Proust contra a Degradação: gênese, infortúnios e redenção de um livro

Autores

  • Luciana Persice Nogueira-Pretti Universidade Estadual do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2596-2477.i43p93-109

Palavras-chave:

Joseph Czapski, Marcel Proust, Publicação, Versões, Traduções

Resumo

Esse artigo retraça os caminhos e descaminhos da obra Proust contra a Degradação, de Joseph Czapski (1896-1993), e os percalços de sua redação, transmissão e publicação. Esse livro transita entre memória, ensaio e testemunho histórico, e transcreve uma série de conferências proferidas entre 1940 e 1941, no interior de um gulag siberiano, sobre Proust, seu romance, e seu poder “salvador” (de acordo com o próprio autor). Livro que espelha, em certa medida, seu autor, sobrevive a perdas e esquecimentos. O autor, que é escritor, artista plástico e crítico de arte, pretendia, com ele, “fazer um tributo à literatura francesa“, mas seu belo ensaio é eclipsado por imperativos ideológicos. Escrito (manuscrito) em 1941, perdido, reescrito (em tapuscritos) entre 1943 e 1944, publicado parcialmente num jornal francês em fins de 1943, traduzido e publicado na Polônia, em 1948, e, finalmente, publicado integralmente por uma editora suíça em 1987 – para voltar a ser esquecido, durante um quarto de século, até sua redenção a partir de 2011. Convidamos à leitura da saga de um livro, que reflete seu tempo e seu contexto.

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Biografia do Autor

Luciana Persice Nogueira-Pretti, Universidade Estadual do Rio de Janeiro

Professora de Língua e Literaturas de Língua Francesa na UERJ. Pós-doutora em Literatura Francesa pela UFRJ.

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Publicado

2021-07-26

Como Citar

Nogueira-Pretti, L. P. (2021). Proust contra a Degradação: gênese, infortúnios e redenção de um livro. Manuscrítica: Revista De Crítica Genética, (43), 93-109. https://doi.org/10.11606/issn.2596-2477.i43p93-109