“O falso Deus adora o verdadeiro": Pepetela e Camões em diálogo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/va.i42.192409

Palavras-chave:

Luís de Camões, Os lusíadas, Pepetela, Grandes pássaros de asas abertas

Resumo

O presente artigo analisa o conto “Grandes pássaros de asas abertas”, do angolano Pepetela, à luz da literatura comparada, uma vez que tal narrativa evoca o Canto V de Os lusíadas, de Camões, especialmente os feitos que antecedem e são desenvolvidos no famoso episódio do Gigante Adamastor. Munidos de um referencial teórico eclético, buscaremos evidenciar quais os pontos paródicos do conto, para que os pontos de crítica política fiquem evidentes. Nesse sentido, destacam-se o modo como a narrativa de Pepetela acompanha a dinâmica fabulativa do episódio camoniano em todos os seus momentos: a chegada dos portugueses, a tentativa de escambo, o embróglio com Veloso, o Gigante Adamastor e a disputa dos deuses. Desse modo, o próprio tratamento do maravilhoso, em ambas as obras, requer esclarecimentos. Almejamos oferecer uma abertura maior para a compreensão do conto, que se atualiza constantemente no conhecimento do canto da epopeia e também dos movimentos históricos e políticos.

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Biografia do Autor

Diego Gomes do Valle, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (Campus de Pato Branco), Pato Branco, Paraná, Brasil

Doutor em Teoria e História Literária (UNICAMP), Professor Substituto da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (Campus de Pato Branco).  Orcid: https://orcid.org/0000-0003-1539-1852. E-mail: diegouab@gmail.com

 

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Publicado

2022-12-15

Como Citar

Valle, D. G. do. (2022). “O falso Deus adora o verdadeiro": Pepetela e Camões em diálogo. Via Atlântica, 1(42), 199-228. https://doi.org/10.11606/va.i42.192409

Edição

Seção

Dossiê 42: Os Lusíadas 450 anos