Geologia, mineralogia, inclusões fluidas e gênese dos depósitos de titanita-epidoto de Capelinha, Minas Gerais

  • Mario Luiz de Sá Carneiro Chaves Departamento de Geologia, Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
  • Eder Luiz Tolentino Junior Departamento de Geologia, Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
  • Coralie Heinis Dias Departamento de Geologia, Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
  • Antônio Wilson Romano Departamento de Geologia, Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
Palavras-chave: Titanita, Epidoto, Capelinha, Minas Gerais.

Resumo

Nas proximidades da cidade de Capelinha, Minas Gerais, ocorrem depósitos de titanita-epidoto associados a veios pegmatoides ricos em albita e/ou adulária, nos arredores de duas localidades principais conhecidas como Campo do Boa e Fanadinho. Tais depósitos estão hospedados em um xisto metavulcânico básico, rico em titânio, composto principalmente por albita, epidoto, actinolita, titanita e quartzo, relacionado à Formação Capelinha (Grupo Macaúbas), de idade toniana; o protólito dessa rocha foi determinado como um álcali-basalto, que foi metamorfisado em fácies anfibolito. Os veios apresentam espessura que varia entre alguns decímetros até cerca de 4 m, e são constituídos principalmente por albita, parcial a inteiramente caulinizada na área do Fanadinho, onde também são mais ricos em epidoto. Quartzo é raro, enquanto as micas são ausentes. Análises por difração de raios X, fluorescência de raios X e microssonda eletrônica, além de estudos de inclusões fluidas, permitiram caracterizar a titanita e minerais associados nesses depósitos. A titanita e, mais raramente, o epidoto podem formar drusas excepcionais, muito apreciadas por colecionadores de minerais, cujos monocristais em geral maclados podem alcançar alguns centímetros ao longo do eixo “c”. Outros minerais importantes nesses veios, embora incomuns, são apatita, ilmenita e actinolita. Estudos de inclusões fluidas indicaram uma temperatura mínima de cristalização na faixa de 300 a 450ºC. Em termos genéticos, tal mineralização relacionase, primeiramente, à extrusão dos basaltos ricos em titânio, os quais foram metamorfisados no Ciclo Brasiliano (± 570 Ma), com provável formação e enriquecimento de titanita. As temperaturas mínimas de aprisionamento das inclusões fluidas encontradas são plenamente compatíveis com as condições de fácies anfibolito. Esses dados indicam que os fluidos hidrotermais percolaram as rochas encaixantes ainda no processo de metamorfismo, provavelmente ao final desse processo. 

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Publicado
2018-02-07
Como Citar
Chaves, M. L., Tolentino Junior, E. L., Dias, C., & Romano, A. (2018). Geologia, mineralogia, inclusões fluidas e gênese dos depósitos de titanita-epidoto de Capelinha, Minas Gerais. Geologia USP. Série Científica, 17(4), 3-18. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9095.v17-124587
Seção
Artigos