Um Estranho em Goa: viagem transitiva a um Oriente em demanda

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/va.v0i30.117489

Palavras-chave:

Corumbá, Brasil, Goa, Oriente – sujeitos transitivos – narrativa de viagens – ficcionalização do real – “zona de contacto”.

Resumo

A obra de José Eduardo Agualusa (Huambo, Angola, 1960) tem a particularidade de não se deter nem numa prática genológica (a sua bibliografia inclui romances, contos, crónicas, apontamentos narrativos e alguma poesia) nem numa área temática ou uma geografia – espacial, temporal ou cultural. Com efeito, as suas personagens são normalmente marcadas por descontinuidades geográficas e históricas, com trajectórias que se cruzam numa “perspectiva de contacto” que potencia conexões e interacções de vária ordem entre sujeitos diferentes, em espácio-temporalidades diversificadas. Tais arborescências ficcionais, sobretudo romanescas, embora nem sempre suficientemente amplificadoras para criar sentidos cosmopolitas, são construtoras de sujeitos transitivos e geradoras de significados transculturativos.  É o que acontece em Um Estranho em Goa, romance  que, oscilando entre narrativa de viagens e construção ficcional do real, apresenta diferentes modalidades da reinvenção da identidade goesa, trazendo à cena literária trânsitos e conexões orientais num processo de resgate das margens das representações político-ideológicas do outro, apresentado na sua outridade – portanto, como possibilidade do diverso.

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Biografia do Autor

Inocência Mata, Universidade de Macau / Universidade de Lisboa

Doutora em Letras e com pós-doutoramento em Estudos Pós-coloniais (Postcolonial Studies, Identity, Ethnicity, and Globalization,  Universidade de Califórnia, Berkeley/London School of Economics), é professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa na área de Literaturas, Artes e Culturas, estando presentemente  com licença especial para o exercício de funções transitórias na Universidade de Macau, onde é subdirectora do Departamento de Português da Faculdade de Artes e Humanidades e coordenadora do Programa de doutoramento, PhD in Literary and Intercultural Studies (Portuguese).  É membro do Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa (CEC), da Associação Portuguesa de Literatura Comparada (APLC), da Associação Internacional de Ciências Sociais e Humanas em Língua Portuguesa (AILP_csh),  da Associação Internacional de Estudos Literários e Culturais Africanos (AFROLIC, Brasil) e da Association por L’Étude des Literatures Africaines (APELA, França); Membro Fundador da União de Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe (UNEAS), Sócia Honorária da Associação de Escritores Angolanos (UEA) e Membro Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa – Classe de Letras; membro de conselhos científicos e editoriais de revistas de especialidade e membros de júris literários (Prémio CPLP, Fundação Calouste Gulbenkian, Prémio Camões, União dos Escritores Angolanos, entre outros).

Professora convidada de muitas universidades estrangeiras, é autora de diversos livros e artigos sobre literaturas em português e sobre a teoria pós-colonial. Algumas das suas obras são: Emergência e existência de uma literatura (1993), Diálogo com as Ilhas: sobre cultura e literatura de São Tomé e Príncipe (1998)), Literatura angolana: silêncios e falas de uma voz inquieta (2001), Laços de memória & outros ensaios sobre literatura angolana (2006),  A literatura africana e a crítica pós colonial  (2008), Polifonias insulares: cultura e literatura de São Tomé e Príncipe (2010), Francisco José Tenreiro: as múltiplas faces de um intelectual (2010), Ficção e história na literatura angolana (2011), A Rainha Nzinga Mbandi: história, memória e mito (2012) – para além de obras em co-autoria.

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Publicado

2016-12-28

Como Citar

Mata, I. (2016). Um Estranho em Goa: viagem transitiva a um Oriente em demanda. Via Atlântica, (30), 131-149. https://doi.org/10.11606/va.v0i30.117489

Edição

Seção

Dossiê 30: Goa - Literatura e Cultura 2