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Como, por que e para que, nos dia de hoje, a sociedade criou e sustenta um influenciador digital?

Release de Margareth Artur para o Portal de Revistas da USP, São Paulo, Brasil

Atualmente, “no rol da fama”, brilham não só os atores de novelas ou filmes, pintores e músicos famosos, grandes escritores, políticos, professores ou figuras notáveis de história. Neste nosso século em que a tecnologia anda cada vez mais rápida, a passos largos, surge uma personagem criada por várias mídias sociais pelas quais alguns se consideram “cercados”: os chamados “influenciadores” digitais, ou seja, alguém que defende uma ideia, uma filosofia, um curso, a venda de um produto, enfim, que torne ou argumente, com recursos inovadores ou inusitados e inesperados, aquilo que se fala como verdade absoluta, veiculando o marketing escolhido por canais como Facebook, Instagram, Youtube, até mesmo o conhecido “zap”.

Influenciar significa influir, sugestionar, persuadir, de acordo com os conhecidos significados que todos conhecem. Atualmente, nas mídias digitais, porém, deparamo-nos com as figuras dos “influenciadores”, entendidos, hoje, como aqueles que, muitas vezes, sem o público/leitor/ouvinte perceber conscientemente,”dita regras”: muitas vezes sociais, culturais e políticas por meio de programas, vídeos e canais. Esse é o tema do ensaio que a revista RuMoRes aborda, deixando claro que o autor, para captar essa singularidade, “estabelece um contraste com outras figuras da  literatura em ciências sociais: o intelectual, os mediadores simbólicos, as celebridades. É no contraponto entre essas categorias que a  dimensão da “influência” se explicita“.

Ortiz ressalta que tanto os intelectuais quanto os mediadores simbólicos – estes que divulgam, por exemplo, “as revistas de design […], um tipo de gosto artístico (o que é belo,  elegante, fino), ou os programas de televisão sobre gastronomia” -, independem da internet. As “mensagens” são transmitidas por livros, revistas e vídeos. Mas, os influenciadores, por sua vez, não sobrevivem sem a Internet: “os influenciadores são prisioneiros da digitalidade que lhes permite existir“. Renato Ortiz tece um pequeno panorama histórico sobre a velocidade do surgimento das “novidades” digitais, com o aparecimento dos aplicativos interativos nas redes sociais, a produção dos textos e vídeos, que se torna vertiginosa à medida em que os influenciadores ganham notoriedade e persuadem fortemente o público receptor.  

Os influenciadores tornam-se assim pequenas celebridades, habitam os jornais, revistas, programas de televisão, e, claro, a internet“, afirma o autor, questionando: será que estamos diante de uma nova profissão? No sentido de compreender-se melhor a palavra “influenciador”, Ortiz compara essa figura com os intelectuais e mediadores simbólicos, visto nos informar que, no caso dos intelectuais, por exemplo, estes “dão sentido ao mundo”, por intermédio de uma ideologia que explicam o mundo […] que dão coerência ao que se encontra disperso“. Os influenciadores, por seu lado, repassam, mastigados e tendenciosos, o que já existe, em todos os campos do conhecimento, ao público. Uma característica que difere o influenciador dos intelectuais é a obrigatoriedade da expressiva audiência.

Assim, quanto maior o número de seguidores e maior o número de likes, maior é a fama e o consequente retorno financeiro do influenciador. Para o autor, “a aproximação entre influenciadores e mercado nada  tem de surpreendente, eles se completam“. Outra característica é a necessária interatividade que o influenciador deve estabelecer com seu público, visando persuadi-lo emocionalmente para alcance de seus objetivos: conversar, interessar-se, ouvir quem está disposto a ser um seguidor em potencial, conquistando, assim, a esperada visibilidade. Finalizando, fica patente o intuito do autor em propor uma reflexão sobre o “influenciador” ao pôr em pauta o contraste com os intelectuais, os mediadores simbólicos e as celebridades: “é no contraponto entre essas categorias que a dimensão da ‘influência’ se explicita“.

Artigo

ORTIZ, R. Influenciadores, intelectuais, mediadores simbólicos. RuMoRes, São Paulo, [S. l.], v. 16, n. 31, p. 279-289, 2022. ISSN: 1982-677X. DOI: http://www.doi.org/10.11606/issn.1982-677X.rum.2022.200396. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/Rumores/article/view/200396. Acesso em: 17 ago. 2022.

Contato

Renato Ortiz -Professor titular da Universidade Estadual de Campinas e autor dos livros: Trajetos e Memórias, Universalismo e Diversidade, O Universo do Luxo e Sobre o Trabalho Intelectual.

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