O cânone libertino setecentista, um produto do século XIX português?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/va.i43.197121

Palavras-chave:

libertinos, Bocage, censura, cânone

Resumo

Bocage e outros poetas contemporâneos cuja obra é considerada representativa da poesia libertina em Portugal tiveram de lidar com os efeitos da censura contínua do seu tempo. Uma boa parte da sua obra circulou clandestinamente ou permaneceu inédita até à primeira metade do século XIX. É nesse contexto que a persistência desses textos e o interesse que despertaram nos poetas e editores oitocentistas conduziram ao aparecimento de algumas obras fundamentais. Neste texto, defende-se a ideia de que a tradição libertina portuguesa setecentista, em termos de integração no cânone literário português, é um produto da dinâmica literária e editorial resultante do triunfo do Liberalismo.

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Biografia do Autor

Rui Sousa, Universidade de Lisboa

Investigador Contratado do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CLEPUL).  concluiu Licenciatura em Estudos Portugueses e Mestrado em Estudos Românicos – Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea – pela FLUL. Obteve o seu Doutoramento em Estudos de Literatura e de Cultura pela mesma universidade, em 2019, com uma tese dedicada ao conceito de Libertino na obra de Luiz Pacheco. Publicou ensaios sobre Ronald de Carvalho e Eduardo Guimaraens na antologia 1915: O Ano do Orpheu, coordenada por Steffen Dix, e colaborou em números recentes da Pessoa Plural e em eventos organizados pelo Projecto Estranhar Pessoa e pela Casa Fernando Pessoa. Publicou em 2016 o livro, A Presença do Abjecto no Surrealismo Português. Colaborou no projeto do CLEPUL dedicado ao estudo da Cultura Negativa, nomeadamente no Dicionário dos Antis (2018), e organizou vários eventos científicos, como os Congressos Internacionais dedicados a Fialho de Almeida (2011), aos Surrealismos em Portugal (2013) e às Antologias de Poesia Portuguesa (2021) e a Jornada Manuel de Castro (2021). Co-organizador do Congresso CosmoLiteratures (2022). 

Manuel P. Fernandes, Universidade de Lisboa

Licenciado em Estudos Portugueses e Mestre em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É membro do Centro de Estudos Bocageanos, tendo como focos de investigação a literatura portuguesa pós-pombalina e o pensamento filosófico e literário japonês

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Publicado

2023-04-28

Como Citar

Sousa, R., & Fernandes, M. P. . (2023). O cânone libertino setecentista, um produto do século XIX português?. Via Atlântica, 24(1), 18-47. https://doi.org/10.11606/va.i43.197121

Edição

Seção

Dossiê 43: Sexo e sensibilidades eróticas na literatura luso-brasileira de Oitoc

Dados de financiamento