São Luiz do Paraitinga: em que medida iluminista?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-02672021v29d1e28

Palavras-chave:

História da urbanização, Arqueologia da paisagem, Séculos XVIII e XIX, São Luiz do Paraitinga, Patrimônio cultural

Resumo

São Luiz do Paraitinga ficou conhecida nacionalmente depois do desastre que a assolou em 2010. Parte de seu casario tombado e da igreja Matriz ruíram ou ficaram gravemente avariados por uma enchente, obrigando várias instituições públicas a trabalharem em conjunto para minimizar os danos. Nesse contexto, ocorreu o tombamento emergencial da cidade em âmbito federal, cuja justificativa principal foi a filiação de seu traçado e de sua arquitetura aos preceitos iluministas em voga na época, que nortearam uma série de outros
núcleos na segunda metade do século XVIII. Embora o Iphan venha atuando na cidade desde a década de 1950, e o Condephaat desde o momento de sua criação, na década de 1960, poucos estudos procuraram entender a história de seu patrimônio edificado. Assim, passada uma década do desastre e de seu tombamento federal, este artigo tem o objetivo de reler parte da documentação primária remanescente e lançar novos olhares sobre a criação e desenvolvimento dessa cidade, hoje patrimônio nacional.

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Biografia do Autor

Diogo Fonseca Borsoi, Universidade de São Paulo. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

Professor de história no Instituto Federal Baiano e doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
da Universidade de São Paulo (FAU-USP). E-mail: dfbfonseca@gmail.com

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Publicado

2021-07-12

Como Citar

Borsoi, D. F. (2021). São Luiz do Paraitinga: em que medida iluminista?. Anais Do Museu Paulista: História E Cultura Material, 29, 1-43. https://doi.org/10.1590/1982-02672021v29d1e28

Edição

Seção

ECM/Dossiê: História da Urbanização no Brasil

Dados de financiamento