Chamadas

CHAMADAS ABERTAS

Dossiê A Poética Negra feminista situa o pensamento político
até 31/08/2021

Em 1950, o poeta, ensaísta e ativista Aimé Césaire afirmava que não seria possível pensar o fascismo sem olhar para a colonização. Em 1956, o psiquiatra e revolucionário Frantz Fanon apontava que o racismo, longe de ser mero resquício passado, ou tão-somente uma "disposição de espírito" por parte de certos indivíduos, seria estruturante das sociedades modernas. Inspirado por tais intelectuais engajados e pelo trabalho da filósofa e artista Denise Ferreira da Silva, este dossiê propõe examinar, em termos tanto de forma quanto de conteúdo, as implicações mais amplas ao fazer teórico político ao se tomar a sério o problema da violência genocida imposta aos corpos e territórios não brancos no presente global composto por suas arquiteturas coloniais em termos políticos, econômicos e simbólicos. 

Para atender a questão “por que a morte de jovens negr*s pelas mãos de agentes do Estado não causa uma crise ética global?”, Ferreira da Silva entende que, em termos analíticos, é preciso ir além de apelos morais ou mesmo de uma perspectiva inclusiva. Embora esta última seja necessária, a autora afirma que, mesmo que pessoas não brancas adquiram direitos, estes colapsam toda vez que o Estado se utiliza de suas forças de autopreservação. Em direção ao “fim do mundo como conhecemos”, com a Poética Negra Feminista — práxis radical elaborada por Ferreira da Silva — procuramos chamar a atenção para a racialidade como produtora da própria universalidade, inscrita nos textos, corpos, territórios e instituições. Entendemos, portanto, que nenhuma análise política deveria deixar de levar em consideração a questão da racialidade e do roubo de terras nativas.

Este dossiê pretende reunir trabalhos que partam da realidade violenta imposta pelo racismo, pelo colonialismo e pelo sexismo, contribuindo, por um lado, para se pensar criticamente as bases ontoepistemológicas do pensamento político moderno, e fomentando, por outro, a imagiação do político em termos que não coincidam com a expansão do Estado-nação. Visando à desnaturalização da violência genocida, aceitamos artigos que busquem evidenciar a presença do racial e do colonial em textos escritos durante a colonização e o advento dos Estados-nação que são caros ao pensamento político ocidental moderno, ao pensamento político brasileiro e latino-americano, de modo a cobrir a atual lacuna de perspectivas críticas neste campo de estudos no Brasil. Também são bem-vindos trabalhos que tragam para o debate a contribuição de autor*s sistematicamente apagad*s para se (re)pensar o fazer político. Assim, reuniremos também, neste dossiê, narrativas outras — isto é, contra, antes e além da violência total — sobre o existir político, bem como reflexões críticas acerca da relação entre forma e conteúdo no fazer teórico político.

Os artigos serão aceitos até 31/08/2021 pelo sistema on-line da Revista Leviathan. Além da chamada pública, o dossiê contará com artigos de pessoas convidadas, entrevistas com pensador*s relevantes na área de estudos, traduções e elaborações em formatos diversos.

Organizadoras: Nathália Carneiro e Léa Tosold

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Black feminist poetics situates the political thought:

raciality, total violence, and universality

 

In 1950, the poet, essayist and activist Aimé Césaire stated that it is not possible to think about fascism without taking colonization into account. In 1956, the psychiatrist and revolutionary Frantz Fanon pointed out that racism, far from being a mere remnant of the past, or simply a “disposition of mind” on the part of certain individuals, is constitutive of modern societies. Inspired by such engaged intellectuals and by the work of the philosopher and artist Denise Ferreira da Silva, the proposed dossier aims at investigating, in terms of both form and content, the broader implications for political theorizing if we seriously consider the problem of genocidal violence imposed on non-white bodies and territories in the global present, characterized by colonial structures in political, economic, and symbolic terms. 

“Why the death of young black persons at the hands of state agents does not cause a global ethical crisis?”, asks Ferreira da Silva. In order to  attend to this question, she argues that, in analytical terms, it is necessary to go beyond moral appeals or even an inclusive perspective. Although the latter is necessary, the author states that, even if non-white people acquire rights, these collapse every time the state uses its self-preservation forces. Towards the “end of the world as we know it,” and  with Black Feminist Poethics — a radical praxis elaborated by Ferreira da Silva —, we seek to draw attention to raciality as the very producer of universality, which underlies texts, bodies, territories, and institutions. We understand, therefore, that no political analysis should leave out the question of raciality and the theft of native lands.

This dossier welcomes papers that, informed by the violent reality imposed by racism, colonialism, and sexism, contribute (i) to think critically about the onto-epistemological basis of modern political thought, and (ii) to foster the imaging of the political in terms that do not coincide with the expansion of the nation-state. Aiming at the denaturalization of genocidal violence, we encourage works that seek to highlight the racial and the colonial aspects of texts that are central to modern Western political thought, and to Brazilian and Latin American political thought, which were written during colonization and the advent of nation-states. We also welcome texts that present the contribution of systematically erased authors in order to (re)think the political thought. Finally, this issue is open to other narratives as well — the ones that, against, before, and beyond total violence, (re)think the political existence, and critically reflect on the relationship between form and content in political theorizing.

Submissions will be accepted until June 31, 2021 through Leviathan Journal’s online system. In addition to the public call, the dossier will gather invited contributions, interviews with prominent scholars in the field, translations, and compositions in various formats.

 

To access the Journal’s submission guidelines: Diretrizes para autoras

To access the Journal’s evaluation flow guide: Fluxo Editorial Leviathan

Organizers: Nathália Carneiro e Léa Tosold

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La poética feminista negra ubica el pensamiento político:

racialidad, violencia total y universalidad

 

En 1950, el poeta, ensayista y activista Aimé Césaire señaló que no era posible pensar en el fascismo sin considerar la colonización. En 1956, el psiquiatra y revolucionario Frantz Fanon advirtió que el racismo, lejos de ser un mero vestigio del pasado o una simple “disposición mental” de ciertos individuos, constituye la estructura misma de las sociedades modernas. Inspirad*s por estos intelectuales implicados y por el trabajo de la filósofa y artista Denise Ferreira da Silva, este dossier se propone a examinar, tanto en términos formales como de contenido, las consecuencias más amplias que surgen para la teoría política cuando se toma en serio el problema de la violencia genocida impuesta a los cuerpos y territorios no-blancos en el presente global y sus arquitecturas coloniales en términos políticos, económicos y simbólicos. 

Para responder a la pregunta “¿por qué la muerte de jóvenes negr*s a manos de agentes del Estado no provoca una crisis ética global?”, Ferreira da Silva sostiene que, en términos analíticos, es necesario ir más allá de apelaciones morales o mismo de una perspectiva inclusiva. Si bien esta última es necesaria, la autora afirma que, aunque las personas no-blancas adquieran derechos, éstos se desmoronan a cada vez que el Estado utiliza sus fuerzas de auto-conservación. Hacia el “fin del mundo según lo conocemos”, con la Poética Negra Feminista — una praxis radical elaborada por Ferreira da Silva —, buscamos llamar la atención acerca de la racialidad como productora de la propia universalidad, la cual se inscribe en textos, cuerpos, territorios e instituciones. Entendemos, por lo tanto, que ningún análisis político debe dejar de tener en cuenta la cuestión de la racialidad y el despojo de las tierras nativas.

Este dossier pretende reunir trabajos que, desde la realidad violenta impuesta por el racismo, el colonialismo y el sexismo, contribuyan, por un lado, a pensar críticamente las bases onto-epistemológicas del pensamiento político moderno y, por otro, a fomentar la imagiación de lo político en términos no coincidentes con la expansión del Estado-nación. Con el objetivo de desnaturalizar la violencia genocida, acogemos contribuciones que busquen resaltar la presencia de lo racial y de lo colonial en los textos escritos durante la colonización y el surgimiento de los Estados-nación que son caros al pensamiento político occidental moderno, así como al pensamiento político brasileño y latinoamericano. También son bienvenidos textos que destacan el aporte de autor*s sistemáticamente ignorad*s, con el fin de (re)pensar el hacer teórico-político. Además, recogeremos en este número otras narrativas — es decir, narrativas contra, antes y más allá de la violencia total — sobre la existencia política, bien como reflexiones críticas sobre la relación entre forma y contenido en la teoría política.

Se admitirán contribuciones hasta el 31 de junio de 2021 a través del sistema online de la Revista Leviathan. Además de la convocatoria pública, el dossier incluirá textos de autor*s invitad*s, entrevistas con personalidades de destaques en el área de estudios, traducciones y elaboraciones en diferentes formatos.

Para acceder a las directrices de sumisión de la revista: Diretrizes para autoras

Para acceder a la guía de flujo de evaluación de la revista: Fluxo Editorial Leviathan

Organizadoras: Nathália Carneiro e Léa Tosold