Todos os nomes que o acaso tem: a descoberta de si pelo outro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2175-3180.v14i27p154-173

Palavras-chave:

Todos os nomes, Alteridade, Acaso

Resumo

O romance Todos os nomes, publicado em 1997, possui relevante entrada na produção do autor: é posterior ao remodelamento de sua narrativa ocorrido em 1995 com Ensaio sobre a cegueira e é imediatamente anterior ao laureamento com o prêmio Nobel. A narrativa apresenta como protagonista um indivíduo assolado pelo enfado causado pela rotina e pela solidão de seu trabalho na Conservatória Geral. Com uma personalidade moldada e construída pelas relações capitalistas, o acaso será o responsável por colocá-lo em contato com o ficheiro da mulher desconhecida, o que desestabilizará a construção identitária de funcionário padrão, provando que “É necessário sair da ilha para ver a ilha” (SARAMAGO, 2012, p.41). Nesse sentido, a leitura que se pretende neste artigo busca corroborar certa constatação frequente nos romances saramaguianos desta segunda fase, a de que o homem é o único redentor de si, mas de que essa via passa quase sempre pelo outro.

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Biografia do Autor

  • Adriana Gonçalves da Silva, Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG

    Doutoraem Estudos de Literatura pela Universidade Federal Fluminense. Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Viçosa. Professorade Literatura Portuguesa e Brasileira da Universidade do Estado de Minas Gerais.

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Publicado

2022-09-20

Como Citar

Silva, A. G. da. (2022). Todos os nomes que o acaso tem: a descoberta de si pelo outro. Revista Desassossego, 14(27), 154-173. https://doi.org/10.11606/issn.2175-3180.v14i27p154-173