O legado de Amílcar Cabral e a voz das mulheres no futuro africano: reflexões a partir do filme Nha fala do Bissau-Guineense Flora Gomes.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/va.i41.188138

Palavras-chave:

cinema africano, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Amílcar Cabral, feminismo

Resumo

O filme Nha Fala apresenta um presente e um futuro de esperança para a África, sobretudo para a sua população feminina. Apesar da laboriosidade e da competência de muitas, as mulheres são demasiadas vezes menosprezadas por uma sociedade marcadamente patriarcal. Interpretando o legado de Cabral, este filme mostra possibilidades de luta dentro de um sistema social que parece ter perdido os seus valores revolucionários, renegociando, através do raciocínio, vínculos com uma tradição nem sempre aliada ao progresso.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Matteo Gigante, Universidade de Lisboa. Faculdade de Letras

MATTEO GIGANTE (Roma – Itália) é, desde 2017, doutorando em Estudos Portugueses e Românicos, com especialidade em Estudos Brasileiros, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL). O seu projeto de Doutoramento “Eros e Ares nos Trópicos”, orientado pela Professora Alva Martínez Teixeiro, recebe o patrocínio da Universidade de Lisboa e da FLUL, através da Bolsa de Doutoramento BD 2017. Neste projeto, investigam-se principalmente narrativas brasileiras, produzidas a partir dos anos ’80, que abordam, heterogeneamente, questões ligadas aos temas da violência, da identidade nacional, do militarismo, das masculinidades e dos Estudos Queer. Nesta vereda, o projeto de pesquisa considera também as relações interartísticas, que influenciaram culturalmente a realidade brasileira e a sua produção literária, através de movimentos como, por exemplo, o Tropicalismo. Além disso, no início do ano académico 2020/2021, o discente realizou um estágio de pesquisa doutoral trimestral, vinculado ao centro de investigação “Cuerpo y Textualidad”, da Universidade Autónoma de Barcelona, orientado pelas Professoras Meri Torras Francès e Alva Teixeiro, ao abrigo do programa Erasmus+. Desde 2020 é investigador, convidado pela Professora Alva Teixeiro, no projeto “Artistas letrados e letrados artistas – Relações entre literatura e artes plásticas na modernidade contemporânea brasileira”, do CLEPUL. Neste sentido, devido ao interesse pelo tema das relações interartísticas, participou, em 2020, como ouvinte, do curso online “Artistas letrados e letrados artistas - relações interartes na literatura brasileira (séculos XX e XXI)”, organizado pela PUCRS e ministrado pela Professora Alva Teixeiro e em 2019 do “V Congresso Internacional de História, Literatura e Arte no Cinema em Espanhol e Português”, organizado pela Universidade de Salamanca (Espanha), onde moderou uma das mesas. Durante o Mestrado em Estudos Românicos na FLUL (2017), com especialidade em Estudos Brasileiros e Africanos, participou, em 2015, em um trimestre de pesquisa na Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (Brasil), orientado pelos Professores Alcir Pécora e Alva Teixeiro, financiado pelo programa VRERI50-FAEPEX INTERNACIONAL 2015, da UNICAMP. Deste projeto de investigação resultou a elaboração da Dissertação de Mestrado “Hilda Hilst e a 'obscena lucidez': entre receção e repressão”, orientada pela Professora Alva Teixeiro. Tendo realizado o Erasmus na FLUL, no início do ano académico 2012-2013, concluiu a Licenciatura em “Lingue e Letterature Moderne”, na Universidade de Roma “La Sapienza”, apresentando uma Tese, em Literatura Brasileira, orientada pela Professora Sonia Netto Salomão, intitulada “Graciliano Ramos: una memoria di aride storie” (2014). A sua área de investigação, alicerçada nas Literaturas de Língua Portuguesa, indaga amiúde as relações da Literatura com as outras Artes, com as Ciências Sociais e com os Estudos de Género. Além das Literaturas de Língua Portuguesa e das Literaturas Comparadas, o presente percurso académico abrangeu a Literatura Espanhola, Francesa e Italiana. Interessado, desde a infância, nas relações interculturais e, consequentemente, na aprendizagem e ensino das línguas, participou em numerosos cursos e intercâmbios linguísticos, chegando a ser estagiário no ensino da Língua Italiana e adquirindo em 2017 – através de um curso de formação, de um período de estágio e de um exame –, o título DITALS I, emitido pela Universidade para Estrangeiros de Siena-UNISTRASI (Itália), com especialidade no ensino aos estudantes universitários. Por outro lado, participou em numerosos eventos nacionais e internacionais no Brasil, no Peru, na África do Sul, em Portugal, em Espanha, na Bélgica, na República Checa e em Itália. Colaborou, em 2020, como parecerista, da “Revista de Ciências Sociais” da Universidade Federal do Ceará, onde realizou um período de pesquisa doutoral, no início do mesmo ano, orientado pelas Professoras Cristina Maria da Silva e Alva Teixeiro.

Referências

ARENAS, Fernando. Lusophone Africa on Screen. In __ (org). Lusophone Africa - Beyond Independence. London; Minneapolis: University of Minnesota Press, 2010, p. 103-157.

BORGES, Sónia Vaz, Amílcar Cabral : Estratégias Políticas e culturais para a independência da Guiné e Cabo Verde. 168 p. Dissertação (Mestrado em História de África) - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Lisboa, 2008. Disponível em:

< https://repositorio.ul.pt/handle/10451/411>. Acesso em: 8 maio 2021

BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. Lisboa: Glaciar, 2014.

BUESCU, Helena Carvalhão. Experiência do incomum e boa vizinhança - Literatura Comparada e Literatura - Mundo. Porto: Porto editora, 2013.

CABRAL, Amílcar. A propósito de Educação, Boletim de Propaganda e Informação. Ano II, n. 21, junho de 1951. In: Fundação Mário Soares / DAC - Documentos Amílcar Cabral. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_44504> . Acesso em: 9 maio 2021

CABRAL, Amílcar. As Mulheres - Na frente da nossa vida e da nossa luta! (s.d.), não p. In: Fundação Mário Soares / DAC - Documentos Amílcar Cabral. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_41189>. Acesso em: 9 maio 2021

CARELLI, Fabiana. Cantam pretos, dançam brancos: coreografia da colonização em Nha fala, de Flora Gomes. Revista Literartes. v.1, n.1, 2012. Disponível em: <http://revistas.fflch.usp.br/literartes/article/view/509/456>. Acesso em: 18 maio 2021

GOMES, Flora. Nha Fala. Portugal/França/Luxemburgo/Suíça, 2002, 110 min, cor, ficção.

LEITE, Ana Mafalda. A Escrita Reinventando a História e a Nação. In: União dos Escritores Angolanos. [s.l.]. ([2015]). Disponível em: <https://www.ueangola.com/criticas-e-ensaios/item/1286-a-escrita-reinventando-a-historia-e-a-nacao>. Acesso em: 08 maio 2021.

LIMA, Kelly Mendes. Utopia e distopia na obra cinematográfica Nha Fala. Parágrafo -FIAMFAAM. v. 1 n. 1, 2013. Disponível em: <http://revistaseletronicas.fiamfaam.br/index.php/recicofi/article/view/111 >. Acesso em: 11 maio 2021.

MELEIRO, Alessandra (Org.), Cinema no Mundo: Indústria, política e mercado. São Paulo: Escrituras, 2007. Vol. I, África.

OLIVEIRA. Jusciele C. Almeida de. Tempos de paz e de guerra: dilemas da contemporaneidade no filme Nha Fala, de Flora Gomes. 186 f., Dissertação (Mestrado em Literatura e Cultura) - Universidade Federal da Bahia. Salvador, 2013. Disponível em: < https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/28921>. Acesso em: 8 maio 2021.

RIBEIRO, Giselle Rodrigues. Nha fala, uma festa do tradicional com o moderno. Revista África e Africanidades, Rio de Janeiro, ano 3, n. 9, mai. não p. 2010. Disponível em: <http://www.africaeafricanidades.com/documentos/Nha_fala.pdf>. Acesso em: 8 maio 2021.

WATKINS, Claire Andrade. Le Cinema Africain Lusophone : perspectives historiques et contemporaines de 1969 à 1993, Ecrans d'Afrique, n. 13-14, p. 109-124, 1995.

Downloads

Publicado

2022-07-28

Como Citar

Gigante, M. (2022). O legado de Amílcar Cabral e a voz das mulheres no futuro africano: reflexões a partir do filme Nha fala do Bissau-Guineense Flora Gomes. Via Atlântica, 23(1), 290-318. https://doi.org/10.11606/va.i41.188138

Edição

Seção

Dossiê 41: Margens do Atlântico em Português