Transubstanciação simbólica do uniforme de trabalho em signo de prestígio

Autores

  • Rita de Cássia Pereira Farias Universidade Federal de Viçosa

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0101-47142010000200007

Palavras-chave:

Uniforme de trabalho, Investimento simbólico, Usos sociais, Usiminas, Ipatinga

Resumo

O artigo analisa os usos sociais e significados simbólicos presentes no uniforme de trabalho usado pelos funcionários da Usiminas - siderúrgica sediada em Ipatinga (Mg). Esse uniforme é um dos maiores símbolos de prestígio na região, vestido por todos os funcionários, independentemente do nível hierárquico ou gênero (sob justificativa de nivelar todos, até mesmo o presidente da companhia o usa). A realidade em estudo revela um paradoxo entre a necessidade de igualar, pela roupa, os trabalhadores e a hierarquia na empresa, que aponta para diferenças. Para desvelar o universo simbólico ao qual o uniforme se liga, a análise articula antropologia simbólica, cultura material e história social, recuperando o percurso histórico quanto à adoção dos uniformes nas fábricas brasileiras, bem como o contexto em que a Usiminas foi implantada. No processo de disputas simbólicas no espaço urbano, o uniforme foi útil para moldar comportamentos e "civilizar" os operários. Apesar do controle exercido pelo uniforme, os privilégios conseguidos por meio dele transformam-no em símbolo de status. Os dados evidenciam que, mais que um material inerte, destinado a proteger os trabalhadores, o uniforme materializa relações de gênero e de classe, e adquire uma vida social essencialmente dinâmica, "impregnada" de memórias, sonhos e conquistas, além de ser marcado por perseguições, demissões, medo e dor.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2010-12-01

Edição

Seção

Estudos de Cultura Material

Como Citar

FARIAS, Rita de Cássia Pereira. Transubstanciação simbólica do uniforme de trabalho em signo de prestígio . Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 18, n. 2, p. 263–284, 2010. DOI: 10.1590/S0101-47142010000200007. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/anaismp/article/view/5538.. Acesso em: 20 jun. 2024.