A busca ecumênica de apoio aos adeptos dos cultos afro-brasileiros vitimados por intolerância

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2022.180036

Palavras-chave:

Cultos afro-brasileiros, Evangélicos, Intolerância religiosa, Ecumenismo, Direitos humanos

Resumo

O artigo aborda a intolerância religiosa sofrida por adeptos dos cultos afro-brasileiros e a busca de enfrentamento dessa realidade por parte de quatro organizações ecumênicas com relevância nacional. Elaborado com base em pesquisa de campo e consulta a documentos, o texto aponta dados da escalada agressiva no meio evangélico em relação a tais indivíduos, algo que problematiza a ideia de pluralismo religioso no Brasil em face do pequeno contingente não cristão e da intimidação à liberdade de culto. As entidades pesquisadas buscam, de algum modo, alargar a compreensão do ecumenismo para além das igrejas cristãs, ressaltando a necessidade de defesa dos direitos humanos.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • André Ricardo de Souza, Universidade Federal de São Carlos

    Doutor em sociologia pela Univeridade de São Paulo e professor associado do Departamento de Sociologia da UFSCAR.

Referências

Almeida, Ronaldo de. (1996), A universalização do Reino de Deus. 127 p. Campinas, dissertação de mestrado, Instituto de Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas.

Almeida, Ronaldo de. (2009), A Igreja Universal e seus demônios: um estudo etnográfico. São Paulo, Terceiro Nome e Fapesp.

Almeida, Silvio Luiz de. (2019), Racismo estrutural. São Paulo, Pólen.

Andreola, Balduíno A & Ribeiro, Mario Bueno. (2005), Andarilho da esperança: Paulo Freire no cmi. São Paulo, Aste. Asset. (1986), Identidade negra e religião: consulta sobre cultura negra e teologia na América Latina. Rio de Janeiro, Cedi; São Paulo, Liberdade.

Bastian, Jean-Pierre. (1997), “La dérégulation religieuse de l’Amérique Latine”. Problèmes d’ Amerique Latine: La diversification du religieux en Amérique latine – a propos de l’expansion des pentecôtismes, 24, pp. 3-16.

Birman, Patrícia. (2006), “Percursos afro e conexões sociais: negritude, pentecostalismo e espiritualidades”. In: Teixeira, Faustino & Menezes, Renata. As religiões no Brasil: continuidades e rupturas. Petrópolis, Vozes, pp. 189-205.

Chagas, Camila & Gualberto, Ana. (2019), Caminhos abertos para superar o ódio e a intolerância religiosa na Bahia. Rio de Janeiro, Fundação Heinrich Böll. Disponível em: https://koinonia.org.br/wp-content/uploads/2019/01/boll_relatorio_abrindo_final.pdf, consultado em 28/10/2020.

Colet, Raquel de Fatima. (2016), Rede Ecumênica de Juventude: memória, identidade e atuação no movimento ecumênico brasileiro. 149 p. Curitiba, dissertação de mestrado, Escola de Educação e Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Conic. (2017), “Relatório de atividades 2015-2016”. Disponível em: https://conic.org.br/portal/noticias/2327-relatorio-de-atividades-do-conic-2015-2016, consultado em 30/5/2020.

Deus, Lucas Obalera de. (2019), “Por uma perspectiva afrorreligiosa: estratégias de enfrentamento ao racismo religioso”. Rio de Janeiro, Fundação Heinrich Böll Disponível em: https://br.boell.org/sites/default/files/caderno_religiao_e_politica_lucas_de_deus_boll_brasil_. pdf, consultado em 31/10/2020.

Dias, Camila Caldeira Nunes. (2008), A igreja como refúgio e a Bíblia como esconderijo: religião e violência na prisão. São Paulo, Humanitas, 2008.

Fernandes, Nathália Vince E. (2017), “A raiz do pensamento colonial na intolerância religiosa contra religiões de matriz africana”. Revista Calandu, 1 (1): 117-136.

Fernandes, Silvia Regina Alves. (2015), “Sociologia da religião, pluralismos e intolerâncias: pautas contemporâneas”. Contemporânea: Revista de Sociologia da ufscar, 5 (2): 289-308.

Fonseca, Alexandre Brasil et al. (2016), Direitos Humanos e diversidade religiosa: experiências de diálogo. Brasília, SDH/PR.

Fonseca, Alexandre Brasil. (2018), “Primeiras análises dos dados do Relatório sobre Intolerância e Violência Religiosa no Brasil (2011-2015)”. In: Valois, Luislinda (org). Estado laico, intolerância e diversidade religiosa no Brasil. Brasília, Ministério dos Direitos Humanos, pp. 22-47.

Giumbelli, Emerson. (2003), “Liberdade religiosa no Brasil contemporâneo: uma discussão a partir do caso da Igreja Universal do Reino de Deus”. In: Lima, Roberto Kant de (org.). Antropologia e Direitos Humanos, 2. Niterói, EDUFF.

Lima, Lana Lage Da Gama et al. (2013), “Racismo e discriminação religiosa em Campos dos Goytacazes: as dificuldades na aplicação da Lei Caó”. Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política, 1 (1): 38-47.

Maggie, Yvone. (1992), Medo do feitiço: relações entre magia e poder no Brasil. Rio de Janeiro, Arquivo Nacional.

Mariano, Ricardo. (1999), Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo, Loyola.

Mariano, Ricardo. (2003), “Guerra espiritual: o protagonismo do diabo nos cultos neopentecostais”. Debates do NER, 4 (4): 21-34.

Matta, Roberto da. (1981), Relativizando: uma introdução à Antropologia Social. Petrópolis, Vozes.

Miranda, Ana Paula Mendes de. (2010), “Entre o privado e o público: considerações sobre a (in)criminação da intolerânciareligiosa no Rio de Janeiro”. Anuário Antropológico, 29 (2): 125-152.

Miranda, Ana Paula Mendes de & Boniolo, Roberta Machado. (2017), “‘Em público, é preciso se unir’: conflitos, demandas e estratégias políticas entre religiosos de matriz afro-brasileira na cidade do Rio de Janeiro”. Religião & Sociedade, 37 (2): 86-119.

Miranda, Ana Paula Mendes de et al. (2017), “Conciliação no papel: o tratamento dado aos casos de intolerância religiosa em Juizados Especiais Criminais no Rio de Janeiro”. Confluências: Revista Interdisciplinar de Sociologia e Direito, 18 (2): 21-43.

Moura, Damaris. (2018), “Desafios na promoção da tolerância religiosa”. In: Valois, Luislinda (org.). Estado laico, intolerância e diversidade religiosa no Brasil. Brasília, Ministério dos Direitos Humanos, pp. 108-114.

Muñoz, Manuel Alfonso Díaz. (2014), “Religião e multiculturalidade: o diálogo, categoria central na teologia contemporânea”. Revista de Educação do Cogeime, 23 (44): 85-101.

Oliveira, Ariadene Moreira Basílio de. (2017), Religiões afro-brasileiras e racismo: contribuição para a categorização do racismo religioso. 102 p. Brasília, dissertação de mestrado, Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos da Universidade de Brasília.

Oro, Ari Pedro. (2007), “Intolerância religiosa iurdiana e reações afro no Rio Grande do Sul”. In: Silva, Vagner Gonçalves da. (org.). Intolerância religiosa: impactos do neopencostalismo no campo religioso afro-brasileiro. São Paulo, Edusp, pp. 29-70.

Oro, Ari Pedro & Bem, Daniel F. de. (2008), “A discriminação contra as religiões afro-brasileiras: ontem e hoje”. Ciências & Letras, 44: 301-318.

Passos, João Décio. (2017), “Intolerância religiosa: mecanismos e antídotos”. Rever, 17 (3): 12-27.

Pessoa, Henrique. (2009), “A atuação cidadã na Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro no combate à intolerância religiosa”. In: Santos, Ivanir dos & Esteves Filho, Astrogildo (orgs.). Intolerância religiosa x democracia. Rio de Janeiro, Ceap, 2009.

Prandi, Reginaldo. (2013), “As religiões afro-brasileiras em ascensão e declínio”. In: Teixeira, Faustino & Menezes, Renata (orgs.). Religiões em movimento: o censo de 2010. Petrópolis, Vozes, pp. 203-218.

Rangel, Victor Cesar Torres de Mello. (2013), “Nem tudo é mediável”: a invisibilidade dos conflitos religiosos e as formas de administração de conflitos de pacificação social (mediação e conciliação) no Rio de Janeiro. Niterói, dissertação de mestrado, Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense.

Rolim, Francisco Cartaxo. (1990), “Igreja Pentecostal Deus é Amor”. Sinais dos Tempos: Diversidade Religiosa no Brasil – Cadernos do Iser, 23: 59-63.

Santos, Boaventura de Sousa. (2013), Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos. São Paulo, Cortez.

Santos, Ivair Augusto Alves dos. (2009), Direitos humanos e as práticas de racismo: o que faremos com os brancos racistas?. Brasília, tese de doutorado, Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de Brasília.

Schwarcz, Lília Moritz. (2019), Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo, Companhia das Letras.

Silva, Vagner Gonçalves da. (2007a). Intolerância religiosa: Impactos do neopentecostalismo no campo religioso afro-brasileiro. São Paulo, Edusp.

Silva, Vagner Gonçalves da. (2007b), “Neopentecostalismo e religiões afro-brasileiras: significados do ataque aos símbolos da herança religiosa africana no Brasil contemporâneo”. Mana, 13 (1): 207-236.

Souza, André Ricardo de et al. (2019), “Percursos do Diabo e seus papéis nas igrejas neopentecostais”. Horizonte Antropológico, 25 (53): 385-410.

Teixeira, Faustino. (1993), Diálogo de pássaros: nos caminhos do diálogo inter-religioso. São Paulo, Paulinas.

Valois, Luislinda (org). (2018), Estado laico, intolerância e diversidade religiosa no Brasil. Brasília, Ministério dos Direitos Humanos.

Vital da Cunha, Christina. (2014), “Religião e criminalidade: traficantes e evangélicos entre os anos 1980 e 2000 nas favelas cariocas”. Religião & Sociedade, 34 (1): 61-93.

Vital da Cunha, Christina. (2015), Oração de traficante: uma etnografia. Rio de Janeiro, Garamond.

Downloads

Publicado

2022-04-16

Edição

Seção

Artigos

Dados de financiamento

Como Citar

Souza, A. R. de. (2022). A busca ecumênica de apoio aos adeptos dos cultos afro-brasileiros vitimados por intolerância. Tempo Social, 34(1), 83-104. https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2022.180036