Quando Anatole France e Gilberto Freyre leram Pierre Loti

Autores

  • Camila Geovanna Alves da Silva Universidade Federal de Pernambuco

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i36p178-193

Palavras-chave:

Orientalismo, Literatura francesa, Colonialidade, Sexismo

Resumo

O que aproxima Anatole France de Gilberto Freyre? Além de escritores, ambos eram leitores do romancista francês Pierre Loti. No entanto, essas não todas as suas similaridades. Neste artigo, analiso a influência do Orientalismo na prosa ficcional de Pierre Loti sobre a produção intelectual de Gilberto Freyre e a crítica literária de Anatole France, e busco evidenciar como o discurso orientalista reproduzido pelos três autores em diferentes contextos (literário, analítico e sociológico) envolve a tecnologia da racialização e de hierarquização do gênero. Para tanto, fundamento meu trabalho no aporte teórico dos estudos de Said (2007), Yeğenoğlu (1998), Segato (2018, 2021) e Castro-Gómez (2019) sobre Orientalismo e tecnologias de gênero e racialização.  

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Camila Geovanna Alves da Silva, Universidade Federal de Pernambuco

Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). E-mail: macunamila@gmail.com

Referências

CASTRO-GÓMEZ, Santiago. El tonto y los canallas: notas para un republicanismo transmoderno. Bogotá: Editorial Pontificia Universidad Javeriana, 2019.

FRANCE, Anatole. L’amour exotique: Madame Chrysanthème. In: FRANCE, Anatole. La vie littéraire. Paris: Calmann-Lévy, 1921. p. 356-363.

FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. São Paulo: Global, 2003.

FREYRE, Gilberto. Tempo morto e outros tempos: trechos de um diário de adolescência e primeira mocidade (1915-1930). São Paulo: Global, 2005.

FREYRE, Gilberto. Nordeste. São Paulo: Global, 2013.

HALLAQ, Wael B. Restating Orientalism: A Critique of Modern Knowledge. New York: Columbia University Press, 2018.

KONTOPOULOS, Kyriakos. The logics of social structure. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.

LOTI, Pierre. Aziyadé (suivi de) Fantôme d’Orient. Paris: Éditions Gallimard, 1990.

LOTI, Pierre. Le roman d’un spahi. Paris: Éditions Gallimard, 2018.

MELO, Alfredo Cesar. Crítica da razão nacional-ocidentalista: por uma nova abordagem pós-colonial nos estudos brasileiros. Alea, Rio de Janeiro, v. 22, n. 2, p. 17-40, mai-ago. 2020.

SAID, Edward. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

SCHWARZ, Roberto. Ao vencedor as batatas. São Paulo: Duas Cidades; Ed. 34, 2000.

SEGATO, Rita. Contra-pedagogías de la crueldad. Buenos Aires: Prometeo Libros, 2018.

SEGATO, Rita. Crítica da colonialidade em oito ensaios: e uma antropologia por demanda. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

SIBAI, Sirin Adlbi. La cárcel del feminismo: hacia un pensamento islámico decolonial. Madrid: Edicionesakal, 2016.

SOUZA, Arlindo José Reis de. Os Orientes e Ocidentes de Freyre: tópica Orientalista em Casa-grande & Senzala e o Ocidente em Sobrados e Mucambos. Revista de estudios brasileños, Salamanca/São Paulo, v. 7, n. 14, p. 153-167, ago. 2020.

XAVIER, Ângela Barreto; ŽUPANOV, Ines G. Catholic Orientalism: Portuguese Empire, Indian Knowledge (16th-18th Centuries). Oxford: Oxford University Press, 2015.

YEĞENOĞLU, Meyda. Colonial fantasies: Toward a feminist reading of Orientalism. Cambridge: Cambridge University Press, 1998.

ZAYZAFOON, Lamia Ben Youssef. The production of the muslim woman: negotiating text, history, and ideology. Nova York: Lexington Books, 2005.

Downloads

Publicado

2023-10-26

Como Citar

Silva, C. G. A. da . (2023). Quando Anatole France e Gilberto Freyre leram Pierre Loti. Revista Criação & Crítica, (36), 178-193. https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i36p178-193