Entre o poema e a imagem: o campo de concentração e o percurso pela memória e linguagem em Paul Celan e Didi-Huberman

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/1982-88372444157

Palavras-chave:

Paul Celan, Georges Didi-Huberman, Poesia, Memória, Linguagem

Resumo

Neste artigo, proponho a aproximação do poema “Engführung” (1958), do poeta Paul Celan, com o ensaio Cascas (2011 [2017]), do historiador de arte francês Georges Didi-Huberman, tomando como ponto de partida a ideia de percurso que atravessa ambas as obras. Para tanto, baseio-me nas leituras que Joachim Seng faz do poema de Celan (1992; 1998), nas quais lê “Engführung” como um trajeto do eu-poético pelo campo de concentração (Auschwitz) que é, ao mesmo tempo, campo da memória e linguagem. Em Cascas, Didi-Huberman relata o percurso da sua visita a Auschwitz, enfocando o papel do olhar na realização do trabalho da memória. Nesse sentido, ao posicionar lado a lado o poema e o ensaio, estes parecem apontar para modos de olhar e dizer Auschwitz que colocam para o leitor as tensões inerentes a este movimento, não se omitem desta tarefa ética e refletem criticamente a postura individual e coletiva diante da lacuna do testemunho e do que resta do campo de concentração.

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Publicado

2021-06-25

Como Citar

ABDALA JUNIOR, L. C. Entre o poema e a imagem: o campo de concentração e o percurso pela memória e linguagem em Paul Celan e Didi-Huberman. Pandaemonium Germanicum, São Paulo, v. 24, n. 44, p. 157-175, 2021. DOI: 10.11606/1982-88372444157. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/pg/article/view/187699. Acesso em: 26 set. 2021.

Edição

Seção

Dossiê: A Áustria e sua literatura no Brasil e no mundo