Ambiente familiar e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade

Autores

  • Thiago de Oliveira Pires Fundação Oswaldo Cruz; Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca; Centro Latino-Americano de Estudos sobre Violência e Saúde
  • Cosme Marcelo Furtado Passos da Silva Fiocruz; ENSP; Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde
  • Simone Gonçalves de Assis Fundação Oswaldo Cruz; Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca; Centro Latino-Americano de Estudos sobre Violência e Saúde

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0034-89102012005000043

Palavras-chave:

Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, epidemiologia, Fatores de Risco, Relações Familiares, Fatores Socioeconômicos

Resumo

OBJETIVO: Analisar fatores associados a transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em crianças. MÉTODOS: Estudo longitudinal sobre problemas de comportamento em crianças escolares de São Gonçalo, RJ, em 2005. Foram analisados 479 escolares da rede pública selecionados por amostragem por conglomerados em três estágios. Foi utilizada a escala Child Behavior Checklist para medição do desfecho. Foi aplicado um questionário para pais/responsáveis acerca dos fatores de exposição analisados: perfil da criança e da família, variáveis de relacionamento familiar, violências físicas e psicológicas. O modelo regressão log-binomial com enfoque hierarquizado foi empregado para a análise. RESULTADOS: Quociente de inteligência mais alto associou-se inversamente à frequência do transtorno (RP = 0,980 [IC95% 0,963;0,998]). A prevalência de transtorno nas crianças foi maior quando havia disfunção familiar do que entre famílias com melhor forma de se relacionar (RP = 2,538 [IC95% 1,572;4,099]). Crianças que sofriam agressão verbal pela mãe apresentaram prevalência 3,7 vezes maior do que aquelas não expostas a essa situação no último ano (RP = 4,7 [IC95% 1,254;17,636]). CONCLUSÕES: Relações familiares negativas estão associadas aos sintomas de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Sua associação com quociente de inteligência reitera a importância da base genética e ambiental na origem do transtorno.

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Publicado

2012-08-01

Edição

Seção

Artigos Originais

Como Citar

Pires, T. de O., Silva, C. M. F. P. da, & Assis, S. G. de. (2012). Ambiente familiar e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Revista De Saúde Pública, 46(4), 624-633. https://doi.org/10.1590/S0034-89102012005000043