Múltiplas subalternidades, múltiplas resistências: reflexões sobre mulheres, escrita e colonialismo a partir da escrita de Alda Espírito Santo

Autores

  • Noemi Alfieri Universidade Nova de Lisboa

DOI:

https://doi.org/10.11606/va.i39.181176

Palavras-chave:

Subalternidade, Resistência, Alda Espírito Santo, Colonialismo

Resumo

Este ensaio aborda a produção literária de intelectuais que se opuseram ao colonialismo português em África, reconhecendo o papel ativo que tais produções tiveram na história, os processos culturais e políticos que as influenciaram e suas repercussões. A trajetória da escritora são-tomense Alda Espírito Santo constitui uma oportunidade para pensar como múltiplas opressões (de classe, raça e género) foram experienciadas na época, assim como para repensar a marginalização destas intelectuais em relação aos colegas e companheiros de luta seus contemporâneos. Representa, ainda, um pretexto para pensar os limites da ideia de unificação das lutas que tem permeado algumas construções discursivas.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Noemi Alfieri, Universidade Nova de Lisboa

Researcher  - PhD Candidate - FCT Fellow
CHAM – Centro de Humanidades / Centre for the Humanities 
FCSH/NOVA-UAc

Referências

SANTO, Alda Espírito. Carta de Alda Espírito Santo sobre os massacres de São Tomé. In Um amplo movimento, V. I (até Fev. 1961), págs 504- 507.

AAVV, Um amplo movimento, Itinerário do MPLA através de documentos e anotações de Lúcio Lara. 3ª ed. revista e aumentada.Luanda: Associação Tchiweka de Documentação (ATD), 2017.

ALLMAN, Jean, GEIGER, Susan, MUSISI, Nakanyke (org). Women in African colonial histories. Bloomington: Indiana University Press, 2002.

BIHAN, Yann L. Catégoriser les femmes africaines en régime colonial. Eros et Thanatos désunis. In BOETSCH, Gilles Boetsch, BANCEL, Nicolas, (org). Sexualités, identités & corps colonisés. XVe siècle - XXIe siècle. Paris: CNRS Éditions, 2019.

CONCHIGLIA, Augusta. Agostinho Neto, da guerrilha aos primeiros anos da independência. Luanda: Fundação Agostinho Neto, 2019.

DAVIS, ANGELA. Women, race and class. New York: Random House, 1981.

GORJÃO, Vanda. Mulheres em tempos sombrios – oposição feminina ao Estado Novo. Lisboa: ICS, 2002.

HOOKS, bell. Ain' t I a Woman. Boston: South End Press, 1981.

CRAVEIRINHA, José. Cela 1. Lisboa: Edições 70, 1980.

KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação. Episódios de racismo quotidiano. Lisboa: Orfeu Negro, 2019.

LYONS, Tanya. Guerrilla Girls and Women in the Zimbabwean National Liberation Struggle. In GAIGER, Susan; MUSISI, Nakanyke (orgs.). Women in African Colonial Histories: An Introduction. Bloomington; Chesham: University Press, 2002. p. 305 - 326.

MARQUES, Aldina; DUARTE, Isabel Margarida; PINTO, Alexandra Guedes; PINHO, Catarina. A construção da identidade da Mulher em revistas do Estado Novo. Ex Aequo - Revista da Associação Portuguesa de Estudos Sobre As Mulheres, [S.L.], n. 39, p. 71-88, 15 jun. 2019. Associacao Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres - APEM. http://dx.doi.org/10.22355/exaequo.2019.39.05.

MARTINHO, Ana Maria. Reflexões em torno dos contributos literários na Mensagem da Casa dos Estudantes do Império. In Mensagem, 1944 – 1994. Lisboa: UCCLA, 2015

MATA, Inocência. Mulheres de África no espaço da escrita: a inscrição da mulher na sua diferença. In MATS, Inocência; PADILHA, Laura Cavalcante (orgs.). A mulher em África. Vozes de uma margem sempre presente. Lisboa: Edições Colibri, 2007.

MATA, Inocência. A Casa dos Estudantes do Império e o lugar da literatura na consciencialização política. Lisboa: UCCLA, 2015.

PADILHA, Laura Cavalcante. Novos pactos, outras ficções: ensaios sobre literaturas afro-luso-brasileiras. Porto Alegre: Edipucrs, 2002.

PIÇARRA, Maria do Carmo. Pele negra ou pele branca: máscara(s) da mulher imaginada pelo cinema colonial. Observatório, Lisboa, v. 9, nº 2, p. 173-187, 2015.

PIMENTEL, Irene Flunser. História das organizações femininas no Estado Novo. Lisboa: Círculo dos Leitores, 2000.

RODRIGUES, Isabel Fêo P. B. Rodrigues, SHELDON, Kathleen. Cape Verdean and Mozambican Women's Literature: Liberating the National and Seizing the intimate. African Studies Review, v. 53, n. 3, p. 77-99, dez. 2010.

ROLDÃO, Cristina. Feminismo negro em Portugal: falta contar-nos. falta contar-nos. 2019. 18 jan. 2019. Disponível em: https://www.publico.pt/2019/01/18/culturaipsilon/noticia/feminismo-negro-portugal-falta-contarnos-1857501. Acesso em: 20 jan. 2020.

SANKARA, Thomas. L’émancipation des femmes et la lutte de libération de l'Afrique. New York: Pathfinder, 2001.

SANTO, Alda Espírito. Aos combatentes da liberdade. in SANTO, Alda Espírito. É nosso o solo sagrado da terra. Lisboa: Ulmeiro, 1978.

SANTO, Alda Espírito. Oú sont-ils les hommes chassés par ce vent de folie? In Croissance des Jeunes nations, nº 103, 1970, Contido em ANTT/PT/PIDE-DGS/CI (2), Reg 4293, folha 193 e seguintes.

SANTO, Sílvia Espírito. Representações femininas do Império na Primeira Metade do Século XX. in Faces de Eva. Estudos sobre a mulher, Lisboa: Edições Colibri; Universidade Nova de Lisboa, n. 34, p. 89-104, 2015.

STUKI, Andres. Violence and Gender in Africa’s Iberian Colonies Feminizing the Portuguese and Spanish Empire, 1950s–1970s. Cambridge: Palgrave Mac Millan, 2019.

VERGÉS, Françoise. Un féminisme décolonial. Paris: La fabrique éditions, 2019.

Downloads

Publicado

2021-09-20

Como Citar

Alfieri, N. (2021). Múltiplas subalternidades, múltiplas resistências: reflexões sobre mulheres, escrita e colonialismo a partir da escrita de Alda Espírito Santo. Via Atlântica, (39), 268-297. https://doi.org/10.11606/va.i39.181176

Edição

Seção

Dossiê 39: Literatura, feminismos e história: imbricações possíveis

Dados de financiamento