MODOS DE AMANHECER: INFLEXÕES DA ALBA NA POESIA PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/va.v0i37.172724

Palavras-chave:

alba, lírica medieval, poesia portuguesa contemporânea, modulação genérica

Resumo

No presente artigo, partindo de uma breve sondagem da tradição mitopoética e das convenções sémico-formais da alba medieval, examina-se o modo como três poetas portugueses contemporâneos – Natália Correia, Joaquim Manuel Magalhães e Pedro Sena-Lino – revisitaram, com variável grau de mimetismo e no contexto de idiomas poéticos diversos, o arquétipo do canto do amanhecer, compaginando-o com a sua poiesis e mitos pessoais. Combinando livremente módulos poéticos de ascendência trovadoresca, não é raro que os autores dos séculos XX-XXI procedam à sua refuncionalização ou inversão paródica, chegando a compor verdadeiras contra-albas.

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Biografia do Autor

Paulo Alexandre Pereira, Universidade de Aveiro

Paulo Alexandre Cardoso Pereira exerce funções como Professor Auxiliar no Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, desde 1991. É licenciado em Português/Inglês (Universidade de Aveiro, 1990), Mestre em Literatura Comparada (Universidade Nova de Lisboa, 1996) e Doutor em Literatura (Universidade de Aveiro, 2005). Tem lecionado várias disciplinas de licenciatura e de mestrado nas áreas de Literatura Portuguesa e de Literaturas de Língua Portuguesa e desenvolvido investigação em Literatura Portuguesa (medieval e contemporânea). Integrou a equipa de investigação dos projetos «Teografias: Literatura e Religião» e «A Fábula na Literatura Portuguesa: Catálogo e História Crítica». É investigador integrado no Centro de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Aveiro.

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Publicado

2020-12-21

Como Citar

Pereira, P. A. (2020). MODOS DE AMANHECER: INFLEXÕES DA ALBA NA POESIA PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA. Via Atlântica, (37), 400-430. https://doi.org/10.11606/va.v0i37.172724