Parque do Flamengo: projetar a cidade, desenhando patrimônio

Autores

  • Márcia Regina Romeiro Chuva Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-02672017v25n0305

Palavras-chave:

Parque do Flamengo, Patrimônio paisagístico, Reformas urbanas, Rio de Janeiro, Patrimônio mundial, Iphan

Resumo

Trata-se de uma narrativa sobre o processo de patrimonialização do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro, tombado em 1965 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan. O Parque foi projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy e o paisagista Roberto Burle Marx, ligados à “escola carioca” de arquitetura moderna. O artigo estabelece conexões entre esse processo e a constituição do campo arquitetônico no Brasil, abordando as políticas de proteção de bens arquitetônicos e paisagísticos modernos promovidas pelo Iphan. Essas análises estão situadas no bojo do intenso processo de reformas urbanas implementadas na cidade do Rio de Janeiro, no governo de Carlos Lacerda, primeiro governador do estado da Guanabara, no conturbado contexto político nacional de golpe militar e instalação do regime autoritário no Brasil. O artigo explora ainda os valores de patrimônio acionados na preservação do Parque do Flamengo no contexto em que o Rio de Janeiro torna-se palco de grandes eventos esportivos e recebe o título da Unesco de Patrimônio Mundial na categoria de Paisagem Cultural, ao passo que a agenda contemporânea do campo do patrimônio coloca na ordem do dia o debate sobre a sua função social. Espera-se contribuir com reflexões sobre patrimônio na chave do direito à cidade, problematizando o tradicional confronto entre preservação cultural e especulação imobiliária. O material empírico privilegiado foi o processo de tombamento do Parque do Flamengo e as atas do Conselho Consultivo do Iphan relacionadas ao assunto.

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Biografia do Autor

  • Márcia Regina Romeiro Chuva, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

    Professora do Departamento de História e do Programa de Pós- Graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (PPGH-UNIRIO) e do Mestrado Profissional em Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – PEP-IPHAN. Doutora em História pela Universidade Federal Fluminense (1998), com Pós-Doutorado na Universidade de Coimbra (2015). Email: marciachuva@gmail.com

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Publicado

2017-09-01

Edição

Seção

Estudos de Cultura Material/Dossiê

Como Citar

CHUVA, Márcia Regina Romeiro. Parque do Flamengo: projetar a cidade, desenhando patrimônio. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 25, n. 3, p. 139–166, 2017. DOI: 10.1590/1982-02672017v25n0305. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/anaismp/article/view/146196.. Acesso em: 18 maio. 2024.