidade Lusíada do Porto (FDULP) e investigador integrado do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova (Ipri-Nova). Seus artigos aparecem na Análise Social, na Relações Internacionais, na Brazilian Journal of International Relations, na População e Sociedade, na Estudos Internacionais (PUC-Minas); na Austral: Journal of Strategy & International Relations, na Tempo e Argumento, na Dados: Revista de Ciências Sociais e na Tempo Social: Revista de Sociologia da USP.

Referências

Abbott, Andrew. (2001), Time matters: on theory and method. Chicago, University of Chicago Press.

Antunes, José F. (1993), Salazar e Caetano: cartas secretas: 1932-1968. Lisboa, Círculo de Leitores.

Bertaux, Daniel. (2001) “Biography and society”. In: Smelser, Neil & Baltes, Paul (Eds). The international encyclopedia of the social and behavioral sciences. Oxford, Pergamon/Elsevier Science, pp. 1210-1213.

Bourdieu, Pierre. (2007), A distinção: critica social do julgamento. São Paulo/Porto Alegre, Edusp/Zouk.

Bourdieu, Pierre. (2006) “A ilusão biográfica”. In: Amado, Janaína & Ferreira, Marieta de Moraes. Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro, Editora fgv, pp. 183-191.

Bourdieu, Pierre. (1980), “Le capital social”. Actes de la Recherche en Sciences Sociales, 31: 2-3.

Bourdieu, Pierre. (1989), O poder simbólico. Lisboa, Difel.

Bourdieu, Pierre. (1983), Sociologia. São Paulo, Ática.

Bourdieu, Pierre. (1986), “The forms of capital”. In: Richardson, J. Handbook of theory and research for the sociology of education. Westport, ct, Greenwood, pp. 241-58.

Bourdieu, Pierre & Passeron, J. (1992), A reprodução. Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves Editora.

Bourdieu, Pierre & Wacquant, Loic. (1992), An invitation to reflexive sociology. Chicago, University of Chicago Press.

Caetano, Marcelo (1933) “Carta dirigida a Exmo. Sr. Dr. Oliveira Salazar, C3”. In: Antunes, José F. (1993), Salazar e Caetano, cartas secretas (1932-1968). Lisboa, Círculo de Leitores, p. 93.

Caetano, Marcelo. (1938a), “La dottrina politico-sociale di salazar e lo spirito del nuovo stato portoghese”. Sep. de: Rivist Internazionale di Filosofia del Diritto, Roma, 18: 4-5.

Caetano, Marcelo. (1977), Minhas memórias de Salazar. Lisboa, Verbo.

Caetano, Marcelo. (1938b), O sistema corporativo. Lisboa, O Jornal do Comércio.

Caetano, Marcelo. (1941), Problemas da revolução corporativa. Lisboa, Império: Acção.

Castilho, José T. (2012), Marcelo Caetano: uma biografia política. Coimbra, Almedina.

Costa, L. & Santos, Y. (2020), “O ‘relato de vida’ como método das Ciências Sociais: Entrevista com Daniel Bertaux”. Tempo Social, 32 (1): 319-346. Disponível em https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2020.159702.

Leitão, Luís M. (2014), Marcelo Caetano: um destino. Lisboa, Quetzal.

Martinho, Francisco P. (2016), Marcelo Caetano. Uma biografia, 1906-1980. Lisboa, Objectiva.

Marx, Karl. (1852), “O 18 de Brumário de Louis Bonaparte”. In: Die Revolution, 1852/Marxists Internet Archive, 2003. Disponível em https://www.marxists.org/portugues/marx/1852/brumario/index.htm.

Mendes, Pedro Emanuel. (2012), Portugal e a Europa: Factores de afastamento e aproximação da política externa portuguesa (1970-1978). Porto: Cepese.

Mendes, Pedro Emanuel. (2018), “Identidade, ideias e normas na construção dos interesses em política externa: o caso português”. Análise Social, 227, liii (2): 458-487.

Mendes, Pedro Emanuel. (2019), “História, discurso político e liderança em Portugal: um diálogo interpretativo entre presente e passado à luz do Diário de Governo”. População e Sociedade, 32: 182-203.

Mendes, Pedro Emanuel. (2020a), “Marcelo Caetano”. In: Sousa, F. & Meireles, C. Os primeiros ministros de Portugal. Lisboa, incm.

Mendes, Pedro Emanuel. (2020b), “Os dilemas da renovação na continuidade e o legado de Marcello Caetano: do outono ao inverno”. Tempo e Argumento, 12 (29): e0205.

Mendes, Pedro Emanuel. (2020c), “Perceções e imagens na política externa do Estado Novo: a importância do triângulo identitário”. Dados: Revista de Ciências Sociais, 63 (3): e20190067. Ordem Nova. (mar. 1926), n. 1.

Ortiz, Renato, (1983) “A procura de uma sociologia da prática”. In: Bourdieu, Pierre. Sociologia. São Paulo, Ática, pp. 7.-37.

Pereira, Pedro, T. (1973). Memórias. Lisboa, Verbo.

Pinto, António, C. (2001), “O império do professor: Salazar e a elite ministerial do Estado Novo (1933-1945)”. Análise Social, xxxv (157): 1055-1076.

Pinto, António C. (1994), Os Camisas Azuis: ideologias, elites e movimentos fascistas em Portugal, 1914-1945. Lisboa, Editorial Estampa.

Prieto, Maria, H. (1992), A porta de marfim. Lisboa, Verbo.

Salazar, Oliveira. (1938), “Carta dirigida a Marcelo Caetano, S4”. In: Antunes, José F. (1993), Salazar e Caetano, cartas secretas (1932-1968). Lisboa, Círculo de Leitores, p. 98.

Sardinha, António. (1924), Ao princípio era o verbo. Ensaios e estudos. Lisboa, Portugália Editora.

Sewell Jr., William H. (2005), Logics of history: social theory and social transformation. Chicago, University of Chicago Press.

Silva, Giselda Brito; Gonçalves, Leandro Pereira & Parada, Maurício B. Alvarez (orgs.). (2010), Histórias da política autoritária: Integralismos, Nacional-Sindicalismo, Nazismo, Fascismos. Recife, ufrpe.

Downloads

Publicado

2021-04-28

Como Citar

Mendes, P. E. (2021). Marcelo Caetano, do idealismo da juventude à política real (1906-1944): uma teorização histórico-sociológica. Tempo Social, 33(1), 121-144. https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2021.170969

Edição

Seção

Artigos