As diferenças entre a mídia manuscrita e a impressa: formas dos (proto-)contos de fadas Liombruno de Cirino d’Ancona e Lionbruno de Vindalino da Spira, dos anos de 1470

Autores

  • Paulo César Ribeiro Filho Universidade de São Paulo
  • Ruth B. Bottigheimer University of New York at Stony Brook

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-9826.literartes.2020.176629

Palavras-chave:

conto de fadas, liombruno, lionbruno, manuscrito, impresso

Resumo

Essa edição especial da Literartes é dedicada aos contos de fadas em diferentes mídias. Trago aqui um pequeno relato a respeito de um proto-conto de fadas europeu que circulou em duas mídias concorrentes, um manuscrito produzido à mão em 1470 e um livreto impresso feito por máquina em 1476. A mídia manuscrita tinha um alcance limitado em seu público; já o livreto impresso, pertencente a uma tiragem de muitas centenas, precisava incorporar as expectativas de uma população muito maior para ser vendável. Assim, acontece que o mesmo enredo, quando produzido em duas mídias diferentes na década de 1470, conta uma história diferente em relação a Deus, ao dinheiro e às mulheres.

Biografia do Autor

Paulo César Ribeiro Filho, Universidade de São Paulo

Doutorando junto ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa (área de Literatura Infantil e Juvenil) da FFLCH-USP. Concentra seus estudos nas expressões literárias do imaginário, investigando-as sob o viés da história cultural. Em sua tese de doutorado, traduz e analisa a contística completa de Marie-Catherine Le Jumel de Barneville, baronesa d'Aulnoy (1650-1705), autora do primeiro conto de fadas literário e cunhadora do termo "conto de fadas". É mestre em Literatura Portuguesa (2017), bacharel em Letras-Português (2014) pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e licenciado em Letras-Português (2015) pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP). 

Ruth B. Bottigheimer, University of New York at Stony Brook

Ruth Bottigheimer é docente junto ao Departamento de Inglês da Universidade Pública de Nova York em Stony Brook. Dedicou grande parte de seus estudos universitários a áreas como Língua e Literatura Germânica, História Medieval, História da Ilustração e reescrituras de narrativas bíblicas. Estudou no Wellesley College, na University of Munich, na University of California at Berkeley e na University College, em Londres. Ao longo de mais de quarenta anos de magistério, Ruth Bottigheimer ministrou aulas nas Universidades de Stony Brook e de Princeton, atuando como professora visitante em universidades na Inglaterra, Alemanha, Áustria e Portugal. É membro da Sociedade Internacional de Pesquisa em Narrativas Folclóricas e da Associação de Literatura Infantil, entre outras. Foi pesquisadora visitante (visiting fellow) na Magdalen College, em Oxford, e é pesquisadora vitalícia (life fellow) junto à Clare Hall, em Cambridge.

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Publicado

2020-12-08

Como Citar

RIBEIRO FILHO, P. C.; B. BOTTIGHEIMER, R. As diferenças entre a mídia manuscrita e a impressa: formas dos (proto-)contos de fadas Liombruno de Cirino d’Ancona e Lionbruno de Vindalino da Spira, dos anos de 1470. Literartes, [S. l.], v. 1, n. 12, p. 260-274, 2020. DOI: 10.11606/issn.2316-9826.literartes.2020.176629. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/literartes/article/view/176629. Acesso em: 26 set. 2021.