O valor estatístico de uma vida

estimativas para o Brasil

Palavras-chave: Valor estatístico de uma vida, Diferenciais salariais compensatórios, Acidentes de trabalho, Empregos de risco, Dados em paineil

Resumo

Este artigo busca estimar os diferenciais compensatórios recebidos pelos trabalhadores brasileiros utilizando-se um painel de dados individuais construído a partir do Registro Anual de Informações Sociais (RAIS) no período 2012 a 2015. Para este fim, primeiramente, se constrói variáveis relacionadas às taxas de acidentes do trabalho (fatal, lesão e doença) para as subclasses da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) e estima-se a função de salários hedônicos para diferentes amostras de trabalhadores, juntamente com o cálculo do valor estatístico de uma vida (VSL) para cada caso. Os resultados mostram que para os homens em geral, o VSL varia entre R$4,453 milhões e R$5,195 milhões, enquanto que para os homens blue-collars esta variação é entre R$2,895 milhões e R$4,009 milhões. Por outro lado, para as mulheres em geral, o VSL oscila entre R$2,354 milhões e R$3,424 milhões, e entre R$3,399 milhões e R$3,936 milhões para as mulheres blue-collars, ou seja, um comportamento oposto ao observado para os homens. Ademais, constata-se que o VSL médio calculado para o Brasil está muito abaixo do obtido para a maioria dos países, inclusive dos países em desenvolvimento.

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Biografia do Autor

Rafael Mesquita Pereira, Universidade Federal do Rio Grande

Professor − Universidade Federal do Rio Grande.

Alexandre Nunes de Almeida, Universidade de São Paulo. Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"

Doutor em Economia pela "Agricultural and Resource Economics" da University of Connecticut (EUA). Professor Associado da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ) da Universidade de São Paulo (USP).

Cristiano Aguiar de Oliveira, Universidade Federal do Rio Grande

Doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Professor do Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada da Universidade Federal do Rio Grande – FURG

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Publicado
2020-06-30
Seção
Artigo