“Clara como céu, escura como água do Luembe”: trajetórias, usos e significados das contas de vidro entre as populações da África Centro-Ocidental (Lunda, 1884-1888)

Autores

  • Márcia Cristina Pacito Fonseca Almeida Universidade de São Paulo; Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-02672017v25n02d03

Palavras-chave:

Contas vítreas, Henrique de Carvalho, África Centro-Ocidental, Cultura material, Relatos de viagem

Resumo

Este artigo tem por objetivo explorar a polissemia das contas de vidro entre as sociedades centro-ocidentais africanas descritas pelo expedicionário português Henrique Augusto Dias de Carvalho em sua incursão pela região da Lunda (África Centro-Ocidental) no final do século XIX. Por meio das narrativas sobre as populações africanas e de aspectos de sua cultura material registrados pelo viajante europeu, buscamos discutir os múltiplos usos sociais, culturais, políticos e econômicos que as chamadas contas vítreas alcançaram entre os grupos locais, relativizando, por sua vez, determinadas interpretações que concebiam tais artigos como meras “bugigangas” solicitadas pelos povos centro-africanos. Reconhecidas como um dos itens indispensáveis por figuras como expedicionários, mercadores e missionários que almejavam percorrer diferentes territórios africanos, as contas de vidro possibilitam compreender as distintas formas de inserção desses objetos no cotidiano das populações centro-ocidentais africanas. Partindo desta chave analítica, que privilegia o entendimento dos fenômenos de apropriação e ressignificação de artigos europeus, especificamente as contas, no universo social das populações locais, o presente artigo visa ressaltar as potencialidades dos estudos da cultura material para uma compreensão mais aprofundada das interações estabelecidas entre europeus e africanos no final do século XIX.

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Publicado

2017-08-01

Edição

Seção

Estudos de Cultura Material/Dossiê

Como Citar

ALMEIDA, Márcia Cristina Pacito Fonseca. “Clara como céu, escura como água do Luembe”: trajetórias, usos e significados das contas de vidro entre as populações da África Centro-Ocidental (Lunda, 1884-1888). Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 25, n. 2, p. 55–82, 2017. DOI: 10.1590/1982-02672017v25n02d03. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/anaismp/article/view/139690.. Acesso em: 28 maio. 2024.